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    Giros, areia e sorte: saiba como celular sobreviveu a queda de avião

    Aparelho caiu de uma altura de 300 metros e foi encontrado intacto pelo dono no dia seguinte. Caso aconteceu em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro

    Para especialistas, uma junção de fatores, como atrito com o ar, giros e areia, pode explicar como e porquê o celular resistiu
    Para especialistas, uma junção de fatores, como atrito com o ar, giros e areia, pode explicar como e porquê o celular resistiu | Foto: Divulgação

    Durante um sobrevoo na Praia do Peró, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (11), um celular continuou filmando a trajetória até o chão. O mais surpreendente: o aparelho foi localizado intacto, em uma área de restinga das Dunas do Peró, por uma função de rastreamento por GPS.

    Mas como isso aconteceu?

    Para especialistas, uma junção de fatores, como atrito com o ar, giros e areia, pode explicar como e porquê o celular resistiu.

    De acordo com o engenheiro mecânico Damiano Militão, o formato do celular contribuiu para que o aparelho resistisse.

    "Como o celular é bem plano e tem grande área de contato com o ar, a velocidade atingida não chega ser assim tão gigante e não aumenta infinitamente. Aí, dependendo da rigidez do local onde ele bate, pode resistir sim. Talvez, caindo de um lugar mais baixo, mas batendo numa superfície mais rígida, poderia danificar mais", explica o engenheiro.

    Areia

    O celular do ambientalista e documentarista Ernesto Galiotto caiu em uma área de restinga das Dunas do Peró. Para o físico, engenheiro e também professor da Uerj, Leandro Ratamero, a natureza pode ter ajudado nesse final feliz tecnológico.

    "A questão da areia pode ser um tanto controversa. Se você coloca o pé em cima da areia e arrasta para frente você sente que a areia não oferece resistência ao escorregamento. Agora, se você bater o pé na areia, você vai sentir que é ela é muito rígida. Se o celular caiu na horizontal ele deslizou na areia. Mas ali também tem outro fator, que é a vegetação. De repente, antes de atingir a areia, o celular atingiu alguma vegetação. Se ele atingiu alguma vegetação, ele pode ter tido um amortecimento na queda antes de atingir a própria areia", acredita Ratamero.

    Ar

    Uma câmera da cabine do avião monomotor registrou o momento em que Ernesto pega o celular para filmar o local. Enquanto gravava, ele segura o celular apenas com uma mão.

    O trajeto da queda livre, que durou cerca de 15 segundos, também foi registrado em vídeo pelo próprio celular, um iPhone modelo 6S, que tocou o solo gravando toda ação.

    Nas imagens que mostram o trajeto do celular até o chão, é possível perceber que ele gira no ar. Para o professor, isso também pode ter contribuído para que o aparelho chagasse quase intacto.

    "O celular, por ser plano e por estar girando, como vimos na imagem, cria uma resistência aerodinâmica que faz diminuir ainda mais a velocidade de queda, mesmo sendo lançado de grandes alturas", explica Ratamero.

    Sorte

    O celular de Ernesto foi encontrado por uma função de rastreamento por GPS. Para o técnico em celulares especializado em iPhones, Marcio Lima, o desfecho positivo é uma combinação entre física e tecnologia. De acordo com o técnico, no entanto, a resistência não é uma exclusividade da marca.

    "Existem outros celulares que poderiam ter resistido à queda, visto que hoje existem celulares com capacidade de suportar grandes impactos. São vendidos justamente com este apelo de serem super resistentes, mas são poucos. Realmente o diferencial pode ter sido a areia juntamente com a carcaça feita em uma peça única", afirma Marcio.

    Apesar da ciência e da tecnologia conseguirem traçar hipóteses pelas quais o celular de Ernesto resistiu após uma queda impressionante, o professor de física Julio Cesar confessa que existe uma boa dose de sorte nesse cálculo.

    Veja o vídeo da queda:

    Capa do Vídeo
    Veja o vídeo | Autor: Reprodução
     

    *Com informações do G1/RJ

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