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    Crimeia


    Governo russo ameaça bombardear navios britânicos

    Trata-se de um alerta contra a circulação de embarcações na Península da Crimeia

     

    Embarcação britânica teria sido alvo de tiros de alerta da Marinha russa
    Embarcação britânica teria sido alvo de tiros de alerta da Marinha russa | Foto: Ben Mitchell/AP


    Na quarta-feira (23), o contratorpedeiro britânico HMS Defender navegou nas águas da Península da Crimeia por três quilômetros, em uma área incorporada pela Rússia em 2014 após um referendo com a população local não reconhecido por potências ocidentais. O governo russo disse ter feito disparos de alerta contra o navio.

      Como resultado, a Rússia convocou para uma reunião a embaixadora do Reino Unido em Moscou e alertou Londres de que, se embarcações de guerra britânicas voltarem a navegar na costa da Crimeia, no Mar Negro, em águas sobre as quais o Kremlin reivindica soberania, serão bombardeadas.  


    “Podemos apelar ao bom senso, exigir respeito ao direito internacional e, se isso não funcionar, podemos bombardear”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, a agências de notícias russas.

    O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que a anexação da Crimeia “foi ilegal” e que as águas são ucranianas, de modo que a travessia naval foi “totalmente correta”.

    “Não reconhecemos a anexação da Crimeia, foi ilegal. São águas ucranianas, e foi totalmente correto utilizá-las para ir do ponto A ao ponto B”, disse Boris, ao ser perguntado pela televisão britânica.

    Na quarta-feira, as Forças Armadas britânicas afirmaram que o navio estava "fazendo uma passagem inocente por águas territoriais ucranianas, de acordo com o direito internacional", e negaram que disparos de alerta tivessem sido feitos pela Rússia, alegando que forças russas realizavam "exercícios de tiro" na hora da travessia.

    Em Moscou, nesta quinta-feira, o governo russo convocou a embaixadora Deborah Bronnert para “protestar fortemente” contra o que considerou uma ação "perigosa" do Reino Unido no Mar Negro.

    "Mentiras descaradas"

    Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que "no caso de uma repetição de tais provocações, toda a responsabilidade por suas possíveis consequências recairá inteiramente sobre o lado britânico". A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, também acusou Londres de "mentiras descaradas".

      O Mar Negro, que Moscou considera estratégico para projetar poder no Mediterrâneo, tem sido durante séculos um ponto de conflito entre a Rússia e países rivais como Turquia, França, Reino Unido e Estados Unidos. Os países ocidentais consideram a anexação da Crimeia — primeiro militarmente e seguida por um referendo organizado pelo Kremlin — uma violação das leis internacionais. O ministro da Defesa britânico, Ben Wallace, acusou os pilotos russos de realizarem manobras inseguras de aeronaves cerca de 150m acima do navio de guerra.  


    “A Marinha Real sempre respeitará o direito e não aceitará interferências ilegais em passagens inocentes”, disse Wallace.

    De acordo com o direito internacional do mar, a passagem inocente permite que um navio passe pelas águas territoriais de outro Estado, desde que isso não afete sua segurança. O secretário de Relações Exteriores, Dominic Raab, chamou a versão russa dos eventos de "previsivelmente imprecisa".

    Tensão

    Repórteres da BBC e do Daily Mail que estavam no navio no momento do incidente descreveram uma cena tensa durante a qual a tripulação vestiu equipamentos de proteção e navios russos chegaram a uma distância entre 100 e 200 metros. Em imagens da BBC, pode-se ouvir um alerta da Guarda Costeira russa de que o navio britânico seria alvo de disparos se não mudasse de curso.

    “Se vocês não mudarem o curso, eu atiro”, disse uma voz russa com forte sotaque em inglês ao navio britânico.

      A BBC disse que tiros foram disparados e que cerca de 20 aeronaves russas estavam "zunindo" sobre o navio britânico.  


    O contratorpedeiro britânico visitou o porto ucraniano de Odessa nesta semana, onde foi assinado um acordo com o Reino Unido para ajudar a atualizar a Marinha da Ucrânia.

    Os laços entre Londres e Moscou estão congelados desde o envenenamento do ex-agente duplo Sergei Skripal em 2018 com um agente nervoso desenvolvido pela União Soviética conhecido como Novichok. Skripal traiu centenas de agentes russos para o serviço de espionagem estrangeira do Reino Unido, o MI6.

    * Com informações do jornal O Globo


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