Música


O legado da ópera para além dos palcos do Teatro Amazonas

Em conversa com o EM TEMPO, os maestros Marcelo de Jesus e Luiz Fernando Malheiro falam sobre o legado imaterial que o maior festival de ópera do Brasil possui

Maestro Luiz Fernando Malheiros | Foto: Marcio Melo

Manaus — Quem vê o Festival Amazonas de Ópera chegando à sua 21ª edição, não imagina a proporção que o evento atingiu além do palco e das coxias do Teatro Amazonas. O evento é considerado um marco no cenário cultural do estado, fazendo parte do circuito nacional e internacional da ópera — mas o legado que o festival tem construído vai muito além de ingressos e uma programação anual.

Além de ter sido o ventre que gerou a Orquestra Filarmônica do Amazonas, o festival também passou a concentrar as produções na capital amazonense e também profissionalizar diversos artistas da terra. Em conversa com o EM TEMPO, os maestros Marcelo de Jesus e Luiz Fernando Malheiro falam sobre o legado imaterial que o maior festival de ópera do Brasil possui.

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Os maestros paulistanos Luiz Fernando Malheiro e Marcelo de Jesus, hoje em dia, são minoria no espetáculo, que hoje é majoritariamente formado por amazonenses. Chega a ser difícil imaginar que, na primeira edição do festival, apenas um solista era da terra. "E essa mudança não ocorreu só na parte artística, na parte técnica isso é ainda mais visível", comenta Marcelo. "Nos primeiros anos do festival, as produções vinham de fora do Brasil todas prontas".

Com cada edição, o festival foi ganhando força e corpo. Um marco para a história desses 21 anos de Festival Amazonas de Ópera foi a criação da Central Técnica de Produção, em 2004. "Nós começamos a ter técnicos e artistas locais na confecção de figurinos e na construção de cenários, a ponto de assinarem as produções de grandes óperas no teatro", comenta Marcelo. Nesta edição, são 578 profissionais que participam na realização do evento, entre artistas e técnicos.

Para Malheiro, que trabalha no festival desde 1999, a mudança é nítida. "Na época, pouca gente daqui tinha contato com a ópera, então a preocupação do festival e seus organizadores foi fundamental", lembra o maestro. "Conseguimos criar uma nova geração de artistas em todas as áreas, tocando, dançando, compondo — e a ópera agrega todas elas". Criado em 1997, o Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro foi responsável por desenvolver e aperfeiçoar o talento de crianças e adolescentes amazonenses com gosto pela arte.

O maestro Marcelo de Jesus observa que jovens que iniciaram a vida artística no liceu, hoje fazem parte do corpo técnico do Festival Amazonas de Ópera. "Isso não é do dia para noite, são 20 anos de trabalho, todos os anos, grão por grão", afirma. "Somente um projeto com essa longevidade pode gerar resultados concretos. O legado do festival é um legado impossível de quebrar por que ele tem vida própria, está nas outras pessoas e se tornou uma das maiores expressões culturais do estado e do Brasil".

Acis and Galatea

"Acis and Galatea" é uma ópera barroca escrita pelo alemão Georg Friedrich Händel e inspirada em um mito grego, no qual uma ninfa e um pastor se apaixonam. O amor trágico dos dois sofre devido ao ciúme do ciclope Polyphemusque. A obra está sob regência de Marcelo de Jesus e estreia neste domingo (13), às 19h, com apresentações também nos dias 17 e 19 deste mês, às 20h.

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