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    Decisão


    Juiz veta peça com transexual em papel de Jesus na Bahia

    A decisão considerou a apresentação de 'mau gosto' e considerou que figuras religiosas não podem ser 'expostas ao rídiculo'

    A apresentação da peça "O Evangelho Segundo Jesus, rainha do Céu", que aconteceria nesta sexta-feira (27) em Salvador, foi cancelada após determinação judicial.O cancelamento foi determinado por liminar concedida pelo juiz Paulo Albiani Alves, da 12º Vara Cível de Salvador, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão.

    A peça recria a história de Jesus como uma transexual. Autora do monólogo, a transexual inglesa Jo Clifford escreveu a peça como forma de lidar com sua religião quando decidiu mudar de sexo em 2006, aos 56 anos. A apresentação seria encenada no Espaço Cultural da Barroquinha dentro da programação do Fiac (Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia).

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    A atriz e travesti Renata Carvalho interpreta Jesus Cristo na peça que recria a história do símbolo religioso como uma transexual.
    A atriz e travesti Renata Carvalho interpreta Jesus Cristo na peça que recria a história do símbolo religioso como uma transexual. | Foto: Divulgação

    No seu despacho, o juiz Paulo Albiani Alves afirmou que a apresentação desrespeita o princípio constitucional de que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religioso se garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias".

    "Compreendo que não se pode tentar, assim, eliminar os símbolos/crenças religiosos mais tradicionais do povo, com narrativas debochadas e fantasiosas, como que lhe arrancando as raízes", disse o magistrado.

    A ação foi movida pelo advogado Alexandre Santa Rosa de Oliveira. Outra ação de teor semelhante havia sido movida pelo deputado estadual Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), que tramitou na 11º Vara Cível, mas não chegou a ser julgada.

    'EM CIMA DA HORA'

    Acionada pela Justiça, a Fundação Gregório de Mattos, órgão da prefeitura de Salvador responsável pelo teatro, informou que o mandado com a decisão do juiz foi apresentado minutos antes do início da peça.

    "O mandado foi entregue em cima da hora, no fim da tarde. Não tivemos como recorrer", disse à reportagem Fernando Guerreiro, diretor da Fundação Gregório de Mattos.

    Guerreiro, que também é diretor teatral, lamentou a decisão da Justiça e afirmou que esta "abre um precedente gravíssimo".

    "Estamos vivendo a volta da censura de uma forma completamente arbitrária, orquestrada. Estamos abrindo um precedente gravíssimo", disse.

    A organização da peça publicou uma nota numa rede social online informando sobre a decisão judicial.

    "Fomos censuradas novamente. Desta vez na Bahia. Tristes tempos de intolerância e ignorância. Censura não. Resistiremos e Lutaremos. Juntas somos mais fortes".

    A apresentação da peça já havia sido cancelada em setembro, quando seria encenada em Jundiaí (SP).

    Espetáculos Polêmicos

    A peça teatral em que nove artistas nus tocavam mutuamente seus ânus em cena, causou polêmica durante a passagem pela 17ª Mostra Sesc Cariri de Culturas, em Juzaeiro do Norte (CE) em 2015. A parte conservadora da sociedade  não aceitou a obra, que gerou polêmica também nas redes sociais. Os artistas defendem que a liberdade de expressão é um direito de todos, previsto na Constituição Federal. 

    A peça mostrava um grupo de homens e mulheres, completamente nus, em círculo, explorando o ânus dos companheiros que estavam a frente, com as mãos.
    A peça mostrava um grupo de homens e mulheres, completamente nus, em círculo, explorando o ânus dos companheiros que estavam a frente, com as mãos. | Foto: Divulgação


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