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    Pós-pandemia


    Europa suspende restrições e ensaia retomada do turismo

    Rapidez na vacinação e a queda acentuada de casos de Covid-19 estão motivando a suspensão de medidas restritivas em vários países


    A rapidez na vacinação e a queda acentuada de casos de Covid-19 estão motivando a suspensão de medidas restritivas em vários países europeus, incluindo a liberação de entrada de viajantes estrangeiros.

    A Espanha anunciou que o uso de máscaras não será mais obrigatório em seus territórios, a exemplo da França, enquanto a Noruega aliviou boa parte das restrições ainda em vigor no seu território.

      Já a Comissão Europeia recomendou nesta sexta que os seus 27 países-membros aceitem turistas, vacinados ou não, de mais oito países e territórios com bons índices epidemiológicos, entre eles os Estados Unidos. A decisão final sobre para quem abrir suas fronteiras é de cada nação do bloco, mas é um bom sinal para a retomada do turismo na alta temporada de verão.  


    Desde maio, o Executivo da UE recomenda também que seus integrantes autorizem a entrada de turistas de fora do bloco que já receberam as duas doses das vacinas validadas pela Agência Europeia de Medicamentos — Pfizer-BioNTech, Moderna, Universidade de Oxford-AstraZeneca e Johnson & Johnson — ou pela Organização Mundial da Saúde, lista que englobaria também as chinesas Coronavac, conhecida no Brasil como CoronaVac, e Sinopharm.

    A maciça parte das nações europeias, contudo, age com cautela e ainda não aceita turistas, independente do seu status de vacinação, de países onde as taxas de contágio ainda são altas, como o Brasil.

    Os passos em direção à rotina pré-2020 só são possíveis porque o bloco viu uma queda drástica dos casos nos últimos meses: em 31 de março, chegou a registrar quase 170 mil novos casos da doença. No último dia 16, registrou cerca de 17 mil, segundo os dados do Our World in Data, um projeto da Universidade de Oxford.

    No ano passado também houve uma queda drástica dos casos com a chegada do verão, após meses de quarentena. O aumento da circulação dentro do bloco — as fronteiras internacionais permaneceram fechadas — foi um dos fatores-chave para a segunda onda que a região atravessou no fim de 2020, seu pior até agora.

    Problemas burocráticos

    Desta vez, contudo, especialistas creem que a região conseguirá evitar novos surtos de grandes proporções diante da vacinação. Após um início conturbado, resultado de problemas burocráticos, contratuais e da escassez de doses, a imunização ganha impulso no continente.

    Segundo os dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Europa, 54% dos europeus já tomaram ao menos uma dose anti-Covid e 30,1% tomaram as duas. O bloco aplica hoje, em média, 4,37 milhões de injeções por dia.

      A Espanha, que já deu ao menos uma dose em 47% de sua população, viu os novos casos caírem cerca de 60% nos últimos dois meses. Hoje, registra uma média de 3.395 diagnósticos diários, uma fração dos quase 37 mil que chegou a ver no auge da pandemia, em janeiro.  


    O país, que havia suspendido o toque de recolher na segunda semana de maio, anunciou nesta sexta que este será o último fim de semana em que o uso de máscaras ao ar livre será obrigatório. A partir do próximo dia 26, os espanhóis poderão transitar com os rostos descobertos desde que consigam manter uma distância de 1,5 metros entre si.

    Falsa expectativa

    A medida divide especialistas: ao El País, Antoni Trilla, professor de Medicina na Universidade de Barcelona, disse ser um “bom momento para retirá-las, desde que se explique bem” que a regra valerá apenas para espaços públicos e arejados. Já Jesús Aguirre, conselheiro de Saúde da Andaluzia, disse crer ser demasiadamente cedo:

    “É um debate que não me agrada porque se cria uma falsa expectativa de relaxamento”, afirmou ele em entrevista ao Canal Sur.

    Tal qual a Espanha, a Holanda deve anunciar na próxima semana que o uso de máscaras não será mais obrigatório ao ar livre e que bares e restaurantes poderão receber até 100 pessoas de uma só vez. As medidas, que foram antecipadas pelo canal RTL, só serão possíveis porque o país tem uma média de 173 novos casos diários, o menor número desde outubro de 2020. A Itália, por sua vez, deve abolir seu toque de recolher no dia 21.

    Eles seguem o caminho da França, onde a partir desta quinta o uso de máscaras não é mais obrigatório em espaços abertos. O país também anunciou que abolirá o toque de recolher no domingo, dez dias antes da previsão inicial.

    Com 46% da sua população com a primeira dose e o menor número de casos desde agosto do ano passado, o país reabriu em maio seus museus, cinemas, teatros e arenas esportivas, com capacidade reduzida. Em 9 de junho, as áreas internas de cafés e restaurantes foram reabertas e as boates deverão voltar a funcionar no mês que vem.

    A Noruega deu um passo similar no seu plano de desconfinamento: a partir de domingo, seus restaurantes não serão mais obrigados a fechar meia-noite e os noruegueses poderão receber até oito pessoas em casa, o dobro do número atual. A ocupação em estádios e ginásios esportivos também será aumentada, conforme o país vê seu menor número de casos em oito meses.

    A Polônia, similarmente, permitiu no início da semana que seus eventos esportivos e culturais possam ocorrer com 50% de sua capacidade máxima, mesmo limite imposto às igrejas. Os hotéis, em paralelo, podem funcionar com 75% de sua capacidade. As pessoas já com as duas doses — 28% da população do país — não contarão para o cálculo.

    A Alemanha, por sua vez, retirou nesta sexta a França, a Grécia e partes da Espanha, além de Noruega e da Holanda, de sua lista de áreas de risco, permitindo que visitantes oriundos destas regiões não sejam obrigados a cumprir os 10 dias de quarentena obrigatória. Entre outros países agraciados estão a Dinamarca, a Bélgica e a Jordânia.

      Alguns especialistas, contudo, temem que a reabertura seja precipitada, especialmente diante da nova variante Delta, descoberta na Índia, e entre 40 e 80% mais contagiosa que a britânica Alfa, responsável pelo surto que o continente atravessou no meio do ano. Ela, por exemplo, é tida como uma das causas para o aumento dos casos em Lisboa, que será isolada nos fins de semana em uma tentativa de evitar que o surto localizado se espalhe pelo resto do território português.  


    Pesquisas indicam que as duas doses das vacinas da AstraZeneca e a Pfizer têm mais de 90% de eficácia para evitar internações. Uma dose única, contudo, evitaria o contágio em apenas 33% dos casos.

    Acelerar a segunda dose

    Diante disso, vários países buscam acelerar a aplicação da segunda injeção e impõe restrições a visitantes vindos do Reino Unido, onde a cepa causou um aumento de 120% nos casos em duas semanas. A Itália, nesta quinta, determinou que britânicos cumpram uma quarentena de cinco dias e façam testes obrigatórios ao entrarem no país, seguindo os passos de países como a Áustria, a França e a Alemanha.

    Os italianos, cujo território é um dos principais destinos turísticos do continente, no entanto, decidiram nesta sexta permitir a entrada de americanos, canadenses e japoneses já vacinados ou que tenham testado negativo para o vírus. A medida valerá a partir de domingo.


    * Com informações do jornal O Globo


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