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    Diplomacia


    Nova coalizão pretende melhorar diálogo de Israel com países europeus

    Governo encerrou os 12 anos consecutivos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no cargo

     

    O novo premier Naftali Bennett ao lado do chanceler Yair Lapid
    O novo premier Naftali Bennett ao lado do chanceler Yair Lapid | Foto: Ronen Zvulun/Reuters

    O centrista Yair Lapid, ex-astro da televisão e articulador da nova coalizão governista de Israel, conversou no domingo à noite com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e com o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell. A iniciativa faz parte da tentativa da diplomacia israelense em melhorar o diálogo com os países europeus e com o Partido Democrata dos Estados Unidos, para acabar com as relações "hostis" sob o governo de Benjamin Netanyahu, encerrado no domingo após 12 anos.

    “Nossas relações com os países da União Europeia não são boas o bastante, nossas relações com muitos governos foram negligenciadas e se tornaram hostis”, afirmou em uma cerimônia em Jerusalém para marcar o início de suas funções. “Gritar para todo o mundo que é antissemita não é uma política ou um programa de trabalho, mesmo que às vezes pareça justo”.

      Netanyahu manteve relações tensas com o então presidente americano Barack Obama (2009-2017), e depois desenvolveu uma aliança com seu sucessor, o republicano Donald Trump, a quem chamou de "melhor amigo" que o país já teve na Casa Branca. No entanto, as alas mais à esquerda do Partido Democrata, do presidente Joe Biden, têm sido cada vez mais críticas das políticas israelenses, em especial em relação aos palestinos.  


    O Parlamento de Israel aprovou o novo governo, formado por uma coalizão que reúne as principais forças de oposição do país, que encerrou os 12 anos consecutivos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no cargo. O novo premier Naftali Bennett, líder do Yamina e ex-ministro da Defesa, afirmou que o recém-empossado e autonomeado "governo da mudança" representará "todos os israelenses".

    "Negligenciada e perigosa"

    Lapid criticou a relação do seu antecessor com o Partido Democrata, que segundo ele, "foi negligenciada e perigosa".

    “O governo (Netanyahu) fez uma aposta terrível, imprudente e perigosa ao focar exclusivamente no Partido Republicano e abandonar a abordagem bipartidária de Israel”, declarou o novo chanceler, que no entanto considerou "importante" o apoio a Israel dos "cristãos evangélicos" americanos, em geral alinhados aos republicanos. “Mas mais importante ainda é o bom entendimento entre as diferentes correntes do judaísmo”.

      Biden foi o primeiro chefe de Estado a ligar para o novo premier, Naftali Bennett, no domingo, e disse em um comunicado ter "pressa para trabalhar" com ele. É improvável que o governo democrata reverta algumas das políticas de Trump, como a transferência da embaixada americana para Jerusalém, mas deverá pôr mais ênfase nas negociações com os palestinos para a solução de dois Estados.  


    Sob Netanyahu, as negociações com os palestinos estão paradas desde 2014, e Trump apresentou um plano de paz considerado inaceitável pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) por prever a anexação de vastas áreas da Cisjordânia, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

    Prioridade

    Nesta segunda, o primeiro-ministro da ANP, Mohamed Shtayyeh, disse que a saída de Netanyahu do poder em Israel marca "o fim de um dos piores períodos” do conflito israelense-palestino.

    No Brasil, o Itamaraty saudou o novo governo israelense e desejou sucesso a Bennett. "Desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro, as relações com Israel foram alçadas a novo patamar de prioridade", afirmou a Chancelaria brasileira em comunicado. "O governo brasileiro expressa confiança no contínuo fortalecimento dos laços de amizade que unem Brasil e Israel e continuará trabalhando com o novo governo em favor das relações bilaterais, fundamentadas em vínculos históricos, em benefício dos interesses comuns e do desenvolvimento mútuo."

    No Twitter, Bolsonaro deu as boas-vindas a Bennett, mas antes agradeceu a parceria com o ex-premier.

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    Agradeço a Netanyahu, meu grande amigo, pelo ótimo trabalho que pudemos desenvolver juntos no fortalecimento da parceria entre os nossos países e na promoção do bem-estar dos nossos povos. Tenho certeza que a sorte e o seu imenso talento não lhe faltarão nesta nova etapa "

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    Sem embaixador desde a saída de Yossi Shelley, que se aproximou de Bolsonaro e sua família, em fevereiro, a representação israelense em Brasília disse, por meio de sua porta-voz, Shani Rabinovich, que a troca de premier não terá impacto negativo nas relações entre os dois países. Segundo ela, em breve deverá haver um contato telefônico entre Bennett e Bolsonaro.

    “Nossa relação continuará forte. O Brasil é prioridade para Israel, independentemente do governo que assumir”, afirmou Rabinovich.

    Diretrizes

    O governo iraniano, por sua vez, disse que não espera que a política externa e de segurança de Israel mude sob o novo governo.

    “Os inimigos do Irã se foram e o poderoso Irã ainda está aqui. Não acho que as políticas de Israel mudarão”, disse Saeed Khatibzadeh, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, de acordo com a agência de notícias Isna.

    Ao apresentar as grandes diretrizes de seu governo, Bennett afirmou que sua coalizão "não permitirá que o Irã desenvolva armas nucleares".

    “Este governo começa seu trabalho com a mais grave das ameaças à segurança”, disse, em referência ao Irã, antes de garantir que o país "se reserva uma liberdade total de ação" contra o inimigo.

    Bennett manteve a posição de Netanyahu de se opor à volta dos EUA ao acordo nuclear assinado em 2015 entre Teerã e as principais potências globais, que foi abandonado por Trump em 2018. Atualmente, há negociações em curso em Viena para a retomada do pacto e o fim gradual das sanções impostas ao Irã pelo republicano.


    * Com informações do jornal O Globo


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