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    Amazônia


    Acre contava com estradas entre aldeias antes da vinda de europeus

    Pesquisa realizada por cientistas do Brasil, Reino Unido e Finlândia aponta que a Amazônia antes da descoberta de Pedro Álvares Cabral já contava com uma sociedade que causava alterações na floresta

     

    Geoglifos em cidade no interior do Acre
    Geoglifos em cidade no interior do Acre | Foto: Diego Gurgel/Divulgação/Setul

    RIO BRANCO (AC) - Pesquisa realizada por cientistas do Brasil, Reino Unido e Finlândia aponta que a Amazônia antes da descoberta de Pedro Álvares Cabral já contava com uma sociedade que causava alterações na floresta e mais: pouco antes da chegada dos europeus à América do Sul, as florestas do Acre eram cortadas por uma rede  de estradas, que podiam alcançar alguns quilômetros de extensão. Essas estradas conectavam aldeias construídas em cima de pequenos morros artificiais.

    Os geoglifos

    No caso acreano, os achados parecem estar ligados a outro mistério arqueológico da região, os célebres geoglifos —grandes desenhos geométricos no solo que vêm sendo identificados por observações aéreas nas últimas décadas.

    “Em alguns casos, as aldeias e estradas estão localizadas literalmente ao lado dos geoglifos. Existe alguma interpolação entre as duas coisas”, conta Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.

    Vale ressaltar porém que, enquanto a rede de estradas e aldeias tem idades que ficam entre 700 anos e 400 anos, os geoglifos são mais antigos, tendo sido traçados entre 3 mil anos e mil anos atrás.

    Perigo de destruição

    Há certa urgência em documentar essas áreas porque os donos das terras, por acharem que elas serão totalmente embargadas após as descobertas, preferem destruir os sítios arqueológicos.

    Além disso, embora vastas regiões do Acre já tenham sido desmatadas, ainda é difícil saber se estruturas ainda mais amplas não estariam ocultas debaixo das áreas que ainda têm mata densa.

    Parceria para a pesquisa

    Para intensificar a coleta de dados, os pesquisadores pretendem trabalhar em parceria com o projeto Earth Archive , liderado pelo arqueólogo Chris Fisher, da Universidade do Estado do Colorado (EUA).

    O Earth Archive pretende mapear áreas como a Amazônia com a ajuda da tecnologia do “Lidar”, que usa pulsos de laser, disparados de aviões, para captar detalhes do relevo que normalmente são difíceis de enxergar.

     

    | Foto:

    * Com informações da Folha de São Paulo

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