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    Aglomeração


    DF: empresários repetem erro de Manaus e vão às ruas contra isolamento

    Empresários do Distrito Federal fizeram protesto este domingo. Cena é a mesma vista em Manaus, em 26 de dezembro de 2020. Dias depois, a capital viu sua rede de saúde colapsar pela segunda vez

     

    O protesto em frente à residência do governador durou quase uma hora
    O protesto em frente à residência do governador durou quase uma hora | Foto: Reprodução Internet

    Brasília – Manifestantes saíram às ruas para protestar contra as medidas restritivas adotadas pelo governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha, neste domingo (28).  As atividades comerciais, escolas, bares e restaurantes estão suspensos a partir deste domingo até o dia 15 de março com o intuito de conter os casos do novo coronavírus.

    Inconformados com as medidas, os protestantes seguiram a pé do Lado Sul até a residência do governador. Com faixas e cartazes pedindo a reabertura do comércio, o reclamo durou quase uma hora em frente à casa do político. O grupo seguiu com o manifesto pelas ruas principais de Brasília numa carreata.

    Comandado por empresários dos setores de serviços não-essenciais, o ato de protesto foi acompanhado pela Polícia Militar do Distrito Federal, que detectou aglomeração, apesar de a maioria estar usando máscara.

    Até a última sexta-feira (26), apenas um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital público estava disponível no Distrito Federal para atender um adulto. Segundo o boletim médico da Secretaria de Saúde da cidade, divulgado neste sábado (27), 12 pessoas morreram e 704 pessoas foram infectadas nas últimas 24 horas. No DF, o número de infectados ultrapassava os 295 mil casos, com 4.831 mortes.

    Protestos antecederam crise de oxigênio em Manaus

    Diante do protesto no DF, vale lembrar a manifestação de empresários e populares em Manaus no dia 26 de dezembro de 2020. Na ocasião, os manifestantes atearam fogo na porta de um veículo de comunicação onde o governador do Amazonas, Wilson Lima, atuava como apresentador. Houve também protestos no Centro da capital. Eles reivindicavam a reabertura dos serviços não-essenciais, após o governo decretar o fechamento do comércio por 15 dias. Com a pressão, a restrição foi flexibilizada.

    Dias depois, em 14 de janeiro, Manaus enfrentou seu pior momento da pandemia, com a falta de oxigênio na rede pública e privada. Pessoas morreram sem conseguir respirar dentro e fora das unidades de saúde. O cenário aterrorizante parece não ter impedido manifestantes do Distrito Federal de repetir a história.

     

    Protesto ocorreu em Manaus, em 26 de dezembro
    Protesto ocorreu em Manaus, em 26 de dezembro | Foto: EDMAR BARROS/FUTURA PRESS

    “Caso pudéssemos pegar um megafone, gritar, falar e mostrar que não há outra maneira de controlar a disseminação da doença, a não ser a restrição da circulação, deveríamos fazer. O Amazonas cometeu um erro muito grande na última semana de dezembro em recuar com o decreto. A decisão custou muitas vidas, só quem perdeu algum parente sabe como é doloroso”, afirma Ana.

    De acordo com a infectologista, o estado amazonense serve como vitrine para outras federações, como exemplo das tomadas de decisões erradas e corretas nesse momento delicado. Mesmo sabendo das perdas econômicas, Ana avalia ser necessário passar pela crise financeira para poupar vidas.  

    “Todos viram o que aconteceu. Eu espero que os gestores de outros estados encarem e olhem o que aconteceu aqui. Não é um discurso político, e sim real. Circular livremente nesse momento mata, inclusive os entes queridos. Precisamos falar de uma forma clara para que os populares entendam essa mensagem”, finaliza.

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