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    Cotidiano


    Ao som de música brasileira, carnaval português satiriza a política

    Exemplo de 'carro alegórico' no Carnaval português - foto: reprodução/Agência Brasil
     
    Os portugueses estão aproveitando o carnaval para criticar o governo e a condução da política econômica do país.
    Em Torres Vedras – cidade que tem o principal carnaval lusitano, distante cerca de 50 quilômetros de Lisboa - pessoas fantasiadas, carros alegóricos e esculturas expressavam mensagens contra os principais dirigentes e a recessão que atinge Portugal (hoje com mais de 16% de taxa de desemprego).
    A música brasileira (samba, axé e até sertanejo) era hegemônica nos alto-falantes do centro da cidade e nas bandas dos corsos que desfilavam, algumas até com gaita de fole.
    Entre as mais tocadas, estão sucessos brasileiros antigos e novos, como Mamãe Eu Quero, Ilariê e Ai Se Eu Te Pego, além de músicas baianas cantadas por Daniela Mercury, Margareth Menezes e Ivete Sangalo.
    "A lógica é tocar qualquer música desde que seja quente, dançável e latina. Dentre as músicas com essas características, a que aparece mais é a brasileira", disse António Esteveira, administrador da Promotores, a empresa municipal responsável pela organização do carnaval.
    Segundo ele, o carnaval da cidade nasceu com o objetivo de fazer sátira política. "O carnaval se implanta no início da República [1910] por causa de uma elite torrense que tinha gosto em ridicularizar a Casa Real", salienta Esteveira.
    São esperadas 350 mil pessoas no carnaval de Torres Vedras até terça-feira (12). Por causa da crise, a cidade faz o carnaval com o orçamento mais baixo nos últimos quatro anos (cerca de R$ 950 mil).
    De acordo com o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, o carnaval do Brasil tem entre as suas principais origens o entrudo português, brincado na Ilha da Madeira, que precedia a Quaresma.