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    Diversidade


    Após vídeo viralizar, amazonense e rappers cariocas vão ao Rock in Rio

    No vídeo é possível ver os rappers cariocas elogiando e incentivando o respeito a causa LGBTQI+

    João Victor, Paulo Soares e Flávio Patrick ganharam ingressos para o Rock in Rio pela campanha "Busca as Diferenças" | Foto: Arquivo Pessoal

    “Esse já é um dos melhores momentos da minha viagem”, declarou o estudante amazonense Paulo Victor Soares, de 20 anos, em suas redes sociais na última sexta-feira (27). A publicação em vídeo, mostra Paulo emocionado ao receber elogios da dupla de rappers cariocas em metrô no Rio de Janeiro.

    Pisando pela primeira vez em solo carioca, Paulo estava a caminho da Cidade do Rock para assistir a abertura do maior festival de música do planeta. Por conta das fortes chuvas, o amazonense decidiu que o melhor meio de acesso ao Parque Olímpico do Rio de Janeiro seria pelo metrô. 

    Ao chegar na estação Jardim Oceânico, Paulo foi surpreendido pelos artistas cariocas, Flávio Patrick, de 25 anos e João Victor, de 21 anos, sob os nomes artísticos “Mr. Pac”e “Nótus”, respectivamente. Com palavras de admiração e respeito ao visual do amazonense, a dupla de rappers cariocas não só alegraram Paulo que estava vestido com trajes que remetem a luta pela causa LGBTQI+.

    “Como não conhecíamos a cidade, resolvemos turistar pelo metrô. Foi quando os dois entraram e começaram a fazer várias perguntas para todos do metrô, pedindo para que as pessoas dessem sugestões de palavras para fazer rima. O que eu sugeri não tinha nada a ver com o rap que ele fez pra mim. Fiquei realmente surpreso com o que cantaram. Eles foram incríveis e muito carismáticos. Eles vem de uma luta bem grande. A gente sabe que é muito importante dar visibilidade para estes artistas”, declarou Paulo.

    | Autor: Reprodução
     

    Rock in Rio

    Após a publicação nas redes sociais, o Banco Itaú entrou em contato com os três jovens oferecendo ingressos para cada um deles assistir aos shows das bandas que se apresentaram na noite desse domingo (29) no Rock in Rio. Os jovens puderam assistir as apresentações de artistas como Ivete Sangalo, Alcione, Jessie J e Bon Jovi.

    Esta ação faz parte da ação promocional chamada “Busque as diferenças”, na qual a empresa ressalta a importância e respeito a todas as diferenças étnicas, raciais, culturais e de gênero.

    João Victor e Flávio Victor se apresentam em vagões de metrô na capital carioca
    João Victor e Flávio Victor se apresentam em vagões de metrô na capital carioca | Foto: Arquivo Pessoal

    O carioca “Mr. Pac” encontrou na música, uma forma de poder incentivar nas pessoas o respeito ao próximo. “A cultura do hip-hop é isso, abraçar um ao outro independente de gênero, cor, raça, religião. Entender e respeitar todas as diferenças”, confessou o rapper carioca.

    Manifestação artística

    No dia 25 de junho deste ano, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) considerou inconstitucional a lei que regulamentava as manifestações culturais nas estações e vagões de trem, metrô e nas barcas, impedindo que os artistas de realizar suas apresentações, como declamação de poemas, músicas e outros.

    Esse tipo de apresentação estava autorizado pela Lei Estadual 8.120, aprovada em no ano passado, em que regulamenta a manifestação artísticas realizadas entre às 6h às 23h, nos dias úteis, e das 7h às 23h, nos sábados, domingos e feriados. Na época, a decisão foi questionada pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro, atual senador.

    O texto da lei define que são consideradas exibições culturais: apresentação musical vocal, apresentação musical instrumental, apresentação de poesia, teatro, dança e outras manifestações artísticas.

    Em nota, o senador Flávio Bolsonaro (PSL) afirmou que “manifestações culturais dentro de vagões não podem prejudicar o sossego, o conforto e a segurança”. De acordo com o senador, as manifestações artísticas contribuem para o desenvolvimento humano, mas em um “local adequado”.

    Visibilidade

    O rapper Flávio Patrick conta que a sociedade no cenário atual contribui para que as políticas públicas invistam cada vez menos em espaços que permitam a manifestação livre artística. 

    “Eu consigo perceber que aos poucos tudo vai sendo ameaçado por uma espécie de conservadorismo. Hoje em dia eu me sinto fazendo algo que é um crime. Pois não é bem visto pela sociedade. Nós respeitamos quando alguém não deseja ouvir nosso trabalho, caso alguém não queria ouvir, passamos para o próximo vagão”, contou Flávio.