Apagão no Amapá


Amapá vive dias de caos com apagão de energia

Nas redes sociais, a população faz queixas generalizadas sobre as dificuldades que estão enfentando e pedem ajuda da mídia para solução dos problemas.

A capital Macapá é que vive a pior situação. Só há energia para serviços essenciais, como hospitais
A capital Macapá é que vive a pior situação. Só há energia para serviços essenciais, como hospitais | Foto: Divulgação

Macapá - O Amapá entra nesta sexta-feira (6) no 4º dia de apagão em 13 dos 16 municípios do estado. Quase 90% da população está há 60 horas sem energia elétrica. O gabinete de crise do governo federal lançou três planos para a recuperar o fornecimento de energia ainda na quinta-feira (5), o que não ocorreu. 

O MME (Ministério de Minas e Energia) afirmou ontem, quinta-feira (5) que a retomada completa do fornecimento de energia elétrica no Amapá deve demorar ao menos 15 dias. A capital e outras 13 cidades do estado estão sem energia desde a noite de terça (3), após incêndio na subestação responsável por receber eletricidade de outras regiões do país.

A repercussão nas redes sociais mostra as dificuldades que os moradores vêm enfrentando. Sem luz, o fornecimento de água também foi prejudicado e muitos precisaram correr aos mercados em busca de água mineral.  A população faz queixas generalizadas sobre as dificuldades  e pedem ajuda da mídia para solução dos problemas. 

 Em Macapá, só há energia em serviços essenciais, como hospitais. Falta água encanada, água mineral e gelo. Internet e serviços de telefonia quase não funcionam. A maioria dos postos de gasolina não contam com gerador e, por isso, consegue operar. Caixas eletrônicos e máquinas de cartão não funcionam, então as pessoas não podem fazer compras

Postos de combustíveis que usam geradores para obter energia estão com filas enormes desde as primeiras horas da manhã. Na quinta-feira (5), eles foram autorizados a ficarem abertos por 24 horas. Até o momento, não há informações sobre desabastecimento do produto.

As filas também são registradas em supermercados e locais de revenda de água, principalmente na capital Macapá, que concentra 60% da população do estado.

Donos de padarias e supermercados já preveem o prejuízo com alimentos estragados devido à falta de refrigeração. Além disso, macapaenses vêm ocupando shoppings e aeroporto em busca de energia.

Apagão

O apagão atinge 14 das 16 cidades do estado. Apenas Oiapoque, no extremo norte, e Laranjal do Jari, no extremo sul, têm eletricidade.O governo espera restabelecer entre 60% e 70% do abastecimento nesta quinta, com a retomada de um dos transformadores danificados pelo incêndio. O governo do estado definirá as prioridades no fornecimento de eletricidade caso a estratégia seja bem sucedida.

A solução definitiva para o problema, porém, depende da chegada de transformadores que estão hoje em outros lugares. Um deles será transportado de Laranjal, no extremo sul do estado, e deve estar pronto para operar em 15 dias. O outro será levado de Boa Vista (RR) e só chegará no fim do mês.

O secretário de energia do MME, Rodrigo Limp, disse que a chegada do primeiro transformador já permite o restabelecimento completo, mas em situação precária, já que o sistema precisa de um equipamento sobressalente para evitar cortes no fornecimento em caso de problemas nos outros dois transformadores.

Enquanto mobiliza a transferência dos equipamentos – que pesam cerca de 100 toneladas e precisam ser desmontados para o transporte – o governo está buscando geradores de energia para operar de forma emergencial, garantindo ao menos o suprimento de instalações prioritárias.

Causas do incêndio

As causas do incêndio estão sendo investigadas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). A subestação é parte do sistema de transmissão que conectou o Amapá ao resto do país em 2015. É operada pela LMTE (Linha de Macapá Transmissão de Energia).

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