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    Denúncia


    Jornalista é demitida após denunciar assédio sexual de ex-chefe

    Ela acredita estar sendo vítima de perseguição e afirmou ter provas do ocorrido em suas redes sociais

    Depois de praticamente 20 dias de licença, Ellen voltou para a emissora e descobriu que havia sido demitida | Foto: Reprodução/Internet

    Manaus – A jornalista Ellen Ferreira foi demitida da Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, no dia 23 de julho, sob a justificativa de reestruturações na empresa. Contudo, antes de seu desligamento, ela esteve afastada por cerca de 20 dias por estar com Covid-19, além de ter denunciado seu ex-chefe por assédio moral e sexual. Ellen voltou as redes sociais neste fim de semana para afirmar que está sendo vítima de uma perseguição.

    Depois de praticamente 20 dias de licença, Ellen voltou para a emissora e descobriu que havia sido demitida. A jornalista, que já chegou a apresentar o Jornal Nacional em outubro do ano passado – durante um rodízio de jornalistas do país todo – não se convenceu com a justificativa de reformulação de equipe dada pela empresa.

    Ela acredita estar sendo vítima de perseguição por ter denunciado seu ex-chefe, Edison Castro, por assédio moral e sexual. Em publicação por meio das redes sociais, Ellen afirma ter provas do ocorrido e avisa que está reunindo outras supostas vítimas de Edison. “Tudo isso o Sindicato dos Jornalistas e o Ministério Público do Trabalho já têm ciência, há provas e testemunhas”, disse.

    Ellen chegou a apresentar o Jornal Nacional em outubro do ano passado
    Ellen chegou a apresentar o Jornal Nacional em outubro do ano passado | Foto: Reprodução/Internet

    A jornalista continua ao explicar que, além do assédio, outras situações também são vivenciadas dentro da emissora por parte do ex-chefe. “Óbvio que o que aconteceu foi uma perseguição. Eu estava havia uns três meses, junto com outros funcionários, levando para o Sindicato dos Jornalistas do estado e para o Ministério Público do Trabalho situações graves de assédio sexual e moral que enfrentamos lá dentro. Situações vexatórias, de racismo, homofobia, gordofobia. Ele é um psicopata”, relata.

    Ela conta que o comportamento de Edison não é novidade para quem já trabalhou com ele e afirma ter conversado com funcionários de afiliadas da Globo em Goiás, Tocantins e Maranhão - por onde ele também já passou – e diz ter ouvido relatos semelhantes. “Teve uma apresentadora em Tocantins que tentou se matar pelo assédio que sofreu. Ele obrigava uma outra funcionária a tomar remédios tarja preta, porque ela era gorda. Ele não era profissional. Tinha gente que queria bater nele na rua! Resolvemos ir atrás dos nossos direitos”, descreve.

    A jornalista revelou ainda que se sentiu oprimida e humilhada por Edison diversas vezes e que precisou buscar tratamentos contra ansiedade e depressão pela convivência com o mesmo. Ela afirma que chegou a procurar o próprio Ali Kamel, diretor geral de jornalismo da TV Globo, para denunciar o caso, segundo ela, nem assim conseguiu uma resolução.

    Em nota, a TV Globo se manifestou e repudiou o caso: "As afiliadas da Globo comungam dos mesmos princípios editoriais, mas são empresas independentes. O diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, ao receber e-mail da jornalista Ellen Ferreira, entrou imediatamente em contato com o setor de afiliadas para que a queixa fosse transmitida à Rede Amazônica. A Globo reitera que o respeito é um valor fundamental e que a empresa repudia qualquer tipo de assédio ou preconceito", asseguram.

    Edison Castro, ex-chefe de Ellen
    Edison Castro, ex-chefe de Ellen | Foto: Reprodução/Internet

    Neste domingo (26), para a UOL, Edison Castro negou que tenha assediado a jornalista. "Eu tenho 30 anos de profissão, sempre pautados por muita retidão, por muita ética. Então, para mim, está sendo muito complicado ter que vivenciar esse linchamento público", afirmou Castro. Já a Rede Amazônica, procurada desde ontem à noite por diversos veículos de comunicação, prometeu enviar uma nota oficial se posicionando sobre o caso, mas ainda não atendeu aos pedidos.

    Assédio

    O assédio envolve uma série de condutas ofensivas à dignidade sexual que desrespeitam sua liberdade e integridade física, moral ou psicológica. Tecnicamente, de acordo com o Código Penal, assédio sexual é aquele que ocorre onde há relações hierárquicas entre a vítima e o assediador. Em regra, é aquele que ocorre em relações de trabalho, ou seja, o assediador é o empregador ou chefe e o funcionário é o assediado.

    Os atos invasivos que ocorrem na rua e em outros espaços públicos, geralmente entre desconhecidos, e que popularmente chamamos de “assédio sexual”, configuram, em geral, o recém-criado crime de importunação sexual. 

    *Com informações da UOL

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