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    Música


    Olivia de Amores grava clipe 'La Cancionera'

    Clipe foi gravado em um barco regional e reflete característica culturais do amazonense

    Barco regional é cenário do mais novo clipe de Olivia de Amores
    Barco regional é cenário do mais novo clipe de Olivia de Amores | Foto: Divulgação/ David Martins

    Manaus - Um barco regional amazonense fazendo um passeio tipicamente amazônico pelo rio Negro de 8h às 20h em um domingo ensolarado de Manaus. Esse é o cenário escolhido para o clipe da música La Cancionera da artista manauara Olívia de Amores.

    A música, que tem forte influência da música latina, faz parte do primeiro álbum solo da artista que já tem algumas músicas lançadas, como "Post It". E o cotidiano típico e característico da rotina dos amazonenses em um meio de transporte muito utilizado pela população amazonense foi a escolha para retratar a música.

    Nada em Olívia é obvio, o que pode ser percebido desde o conceito utilizado para o seu primeiro álbum solo: um álbum visual, onde conexões tornam música e clipe complementares com o nome "Não é doce". Estigmas, curiosidades e muito talento colocam Olívia a frente desse processo, onde realiza a composição, arranjo musical, sonorização, processo de criação e roteirização dos clipes para que o álbum musical tenha sempre essência desejada. 

    O cruzeiro inicia às 8h
    O cruzeiro inicia às 8h | Foto: Divulgação/ David Martins

    A essência de La Cancionera vem das peculiaridades culturais e diversidade da Amazônia, misturadas a influência musical da atriz como rock e música alternativa. “A minha intenção principal foi mostrar para o Brasil que nós temos particularidades, mas hábitos brasileiros. Enquanto no sudeste as pessoas vão para uma praia no litoral, aqui em Manaus pegamos um barco para ir ao rio. Isso torna tudo o Amazonas muito especial”, destaca a artista.  

    As influências de outros povos culturais na região também foi uma outra inspiração para a canção, que tem um ritmo latino. 

    “A cultura amazônica é rica porque é marcada pela vivência ribeirinha e indígena, além de uma forte influência dos povos dos países fronteiriços, como os colombianos e peruanos.  Assim, nossa brasilidade tem uma tradição latina especial e acentuada",comenta Olívia. 

    Público pode curtir o cruzeiro regional e a gravação do clipe
    Público pode curtir o cruzeiro regional e a gravação do clipe | Foto: Divulgação/ David Martins

    O que é um álbum visual? 

    "Não é Doce" tem faixas musicais independentes e por isso é dividido em etapas para lançamento: uma música de cada vez. Porém, cada uma precisa ser escutada e vista e uma forma única. O resultado disso? Uma experiência diferenciada ao público. 

    O álbum é um retrato de Olívia, que com uma voz calma e jeito observador e assim como em La Cancionera, realiza todo o processo de criação, produção de músicas, arranjos musicais, roteirização e gravação dos clipes há dois anos. "Não é Doce" tem produção musical de Bruno Prestes e masterização do nova-iorquino Steve Fallone, que trabalhou com artistas como The Strokes, Arcade Fire, Interpol e Adele, entre outros.

    A decisão de realizar um álbum visual partiu da ideia de Olívia conseguir expressar sua arte. E tem como objetivo tornar música e imagem complementares. “As minhas ideias vão se materializando por diversos campos. Todas as minhas músicas foram compostas com ideias visuais dentro delas. É um projeto conceitual”, destaca. 

    La Cancioneira é uma das musicas do álbum visual "Não é doce"
    La Cancioneira é uma das musicas do álbum visual "Não é doce" | Foto: Divulgação/ Bruno Belchior

    O processo de criação de Olívia começa com uma pequena ideia que pode ser transformado em poema e em seguida uma música, como é o exemplo da trilha “Abisso”, a  primeira música do álbum, que retrata um conceito poético de um dos lugares mais inóspitos do planeta.

    "A ideia surgiu depois de eu ler sobre os abissais oceânicos. Eu fiz questão de não abrir nenhuma imagem para saber sobre o abissal, sabia que era o espaço mais profundo do planeta, que lá habitam criaturas diferentes e que são adaptadas de uma pressão e temperatura muito diferente", comenta. 

    Após ler a notícia sobre os abissais, Olívia realizou um poema com a ideia, em seguida fez arranjos musicais e construiu acordes e compôs músicas com o som que ao escutar, o público pode sentir como seria um barulho em um lugar inóspito. “Eu escrevi um poema e em seguida o musical com base nas imagens que tinha em mente. Então construí um acorde para repetir como seria um som em um ambiente inóspito", explica

    A interação da música com o clipe e música, seguem esses motivos. Por essas razões, a artista sentiu a necessidade de ser um álbum visual. “Não é doce precisava ser um álbum visual. A composição da música interage com o clipe”, comenta a artista. 

    A construção do álbum é desafiadora para Olívia: de dez faixas musicais apenas cinco faixas já foram lançadas, aparentemente sem alguma conexão entre si, mas Olívia garante que todas músicas se conecta e vai ser algo perceptível no lançamento de todos as histórias.

    “A experiência de ver os clipes vai ser como ver um filme, todas as músicas vão criar uma unidade. Eu criei um fio condutor entre todas as músicas que após lançado, a sequência vai ser um desafio para as pessoas perceberem o que se conectam”, completa. 

    Uma transição artística e pessoal nada doce 

    "Não é doce" é reflexo da mudanças na vida de Olivia
    "Não é doce" é reflexo da mudanças na vida de Olivia | Foto: Divulgação/ Bruno Belchior

    Transições não foram doces para Olívia. E o álbum visual reflete uma mudança pessoal na vida da atriz, que por meio da música e habilidades multi talentosas, conseguiu expressar os momentos difíceis da sua vida: a perda da avó, um fim de relacionamento de longa data e a perda de uma amiga para a depressão.

    "Não é doce" é o processo de transição da cantora, antes conhecida como Olívia de Moraes para Olívia de Amores. “Eu preciso me abrir. E não é doce é para falar sobre as fases do amor. Não quero que as pessoas se sintam ignoradas", explica. 

    O amor é algo recorrente na vida cantora, amor pela arte, pela vida, amizade, família e amores românticos. “Qualquer profissão pode ser encarada como amor. Enxergar as pessoas, a sensibilidade e amor. O amor pode te causar sentimento nobres ou ruins”. destaca Olívia que continua a ver amor após momentos difíceis, por meio da arte no seu novo álbum e fase na carreira artística. 

    "Não é Doce" será lançado em fevereiro de 2020.