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    Tragédia em creche


    Professora tentou proteger crianças e colegas antes de morrer

    Após gritar que se protegessem, após ser atacada em creche, não houve tempo sequer para a professora receber socorro médico: professora Keli foi a primeira a ter morte confirmada.

     

    Keli Adriane Aniecevski acordou na manhã desta terça-feira (4) e foi para o trabalho como sempre fazia na cidade de Saudades, em Santa Catarina, sem imaginar que seria pela última vez. Local pacato, de uma calma comum, como nas pequenas cidades do interior do Brasil, Saudades nunca enfrentou crimes violentos, como o que será relatado nesta matéria, da qual Keli foi vítima.
    Keli Adriane Aniecevski acordou na manhã desta terça-feira (4) e foi para o trabalho como sempre fazia na cidade de Saudades, em Santa Catarina, sem imaginar que seria pela última vez. Local pacato, de uma calma comum, como nas pequenas cidades do interior do Brasil, Saudades nunca enfrentou crimes violentos, como o que será relatado nesta matéria, da qual Keli foi vítima. | Foto: Reprodução

    Saudades (SC) - Keli Adriane Aniecevski acordou na manhã desta terça-feira (4) e foi para o trabalho como sempre fazia na cidade de Saudades, em Santa Catarina, sem imaginar que seria pela última vez. Local pacato, de uma calma comum, como nas pequenas cidades do interior do Brasil, Saudades nunca enfrentou crimes violentos, como o que será relatado nesta matéria, da qual Keli foi vítima.

    Depois de chegar à creche onde trabalha, se prontificou a atender um rapaz estranho que apareceu no local. Com população estimada de 9,8 mil habitantes, é comum que as pessoas sejam próximas em Saudades, então não havia muito para se preocupar.

     Pega desprevenida, acabou atacada a golpes de facão pelo "rapaz estranho" mesmo com ferimentos graves, correu para alertar os demais que havia um agressor no prédio da escola. Queria proteger os meninos e meninas, todos de seis meses a dois anos. 

    Após gritar que se protegessem, não houve tempo sequer para receber socorro médico: a professora Keli foi a primeira a ter morte confirmada.

    O massacre na Creche Aquarela  ja conta com cinco vítimas até o momento. Além de Keli, outra professora também morreu atacada pela fúria do adolescente em busca de vítimas que amenizasse sua raiva. Não se sabe ainda de quê ou qual transtorno estaria sofrendo.

    Neta mais velha, a professora era solteira, tinha um irmão e ainda morava com os pais.  Formada em Sistemas de Informação, deixou a profissão para cuidar de crianças. Era a profissão que a fazia feliz e então foi ser professora. Podia passar horas brincando ou cuidando delas, segundo a família. 

    Silvana conta que acordou animada na manhã da tragédia. Pôs uma música e começou a tirar as roupas da máquina de lavar, quando o telefone tocou, quando sua mãe ligou e disse: “Filha, está sentada? É melhor sentar. Levei um susto. A notícia chegou como uma bomba. Keli era uma pessoa tão boa que ninguém está acreditando ainda. Não há muito o que dizer. Já tentei deitar, puxar os olhos, dizer que é mentira. Queria muito que fosse mentira.”

    Como ocorreu a tragédia

    O jovem de 18 anos invadiu a escola e atacou a funcionária e as crianças com um facão. De acordo com a Polícia Civil, o jovem usou um facão para atacar a professora e as crianças dentro da creche.

    Em entrevista aos jornalistas no local do crime, o delegado Jerônimo Marçal, responsável pelo caso, relatou que o suspeito atacou primeiro a professora. Ferida, a Keli correu para a sala onde estavam as quatro crianças, todas menores de 2 anos. A professora e três crianças morreram no local.

    Uma outra funcionária da escola foi socorrida em estado grave, mas depois teve morte decretada. Uma quarta criança teve ferimentos leves. 

    Em comunicado, a Polícia Militar disse que após o crime, o jovem teria ferido o próprio pescoço com o facão. Ele foi socorrido e levado ao hospital de Pinhalzinho, cidade vizinha.O jovem não tinha histórico policial.

    Segundo a polícia, populares disseram que ele sofria bullying, mas nunca tinha estudado na creche. A PM também ressalta que as informações ainda estão sendo apuradas.

    A governadora do estado em exercício, Daniela Reinehr, decretou luto oficial de três dias. "Manifesto profunda tristeza e presto minha solidariedade. Determinei que o Governo dê todo o amparo necessário às famílias", escreveu no Twitter.