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    Cyberbullying: crianças e adolescentes são as vítimas mais vulneráveis

    Pesquisas apontam que o Brasil é o segundo país com mais casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes - os principais alvos

    Por trás das telas, os agressores se sentem protegidos para destilar ódio e comentários agressivos | Foto: Reprodução

     MANAUS (AM) - Utilizado como ferramenta de relações sociais, estudo e diversão por milhões de adolescentes, especialmente em tempos de isolamento social causado pela pandemia da Covid-19, a internet também tem sido palco de práticas sombrias, como o chamado cyberbullying, que consiste na disseminação de mensagens de ódio,  perseguição e intolerância. Apesar de parecer uma realidade distante, qualquer um pode ser vítima dessas ações criminosas - inclusive o seu filho.

      Um recente levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa (Ipsos) revelou que o Brasil é o segundo país com mais casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes, os principais alvos. Tal comportamento pode ocorrer em redes sociais e jogos online, por exemplo.  

    As principais características do cyberbullying são a difamação imediata, divulgação de imagens íntimas sem autorização, compartilhamento de mentiras ou fotos constrangedoras de alguém nas mídias sociais; envio de mensagens ou ameaças que humilham pelas plataformas de mensagens e se passar por outra pessoa e enviar comentários maldosos aos outros. 

     

    A artista ao lado de seu filho Lucas
    A artista ao lado de seu filho Lucas | Foto: Reprodução

    No início do mês, o filho da cantora de forró Walkyria, o adolescente Lucas Santos, de 16 anos, foi encontrado morto na casa onde ele morava com a família. Em um post emocionante no Instagram, a artista relatou que o filho sofria de depressão e tirou a vida depois de sofrer um bombardeio de mensagens homofóbicas, após postar um vídeo brincando com um amigo na plataforma Tik Tok.

    "

    Ele postou um vídeo no TikTok, uma brincadeira de adolescente com os amigos, e achou que as pessoas fossem achar engraçado, mas não acharam, como sempre as pessoas destilando ódio na internet. Como sempre as pessoas deixam comentários maldosos. Meu filho acabou tirando a vida. Eu estou desolada, eu estou acabada, eu estou sem chão "

    , desabafou Walkyria.

     

    Luísa Sonza atacada após a morte de filho de ex

    Outro episódio marcante de  cyberbullying que revoltou os internautas ocorreu em maio, após a morte de João Miguel, filho do comediante Whindersson Nunes e de sua então noiva, Maria Lina Deggan. Na ocasião, a cantora Luísa Sonza, ex do humorista, passou a receber uma série de ataques nas redes sociais. No Instagram, a artista chegou a ser responsabilizada pela morte do bebê e teve uma crise de choro com os comentários ofensivos.

     

    A cantora Luísa Sonza fez vídeos aos prantos
    A cantora Luísa Sonza fez vídeos aos prantos | Foto: Reprodução

    "Gente, pelo amor de Deus. Pelo amor de Deus, parem com essa história. Ninguém aguenta mais, ninguém aguenta mais", desabafou em um vídeo postado na plataforma. 

    Após o início dos ataques, os comentários no perfil de Luísa foram desativados, e as críticas foram ocultadas. Por causa das reações negativas. Na época, a cantora recebeu apoio de internautas que repudiaram os ataques.

    Atento aos sinais 

    Especialistas indicam quais os principais comportamentos que o seu filho pode apresentar caso esteja sendo vítima do cyberbullying como falta de concentração, desmotivação; falta de vontade; timidez; exclusão social; insegurança; ansiedade ou pânico; mudança repentina de comportamento e ficar triste ou assustado ao receber uma mensagem, além do abandono das redes sociais 

    Segundo a psicóloga Luenda Freitas, é possível que os primeiros sinais reflitam no desempenho escolar da criança, como notas baixas, falta de interesse e até mudanças de comportamento.

    "Outros sinais de que o seu filho pode estar sendo vítima do cyberbullying ocorre quando ele apresenta comportamentos agressivos, têm medo de situações comuns, evita socializar, isola-se, esconde o celular dos pais e omite informações. Além disso, outros comportamentos incluem a  compulsão alimentar ou perda de apetite, e a ansiedade ou melancolia", afirmou a especialista.  

      Luenda afirma que a prática do cyberbullying pode desencadear uma série de danos à saúde emocional, incluindo ansiedade e ataques de pânico, depressão, baixa autoestima, insegurança, distúrbios alimentares, alterações no sono, dificuldade de aprendizagem e socialização.  

    "Há danos em ambos tipos de bullying, isto depende de como a criança ou adolescente vai reagir à situação e qual a proporção da importunação com ela, se há agressões físicas, por exemplo", afirmou.

    A psicóloga também afirmou que por se tratar de crianças e adolescentes, que em muitos casos não falam aos pais, a prática criminosa acaba em impunidade em muitos casos.

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    Já é difícil identificar os autores do cyberbullying, visto que podem se utilizar de uma página ou perfil falso que esconda a autoria das práticas. Nesses casos é necessária uma investigação específica, o que depende primeiro de uma denúncia do crime cibernético. Ainda há o agravante de se tratar de crianças e adolescentes - as maiores vítimas, que em muitos não falam para os seus responsáveis, tornando mais difícil controlar e punir tais práticas ilícitas "

    , finalizou.

     

    Cyberbullying e a lei

    Mesmo se tornando recorrente em meio a um mundo cada vez mais digital, o delegado Reinaldo Figueira, responsável pela Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos (DERC), explica que ainda não há uma legislação específica para punir quem comete o cyberbullying.

    "Na maior parte das vezes, esses crimes são enquadrados como crimes contra a honra, mas precisamos entender que o nosso código penal é de 1949, ou seja, muito antigo, e os delitos cibernéticos estão se atualizando rapidamente, de modo que a legislação não os acompanhe de forma temporal", afirmou o delegado. 

    A prática é passível de punição por meio do Código Penal Brasileiro quando configura os crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria – Artigo 138 ), crime de injúria racial (ataques racistas – Artigo 140) e exposição de imagens de conteúdo íntimo, erótico ou sexual (Artigo 218-C, incluído pela Lei 13.718, de 2018).

     

    O delegado aconselha todos os pais que não conseguirem resolver o problema de cyberbullying a procurarem uma delegacia
    O delegado aconselha todos os pais que não conseguirem resolver o problema de cyberbullying a procurarem uma delegacia | Foto: Divulgação

    O delegado aconselha todos os pais que não conseguirem resolver o problema de cyberbullying a procurarem uma delegacia para que o caso seja investigado.

    "Se ocorrer um episódio de cyberbullying, envolvendo colegas da escola, por exemplo e esse problema não for resolvido no âmbito escolar, ou, ainda, os pais de uma eventual vítima não ficar satisfeito com as medidas apresentadas pela equipe escolar, peço para que eles não fiquem intimidados, e procurem uma delegacia, para registrar um boletim de ocorrência, o que possibilitará as investigações em torno desse caso", afirmou. 

    Disque 188

    O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Mais informações no site ou pelo número 188. 

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