Fonte: OpenWeather

    Cultura


    Em visita a Manaus Zezé Di Camargo & Luciano falam do sucesso da dupla sertaneja

    Prestes a completar 23 anos de carreira, Zezé Di Camargo & Luciano formam uma das duplas de maior sucesso quando o assunto é música sertaneja. De passagem por Manaus, para cumprir agenda, os artistas retornam à capital do Estado no próximo dia 5 de abril, dentro da programação do Villa Mix, que será realizado no Centro de Convenções (sambódromo).


    Em entrevista ao EM TEMPO, eles contam sua visão do que é sucesso, falam sobre a experiência de gravar um EP (com seis músicas e batizado de “Teorias”) lançado ainda no ano passado, suas visões sobre os atuais artistas do segmento musical, a emoção de serem regravados pela cantora Maria Bethânia e quais os planos para 2014.

    EM TEMPO – Com quase 23 anos de carreira, como vocês avaliam o desempenho profissional de vocês?
    Luciano – Sucesso! Acho que sucesso não é fazer, é ser. É quando você é reconhecido em qualquer lugar do Brasil, quando você é tocado em todas as rádios, participa de todos os programas de TV no país. É ter um especial em todas as emissoras... Então posso avaliar como sucesso, graças a Deus.

    EM TEMPO – Em algum momento vocês imaginaram que chegariam nesse patamar, de ser reconhecidos em todo o Brasil, de fazer tanto sucesso?
    L – Você não imagina algo que você não sabe. Na verdade, virei para o Zezé e disse que iríamos fazer muito sucesso e vender mais de 1 milhão de discos. Aliás, essa frase ficou muito marcada no filme (“Dois Filhos de Francisco”). Na minha cabeça, sucesso era quando o meu irmão tocava na melhor rádio ou então participava de algum programa de TV, mas tudo na nossa cidade. Só percebi o que era essa palavra quando ganhamos, por exemplo, nosso primeiro especial na Rede Globo, em 1991. A partir daí começamos a ter dimensão do que tudo isso significa e juntamente com essa projeção, veio o desejo de nos profissionalizarmos cada vez mais. Confesso que o sucesso é viciante.

    EM TEMPO – Vocês gravaram e lançaram no ano passado, pela primeira vez, um EP que foi batizado de “Teorias”. Como foi a decisão por optar por um trabalho menor?
    L – Na verdade foi uma ideia da Sony Music e que já tinha dado certo com o Roberto Carlos, onde ele vendeu dois milhões de discos. Eles nos venderam esse formato e compramos a ideia. Claro que, você ficar em segundo lugar tendo o “Rei” em primeiro, já é ser primeiro. Vendemos até o momento 300 mil cópias. O mais legal é que deu tempo para o Zezé (Di Camargo) montar um novo disco que será lançado ainda este ano. É bom destacar que, ao longo desses quase 23 anos de carreira, ficamos sem lançar um trabalho grande somente uma vez. Ou seja, todos os anos lançamentos um disco novo.

    EM TEMPO – É possível ver o crescimento do sertanejo, tanto universitário quanto de raiz, ao longo dos últimos anos. Como vocês avaliam o surgimento de tantos novos cantores?
    L – Recentemente saiu uma pesquisa que constatou que 57% do povo brasileiro é adepto e gosta da música sertaneja. Sobraram somente 43% para os outros ritmos (risos). Acho que como em todo segmento da música, existem cantores bons e ruins. Costumo ressaltar sempre os bons, que tem uma música boa e que tem valorizado o ritmo como a dupla Israel & Rodolfo, Gustavo Lima – com quem gravaram recentemente –, Luan Santana, Jorge & Mateus... Estamos com uma boa safra de artistas, mas como disse, têm aqueles que são bons e têm os ruins. É normal.

    EM TEMPO – Como anda a agenda de shows de vocês? No ano passado, foi a vez da turnê “Sonhos de Amor” rodar o Brasil. E este ano?
    Zezé Di Camargo – Com a chegada de um novo ano, vamos mudar tudo. Desde o repertório até o nome da turnê. Estamos em estúdio e devemos lançar um novo trabalho nos próximos meses. Claro que vamos mesclar novidades com grandes sucessos. É muito complicado escolher 25 canções de um repertório com mais 96 sucessos. Vamos ver como as coisas vão se desenrolar.

    EM TEMPO – Vocês foram regravados por inúmeros artistas. Dentre eles, está Maria Bethânia com “É O Amor”. Qual foi sua sensação naquele momento?
    ZC – Para mim, enquanto compositor da música, é um privilégio. Não apenas por ser a Maria Bethânia, mas pelo talento dela. Costumo dizer que a voz dela é uma prece. Tive a oportunidade de assistir ao show “Brasileirinho” e fiquei encantado pela forma de apresentação. Assim como Elis Regina e Maysa, por exemplo, ela é uma atriz-cantora que cada gesto das mãos é atuação, para cada música uma expressão... Creio que eu tenha sido o único artista do gênero sertanejo que tenha sido regravado por ela.

    EM TEMPO – Em 2013, houve a experiência de rea­lizar um cruzeiro-show. Porém, vocês adiaram a próxima edição para 2015. Como foi o projeto e porque optaram por uma próxima edição somente no ano que vem?
    ZC – A experiência foi maravilhosa, mas o dólar pulou de R$ 1,60 para R$ 2,60. É um projeto que acaba ficando inviável, apesar de ter sido vencedor. Estamos esperando a moeda baixar para, quem sabe, em 2015 retornar com ele.

    EM TEMPO – Como será o show do Villa Mix no próximo dia 5 de março, no Centro de Convenções?
    ZC – Como disse, estamos mudando o formato do nosso show. Pretendemos fazer algo exclusivo. O Luciano acabou de voltar de férias e estamos acertando os últimos detalhes. Devemos fazer uns dois ensaios antes de retornar a Manaus. Nele escolheremos o repertório e estamos preparando outras surpresas.

    EM TEMPO – Como é a relação da dupla com Manaus?
    L – Acho que não existe ninguém que não tenha um bom relacionamento com o Amazonas. Sempre tivemos experiências incríveis no Norte. Lembro uma vez que fui ao shopping e as pessoas estavam segurando nossos CDs e pedindo autógrafos. Teve uma outra situação que tive a oportunidade de compartilhar com a Ana Maria Braga que me trouxe e ficamos hospedados no Ariaú Towers. Ela me levou para pescar, conhecer comunidades ribeirinhas. Foi incrível. Sem falar que um dos nossos maiores públicos foi em um show realizado em Manaus, superando 200 mil pessoas.

    EM TEMPO – Quais os planos para 2014?
    L – Continuar cantando, lançar nosso novo CD, gravar um DVD no final do ano e fazendo aquilo que sabemos fazer de melhor, que é cantar.