Fonte: OpenWeather

    ESTADOS UNIDOS


    Impeachment pode ser o fim de Trump na política; entenda

    Processo pode ser votado na próxima segunda-feira (25) e Trump sofre ameaça de perda dos direitos políticos

    Senado se prepara para votar impeachment do ex-presidente | Foto: (Arquivo/Agência Brasil)

    Manaus - Após a invasão de trumpistas ao prédio do Congresso Nacional e a aprovação de seu Impeachment pela Câmara, o presidente estadunidense Donald Trump deve assistir, na próxima segunda (25), mais um episódio do que se  tornou um pesadelo para ele mesmo. Desta vez, o Senado decidirá se o pedido de afastamento do ex-presidente é válido. Mesmo que já tenha deixado o cargo, caso o processo seja aprovado, Trump pode ter seus direitos políticos cassados. Esse é o principal objetivo da oposição.

    A principal acusação é a forma como o ex-presidente incitou que manifestantes fizessem algo para impedir a posse de Joe Biden, que venceu às eleições presidenciais ocorridas em 2020. Essa é a segunda vez que o milionário sofre um pedido de impeachment, sendo a primeira quando ele pressionou o governo da Ucrânia a entregar possíveis documentos que pudessem prejudicar a candidatura de seu adversário, Biden, na corrida eleitoral.

    A partir de agora, independente da data que o impeachment for pautado, Trump pode ter ainda outro problema. Até antes do recesso do Congresso Nacional, que encerrou no dia 19, a maioria do parlamento era formado por políticos republicanos, ou seja, colegas do partido de Donald Trump. No entanto, com a nova eleição para o Senado ocorrida em 6 de janeiro, a maioria agora é formada por democratas. Seus fiéis opositores.

    Caso tenha o impeachment aceito, Trump pode ter seus direitos políticos cassados pelos senadores, que podem votar também esta penalidade. A proibição impediria o ex-presidente estadunidense de concorrer a quaisquer futuros cargos federais.

    Possibilidade de aprovação existe

    Embora os Estados Unidos nunca tenham aprovado o processo de impeachment contra um presidente, em toda a história, há quem acredite que Trump possa quebrar a 'regra'. Um deles é Tiago Jacaúna, doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    "Donald Trump é conduzido ao poder por meios democráticos, todavia, ainda como candidato, apresentava um perfil autoritário, porque incitava ou encorajava a violência; descredenciava a mídia; deslegitimava seus oponentes políticos, entre outros. Esse perfil foi posto em prática ao longo de todo o seu mandato, fragilizando paulatinamente a democracia americana, ao ponto de contestar o sistema e não aceitar as regras do processo eleitoral", explica o estudioso.

    O sociólogo lembra que, embora os EUA nunca tenham aprovado um processo de impeachment de um presidente, o olhar pode mudar quando o caso é Donald Trump.

    "A democracia americana raramente toma medidas radicais. O impeachment é uma situação extrema que dificilmente ganha corpo nos EUA. Ocorreu apenas três vezes, incluindo o primeiro processo de Trump, e sempre foi reprovado no senado. Porém, desta vez, ao contestar o resultado das eleições, Trump cruzou um limite nunca ultrapassado, enfraquecendo as instituições democráticas e incitando um tipo de terrorismo doméstico em função de teorias da conspiração e intolerância aos adversários. Essa situação impactou a avaliação dos demais membros do Partido Republicano, inclusive dos seus membros mais ilustres, como o vice-presidente Mike Pence", comenta Jacaúna.

    Por esses motivos, o professor acredita na possibilidade de os Estados Unidos quebrarem uma 'tradição' em sua história e assim terem o primeiro presidente 'impeachmado'.

    "Diante desse cenário, o isolamento de Trump dentro do Partido Republicano é uma fagulha do espírito democrático que ainda resiste. Desse modo, a chance de Trump ser 'impichado' é maior nesse segundo processo do que no primeiro. Acredito que seria importante o Senado restituir as regras e as normas do processo democrático, isso significa aprovar o impeachment", afirma o sociólogo.

    Além da invasão ao

     

    Senado se prepara para votar impeachment do ex-presidente
    Senado se prepara para votar impeachment do ex-presidente | Foto: (Arquivo/Agência Brasil)

    Capitólio

    Embora o ápice de seu processo de impeachment tenha sido a invasão ao Capitólio capitaneada por trumpistas em 6 de janeiro, há ainda outros fatos que podem ter sido vitais na abertura do processo político. 

    "Além da crise na invasão do Congresso Nacional, Trump também abriu uma frente de batalha contra as 'Big Techs', isto é, as grandes empresas de tecnologia da informação, como Twitter, Facebook, Google, entre outras; sem falar dos órgãos convencionais de mídia, como a CNN e Fox News (ex-aliada de Trump). O acúmulo de deserções, o afastamento de aliados (inclusive do vice-presidente) e a vitória de Joe Biden fizeram com que Trump se tornasse um alvo fácil para os democratas e outros opositores", comenta Breno Simões, analista político e professor do curso de Relações Internacionais da faculdade La Salle.

    Como Trump deve agir, caso perca

      Um dos comportamentos mais conhecidos de Donald Trump é a maneira como o político não aceita perder. Nas eleições de 2020, por exemplo, mesmo após entregar o cargo para o seu sucessor, o agora ex-presidente insiste que a votação foi fraudada, mesmo sem provas.

    Logo, uma pergunta que surge é como Trump deve agir caso perca o processo de impeachment. Em relação a essa incerteza, o analista político tem também palpites.

    "A aposta política e a ação institucional de Trump se reduzem basicamente a duas estratégias. Por um lado, um enfrentamento legislativo com o apoio do partido Republicano[...] o que pode quebrar a estratégia da oposição Democrata (um cenário bastante adverso, pois Trump perdeu muitos aliados no próprio partido depois da invasão do Capitólio). Por outro, Trump pode judicializar o processo de impeachment para ganhar tempo, uma vez que a Suprema Corte é composta hoje por juízes mais conservadores", explica o especialista.

    Para Simões, há ainda a possibilidade de Trump atiçar novamente seus seguidores, os quais podem vir a repetir o que foi visto em 6 de janeiro, quando o Capitólio foi invadido.

    "Para além das ações formais, dentro das instituições, Trump pode atiçar ainda mais a militância republicana trumpista. Os atos no Capitólio, em não reconhecimento dos resultados das eleições presidenciais, podem ser só o ensaio para outras ações nos Estados Unidos", comenta o analista.