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    São Paulo


    Soldado da PM é expulso após ser torturado por se assumir gay

    Soldado acusou oficiais do 39° Batalhão da Polícia Militar de "perseguição, tortura e homofobia". PM, supostamente agredido, contou que está com medo de ser assassinado

    PM, supostamente agredido, contou que está com medo de ser assassinado. | Foto: Reprodução

    O soldado Adriell Rodrigues Alves da Costa, de 35 anos, foi expulso da corporação da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A decisão, publicada no Diário Oficial, acontece pouco mais de seis meses após o soldado acusar os oficiais do 39° Batalhão da Polícia Militar de "perseguição, tortura e homofobia". Adriell contou a jornalistas na manhã deste domingo (15), que está com medo de ser assassinado.

    O agora ex-militar tornou-se conhecido a partir de um vídeo gravado por ele e compartilhado em uma rede social. "Se algo acontecer com a minha vida, com a minha integridade física, a responsabilidade é do comandante do batalhão, da Polícia Militar e do Estado, que nada fizeram para apurar as minhas denúncias", dizia.

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    Seis meses depois da publicação do vídeo, o comando da PM decidiu expulsá-lo por ter cometido "transgressão disciplinar de natureza grave". Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Adriell agrediu uma equipe de saúde e outros policiais durante uma avaliação clínica marcada a ele pela corporação durante apuração dos fatos.

    O ex-militar, que é formado em odontologia, ficou indignado com a decisão. "Fiquei dentro da minha casa esperando atendimento médico durante oito dias. Eu ia entrar em deserção. Me convenceram a ir dizendo que eu ia para São Paulo. Era mentira". Ele, que acabou preso por 34 dias, diz ser vítima de um crime "forjado" pelo comando.

    Adriell também alega que a corporação nunca aceitou os atestados que apresentava. "Eles me faziam trabalhar engessado e medicado, pois meus laudos não valiam". O salário dele foi suspenso em novembro de 2017. "A cúpula da instituição nomeou um sargento [para defendê-lo] que é subordinado aos tiranos que me perseguiram e torturaram".

    "A PM destruiu a minha vida. Temo pela minha integridade física. Temo que me matem para calar todo o mal que me fizeram. Eles provaram que não têm escrúpulos algum. Se alguma coisa acontecer comigo, foi o Estado de São Paulo e a Polícia Militar que fizeram mal", fala, ao complementar que está com medo.

    O caso

    Soldado há 9 anos, Adriell iniciou a carreira na polícia lotado no 24º Batalhão, em Diadema, sendo transferido depois para Mauá, cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Em 2011, teve as mãos lesionadas após um atropelamento durante o trabalho, e desde então, passou a atuar em funções administrativas na corporação.

    Em 2016, após decidir morar no litoral paulista, Adriell passou a atuar no 39º Batalhão, em São Vicente. Segundo ele, desde o início, havia sido considerado “peso morto” por ter ido para a unidade com restrições médicas, retiradas posteriormente pelo médico do 6º Comando do Policiamento do Interior, responsável por todo litoral.

    A situação física se agravou ao lado da psicológica, já que ele acusava o batalhão de persegui-lo em razão da orientação sexual. "Eu escutei de um cabo que eu tinha que 'virar homem'. Ele me disse: 'Você não é homem. Você não está agindo como um homem'. Decididamente, um inferno começou na minha vida quando vim para a Baixada [Santista]", relatou, na época.

    Ainda na ocasião da divulgação do vídeo, a Secretaria de Segurança afirmou que estava prestando todo o apoio necessário ao policial. O comunicado enviado para a imprensa afirmava que as medidas para solucionar o caso "estavam sendo tomadas" e que a Corregedoria da Polícia Militar estava acompanhando o caso.


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