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    Premiação


    Pesquisadores do Inpa conquistam prêmio da Sociedade de Ecologia

    A pesquisa premiada sobre a domesticação de parte da flora da floresta amazônica é resultado de uma contribuição de mais de 150 coautores

    | Foto: divulgação

    Manaus- Depois de ganhar prêmios importantes no Brasil, a pesquisa sobre os efeitos persistentes da domesticação de plantas da floresta amazônica por povos indígenas há pelo menos 13 mil anos conquistou reconhecimento internacional. As “contribuições excelentes para a Ecologia” renderam à egressa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Carolina Levis, e a pesquisadores do Instituto e de outras instituições o Prêmio 2020 da Ecological Society of America, categoria William Cooper.

    O tema foi tratado na tese de Levis defendida no curso de Ecologia do Inpa, sob orientação dos pesquisadores Flávia Costa e Charles Clement. A pesquisa mais ampla foi publicada na Revista Science com Levis como primeira autora de um total de mais de 150 coautores de várias instituições do Brasil e do exterior. “Este é um reconhecimento incrível do trabalho feito. A ESA é uma das maiores sociedades de ecologia do mundo”, comemora Levis, ao explicar a grata surpresa, já que os cientistas não submetem proposta ao prêmio. A escolha dos agraciados fica a cargo da ESA.

    De acordo com a ESA, a cerimônia de entrega do Prêmio acontecerá durante a Reunião Anual da Sociedade, de 2 a 7 de agosto. Por conta da pandemia de Codiv-19, a Sociedade está avaliando se fará reunião presencial em Salt Lake City (EUA) ou virtual. A distinção aos premiados reconhece as contribuições extraordinárias à ecologia em novas descobertas, ensino, sustentabilidade, diversidade e compromisso ao longo da vida com a profissão.

    Em nota divulgada pela ESA, o trabalho escrito por Levis e outros pesquisadores chama a atenção para a longevidade dos efeitos que os seres humanos têm sobre as comunidades vegetais, a domesticação de plantas e da paisagem são processos duradouros e importantes além dos processos ambientais e evolutivos que moldam as distribuições das espécies na Amazônia. Ainda segundo a ESA, o trabalho mostra gradientes ambientais alterados pelos povos amazônicos, cujo manejo das comunidades de plantas florestais ainda hoje é evidente, em sítios arqueológicos, por exemplo, através da associação desses locais com as espécies vegetais domesticadas.

    “A floresta concentra recursos de grande valor e os povos indígenas têm um conhecimento milenar de como manejar esses recursos florestais para aumentar ainda mais esse valor sem necessidade de derrubar florestas. O conhecimento de como manejar os recursos florestais tem sido transmitido localmente de geração para geração e representa um aprendizado valioso para o uso sustentável das nossas florestas”, destacou Levis, que atualmente faz pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

    Além deste prêmio, Levis já conquistou o 14ª Prêmio Capes de Tese 2019 – Gaziela Maciel Barroso e 2º lugar no Prêmio Jovem Cientista de 2018.

    *Com informações da assessoria