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    China


    Após repressão, jornal pró-democracia em Hong Kong encerra atividades

    Decisão ocorre menos de uma semana após o veículo ser alvo de uma nova operação policial

     

    Última edição do impresso será publicada nesta quinta-feira (24)
    Última edição do impresso será publicada nesta quinta-feira (24) | Foto: Kin Cheung/AFP


    Um dos veículos de imprensa mais atuantes na defesa da democracia em Hong Kong – antigo território britânico devolvido à China em 1997 -, o jornal "Apple Daily” anunciou nesta quarta-feira (23) que sua última edição será publicada amanhã, quinta-feira (24), em meio à pressão do governo chinês.

    A decisão ocorre menos de uma semana após o jornal ser alvo de uma nova operação policial e ter seus bens congelados.

      Vários executivos foram presos na operação, o editor-chefe e o executivo-chefe do tabloide foram acusados formalmente de conluio com país estrangeiro.  


    Foi a segunda vez em menos de um ano que a polícia entrou na redação do "Apple Daily". Seu dono, o bilionário Jimmy Lai, foi acusado de conspiração após uma operação em agosto.

    O bilionário de 73 anos cumpre atualmente várias sentenças de prisão por participar das manifestações pró-democracia que abalaram Hong Kong em 2018.

    "O 'Apple Daily' decidiu que o jornal encerrará suas atividades a partir de meia-noite e que 24 de junho será o último dia de publicação", anunciou o periódico em seu site oficial.

    O governo chinês tentou por várias vezes calar o jornal e passou a utilizar a lei de segurança nacional para minar o trabalho do "Apple Daily". Com frequência, a imprensa estatal chinesa chama Lai de "traidor".

    O jornal nunca parou de criticar abertamente as autoridades chinesas.

    Autonomia desrespeitada

    O acordo de devolução assinado entre Reino Unido e China previa a preservação da autonomia da região, o que tem sido cada vez mais desrespeitado — sobretudo após os protestos de 2018 em Hong Kong.

    A cidade passou há três anos por uma onda de manifestações que reivindicavam mais liberdade política e menos intervenção chinesa.

      Como resposta, o governo chinês aprovou em 2020 suma lei de segurança nacional que tem sido usada para reprimir opositores ao regime comunista. Sem aval do parlamento de Hong Kong, ela foi incorporada à "Lei Fundamental" da cidade.  


    A lei, que visa reprimir o "separatismo", o "terrorismo", a "subversão" e o "conluio com forças externas e estrangeiras", criminalizou grande parte da oposição e deu às autoridades amplos poderes de investigação.

    A China afirma que a lei de segurança nacional é necessária para devolver estabilidade a Hong Kong. Críticos dizem que a repressão acabou com a promessa de que a cidade permaneceria com certas liberdades e autonomia após a sua devolução.

    * Com informações do G1


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