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    Eleições americanas


    Trump está cada vez mais desfavorecido na corrida à presidência

    Em meio a crises sociais e econômicas, o candidato republicano perde pontos contra o democrata Joe Biden

    | Foto: divulgação

    Eleito em 2016, o presidente republicano dos Estados Unidos da América, Donald Trump, acumula uma lista de polêmicas durante seu mandato. As mais recentes, envolvendo as manifestações contra a violência policial à população negra e a crise social que a pandemia levou ao país, fizeram sua popularidade cair e deram vantagem ao seu principal opositor político, Joe Biden, em pleno ano de eleição.

    Apesar de ter apresentado resultados econômicos positivos, diminuído o problema do desemprego no país nos últimos três anos, e ter mantido seu número de eleitores estável neste período, pesquisas do Real Clear Politics, revelam que o presidente viu seu índice de aprovação cair em 14% nos últimos meses, enquanto Biden, se coloca a frente nas eleições por quase nove pontos. O democrata e ex vice-presidente, tem colocado seu nome em destaque principalmente por conseguir arrecadar doações para a sua campanha de valor maior às do atual presidente, mesmo estando em quarentena.

    O analista político e sociólogo, Carlos Santiago, acredita que o cenário visto atualmente, de um país com uma economia frágil e socialmente desigual, influencia na queda dos números. Além disso, os discursos agressivos não são um ponto positivo. “O presidente Donald Trump foi eleito com uma campanha agressiva de negação da política tradicional, propondo um grande crescimento econômico, com os EUA protagonistas de bem-estar social global, e contra o acesso de migrantes pobres ao solo americano”, explica.

    Um dos fatores que tem feito o presidente perder popularidade são seus discursos agressivos.
    Um dos fatores que tem feito o presidente perder popularidade são seus discursos agressivos. | Foto: Divulgação

    Para o professor e presidente da Comissão de Relações Internacionais da Ordem de Advogados do Brasil (OAB), Helso Ribeiro, a mudança de líder não trará mudanças internas muito impactantes ao país. “Veja bem, a democracia dos Estados Unidos é assentada em fundamentos muito fortes. Eu diria que se o Trump for eleito ou se o Biden ganhar, a mudança interna é de poucos graus. Nunca a democracia dos EUA operou modificações que fossem antagônicas ao governo que dirigiu o país. O problema é que o Trump acabou tocando algo que estava adormecido no país, que é o nacionalismo exacerbado, daí a ideia do ‘America First’”, comenta.

    Relação com o Brasil

    Desde a sua eleição, o presidente Jair Bolsonaro tem tentado estreitar relações com os EUA, obtendo sucesso em algumas situações e utilizando esse discurso a seu favor, chegando a dizer que era amigo pessoal de Trump. Por outro lado, o líder americano vetou a entrada de brasileiros em solo americano, no auge da pandemia no Brasil, e disse em um de seus discursos que o Brasil era um mau exemplo a ser seguido, fazendo referência ao número de óbitos por Covid-19.

    Bolsonaro dizia ser amigo íntimo de Trump, que aparentemente não concordava.
    Bolsonaro dizia ser amigo íntimo de Trump, que aparentemente não concordava. | Foto: Alan Santos/PR

    Como explica Helso, “acredito que houve uma política internacional do Brasil numa dependência de um compadrio e não funciona dessa forma. É bom que você seja amigo de líderes mundiais, mas se você não tiver propostas bem formatadas e consolidadas, não vai ser a simpatia que vai abrir a porta do comércio, e a nossa relação com os Estados Unidos é, muitas vezes, de concorrência. Para se ter uma ideia a China, nossa maior parceira, deixou de comprar a soja brasileira para comprar dos EUA”.

    Corrida presidencial

    Ambos candidatos ainda serão oficialmente apresentados por seus respectivos partidos em agosto desse ano, durante as convenções de cada um, e os democratas já anunciaram que farão de modo virtual devido as ordens de distanciamento social. Taump, por sua vez, fará seu pronunciamento de um pavilhão, em Jacksonville, Flórida. As eleições estão previstas para acontecer em novembro.

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