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    Uso de máscara


    A linguagem dos olhos com o uso de máscaras na pandemia

    Adaptação ao uso de máscaras foi gradual durante a pandemia de Coronavírus e os olhos 'falam' nessa transformação de hábitos

    Os olhos "falam" nesse novo momento de adaptação
    Os olhos "falam" nesse novo momento de adaptação | Foto: Reprodução

    Manaus - O objeto que antes parecia ser um exagero, agora é item essencial para transitar na rua por conta da pandemia. A máscara cobre nariz e boca, órgãos que fazem parte da comunicação entre pessoas. Neste novo momento de uso de máscaras, pessoas de diferentes idades e profissões têm se adaptado com a linguagem dos olhos. 

    A enfermeira das secretarias municipal e estadual de Saúde, Janaína Sá - de 42 anos - atua nas unidades em Manaus no atendimento de pacientes. Ela afirma que a nova adaptação com a linguagem dos olhos é apenas uma das diversas diferenças que a pandemia trouxe. 

    Janaína Sá é enfermeira
    Janaína Sá é enfermeira | Foto: Reprodução

    “É linguagem de certo modo ‘nova’ que tivemos que nos adequar nessa época de pandemia, onde o uso de máscaras é indispensável em qualquer ambiente dos estabelecimentos de saúde. Na realidade, a linguagem verbal é só uma pequena parte da comunicação. Os olhos revelam muito mais do que imaginamos ou muitas vezes percebemos, chegando até a ter reações quase que involuntárias. E por essas reações dos olhos, abertura e fechamento, reação das pupilas, a gente pode compreender muito do que o usuário está sentindo. Se está confortável, com medo e com dúvidas. Eu entendo que a linguagem do olhar nos diz tanto quanto a linguagem verbal”, ressaltou a enfermeira. 

    No comércio, a interação do cliente com o vendedor também mudou com as novas regras de distanciamento e uso obrigatório de máscaras. Mesaquy Alves é gerente de loja de venda de móveis. Ele também relata sobre a mudança após a reabertura das lojas na cidade. 

    Mesaquy Alves é gerente de uma loja de venda de móveis
    Mesaquy Alves é gerente de uma loja de venda de móveis | Foto: Reprodução

    “Tem sido desafiador e ninguém estava acostumado com isso, tanto que o cliente se sente, às vezes, desconfortável em usar a máscara. Nós temos as equipes de recepção de clientes e vendas que dão suporte neste momento. Quando vamos atender, temos um contato direto, olhamos para a face da pessoa e vemos as expressões e conseguimos, com treinamentos, esse contato com o cliente e a percepção do que o agrada ou não, seja num plano para a compra ou desconto. Com essa nova fase estamos nos adaptando a essa nova linguagem dos olhos. A gente fica mais sensível ao cliente”, explicou o gerente. 

    Mesaquy afirma também que o lado do cliente deve ser observado. Segundo ele, ninguém estava preparado e o vendedor precisa passar o máximo de segurança com os olhos e a voz no momento de apresentar o produto. 

    “Ao mesmo tempo, tem a dificuldade do cliente em ver nas suas expressões, a segurança na hora da compra. Tentamos passar a garantia da venda, os benefícios e proteção do produto. Precisamos passar tudo isso com os olhos e voz. Mudou muito, foi difícil no começo, mas estamos nos adaptando. Espero que volte ao normal e acreditamos que fique mais fácil a percepção e desejo do cliente”, reafirmou. 

    "Falar" com os olhos

    A chamada “linguagem não verbal” pode ter diversos significados em diversas culturas e setores mundiais. Na religião islâmica, mostrar apenas os olhos é sinal de pureza e tradição entre as mulheres. 

    O Niqab - equivalente árabe da “burca” - é um grande véu o qual só deixa os olhos expostos. Porém, caso queiram, algumas mulheres usam o traje com luvas e óculos. Neste caso é tradição, mas o uso de máscaras, cobrindo 50% do rosto, é recomendação de saúde nesse período de pandemia. 

    Na polícia, em operações de resgate em sequestros, a linguagem dos olhos diz muito no momento da negociação. Os manuais recomendam que o negociador deve permanecer com os olhos fixos no perpetrador (agressor) e sempre manter esse tipo de contato. Se houver mais de um, com cada sequestrador por vez.

    Em ações policiais, a análise do olhar também é importante
    Em ações policiais, a análise do olhar também é importante | Foto: Marcelo Cadilhe

    Na língua de sinais há o termo “ouvir com os olhos e falar com as mãos”, usado para a comunicação de surdos. A segunda língua oficial brasileira une a linguagem das mãos e olhos para que haja a interação, mas o uso de máscaras tem dificultado a leitura labial. As expressões faciais atuam em conjunto para o entendimento do emissor e receptor da mensagem. 

    Ao todo, 5% da população brasileira possui deficiência auditiva, que sofre com tais mudanças, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O dado corresponde a 10 milhões de brasileiros surdo. 

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