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    Prevenção


    Campanha contra gravidez precoce não deixa óbvio abstinência sexual

    Slogan será ''Tudo tem seu tempo: adolescência primeiro, gravidez depois'', ministros Damares e Mandetta dizem, no entanto, que debate sobre o tema está apreciado

    A mensagem da campanha é mais sutil: "Tudo tem seu tempo: adolescência primeiro, gravidez depois". | Foto: Divulgação

    A campanha nacional de prevenção à gravidez na adolescência, lançada na segunda-feira (3), pelo governo federal, não recomenda explicitamente a abstinência sexual, método defendido pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

    A mensagem da campanha é mais sutil: "Tudo tem seu tempo: adolescência primeiro, gravidez depois". No lançamento da campanha, que também contou com a participação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, Damares defendeu retardar o começo da atividade sexual.

    ''Um ano de conversa (com o Ministério da Saúde). Isso não nasceu num insight, numa loucura de uma ministra moralista, fundamentalista. Um ano conversando, porque a gente precisava e precisa mudar os números que estão postos (de gravidez na adolescência). Nós buscamos inúmeras propostas. Nós conversamos com todo mundo: com especialistas, com pais, com adolescentes'', disse a ministra.

    E acrescentou: ''Nós conversamos e tivemos a coragem de dizer: nós vamos falar sobre retardar o início da relação sexual. Trazer todo o bojo de métodos preventivos que já existem e também o "reflita, pense duas vezes". Nos slides apresentados no lançamento da campanha, foram informados também os métodos que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece para o planejamento familiar e contra doenças sexualmente transmissívels (DSTs), como distribuição de preservativos, anticoncepcionais e dispositivo intrauterino (DIU).

    Perguntado se a campanha teria uma mensagem incentivando explicitamente a abstinência sexual na adolescência, Mandetta respondeu: ''A campanha fala por si. Acho que ela vai motivar. Quando fala "adolescência primeiro, gravidez depois", e fala das consequência, ela vai motivar uma série de debates. Um dos debates que vai ter é, sim, "eu me reservo o direito de ter atividade no momento em que achar melhor". Se você quiser entender isso como abstinência... Eu não entendo como abstinência. Eu entendo como comportamento mais responsável. Depois, acrescentou: ''Quer dizer que deveríamos então falar ao público de 11 anos, 12 anos: "olha, você vá lá, peça uma pílula anticoncepcional, coloque um DIU aos 11 anos; "olha, menino, vá lá, você já tem três filhos, faça uma vasectomia aos 13 anos, 14 anos"? Não é assim que funciona. O foco da campanha é a gravidez precoce, mas Damares chamou atenção especificamente para o sexo precoce. ''Nós estamos lançando hoje a campanha de prevenção à gravidez precoce. O que estou falando agora é de sexo precoce. Nós vamos continuar conversando com o Brasil sobre prevenção ao sexo precoce. Isso não se encerra numa campanha, não se encerra num dia, não se encerra no material publicitário. Isso é uma campanha por muito e muito tempo e, digo, por gerações'', afirmou a ministra.

    No mês passado, uma nota técnica do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), produzida para orientar a campanha de prevenção da gravidez na adolescência, afirmava que o início precoce da vida sexual leva a “comportamentos antissociais ou delinquentes” e “afastamento dos pais, escola e fé”, entre outras consequências. O ministério sustentou ainda que ensinar métodos contraceptivos para essa população “normaliza o sexo adolescente”, tendo em vista que nem todos iniciaram a vida sexual.

    Números do Ministério da Saúde mostram uma queda no número de gestações entre os 15 e 19 anos. Em 2000, foram 721.564. Em 2018, último ano da série informada, foram 434.573. Para o Ministério da Saúde, a diminuição é pequena e os números ainda são altos. No mundo, a taxa é de 46 nascimentos para cada mil adolescentes e jovens mulheres. Na América Latina, é de 65,5, e no Brasil chega a 68,4.</p><p>Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, órgão das Nações Unidas (Unicef), citados no lançamento da campanha, mostram que 75% das mães adolescentes abandonam a escola. Em 2016, segundo o projeto "Nascer no Brasil", coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 66% das gestações em adolescentes não eram intencionais.