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    Artes cênicas


    Peça 'A Feiticeira Maravilhosa’ conta história de crianças ribeirinhas

    A peça será apresentada no domingo (12), na Academia Amazonense de Letras, localizada no Centro de Manaus

    A peça vai ser apresentada na Academia Amazonense de Letras (AAL), onde Elson Farias ocupa a cadeira nº 12 | Foto: Roumen Koynov/Interarte

    Manaus - Contando a história das aventuras de crianças no interior do Amazonas, o primeiro espetáculo de 2020 da companhia Interarte Produções apresenta a peça “A Feiticeira Maravilhosa” neste domingo (12), na Academia Amazonense de Letras (AAL) - localizada na avenida Ramos Ferreira, Centro de Manaus. O espetáculo é uma adaptação da obra do poeta e escritor amazonense Elson Farias.

    A montagem do espetáculo surgiu a partir do edital de apoio à produção e montagem dos imortais da Academia Amazonense de Letras. A Interarte foi premiada para montar a obra “A Feiticeira Maravilhosa”, de Elson Farias.

    O espetáculo se passa numa cidade no coração da Amazônia, onde vivem as crianças Menina Zuzu, Mana Mimi, Zezé e o Primo Duquinha cercadas de natureza com muitas árvores, aves e animais. Todos em perfeita harmonia. Atentas às cantigas e histórias das lavadeiras na beira do rio, as crianças descobrem que, na floresta, vive uma Feiticeira muito misteriosa e, segundo as falações, muito feia.

    Curiosos, Zezé e Primo Duquinha partem em busca da Feiticeira e, ao cair da noite, conhecem uma floresta cheia de sons e habitantes desconfiados. As corujas e os sapos comentam sobre a presença dos dois meninos e logo a Feiticeira fica sabendo e não gosta da notícia.

    A peça aborda as aventuras de crianças que moram no interior do Amazonas
    A peça aborda as aventuras de crianças que moram no interior do Amazonas | Foto: Roumen Koynov/Interarte

    Mas, com muita simpatia e esperteza, os dois conquistam a confiança da misteriosa moradora da mata, e logo mergulham num mundo cheio de magia e seres encantados através das narrativas da Feiticeira Maravilhosa.

    Ao Portal EM TEMPO Roger Barbosa contou um pouco sobre a admiração pelo autor, o processo criativo e como é ser artista no Amazonas.

    EM TEMPO – Com foi o processo criativo de adaptação da obra?

    RB – A Feiticeira é uma obra infantil e muito poética. O texto é curto e a primeira intenção era adaptar e criar a partir da ideia original do Elson. Criar cenas e inserir textos, mas, depois que estudamos a obra, entendemos que a beleza poética e todo o universo amazônico e da criança que mora no interior estavam muito bem colocados nas palavras do Elson.

    Então, fizemos um esforço para não mudar quase nada do livro original. A ideia foi, através da encenação, trazer o entendimento da poética. Preencher as lacunas de uma frase para outra com ações ficou muito bom.

    Estamos muito orgulhosos do resultado em adaptar com poucas intervenções literárias, textos, e criação de personagens. Mas, com muitos desenhos cênicos e interpretação dos atores reforçadas pela cenografia e sonoplastia, conseguimos chegar o mais próximo possível da essência da obra.

    O espetáculo utiliza o teatro de sombras e a técnica de formas animadas
    O espetáculo utiliza o teatro de sombras e a técnica de formas animadas | Foto: Roumen Koynov/Interarte

    EM TEMPO – O que o espetáculo traz de inovador?

    RB – Utilizamos técnicas do teatro de sombras e do teatro de formas animadas. Os bonecos foram criados e confeccionados a partir de materiais da nossa cultura. Utilizamos sementes e cestos. A música criada para o espetáculo a partir da poesia de Elson Farias é outro elemento importante. O músico Tiozinho Sano fez os arranjos.

    EM TEMPO – A Amazônia é palco de muitas obras artísticas. Como você enxerga isso?

    RB – Vejo a nossa cultura como uma fonte infindável de inspirações para o fazer artístico. O espetáculo mostra isso através da curiosidade das personagens em conhecer os nossos mitos e lendas. As histórias como da “Cobra Grande”, “Mapinguari” e tantas outras exercem um fascínio que mistura curiosidade e medo. E os temas abordados, a partir dessas histórias e costumes, trazem temas universais, como o cuidado com o meio ambiente, ambição, tradições relacionadas à medicina natural, amor, dentre outros.

    EM TEMPO – Fazer arte no Brasil e principalmente no Amazonas é um grande desafio no cenário político atual. Como é trabalhar neste contexto? O que você acha que precisa mudar?

    RB – Muita coisa precisa mudar, mas o principal sempre foi o artista. Nós precisamos estar em constante mudança e evolução. Temos que produzir sem fechar os olhos para o que nos cerca. Temos que olhar para as pessoas e enxergá-las com um público em potencial e tentar perceber as necessidades e desejos para tentar suprir através da arte. O momento político não é dos melhores, mas o artista precisa encontrar o seu lugar e criar as oportunidades de exercer sua função social.

    EM TEMPO – Há outros espetáculos da Interarte em planejamento? O que o público amazonense pode aguardar para o ano de 2020?

    RB – Dias 25 e 26 de janeiro apresentaremos o espetáculo “A Hora Mágica” no Teatro Manauara. É uma peça infantil de minha autoria e direção. Estreamos em 2012 e ficou em cartaz até 2014. A peça ganhou o prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Teatro da Amazônia e foi indicada a melhor espetáculo. Por ser um espetáculo com grande comunicação com as crianças, resolvemos remontar em 2020.

    O poeta e escritor amazonense Elson Farias possui um grande acervo de obras literárias publicadas
    O poeta e escritor amazonense Elson Farias possui um grande acervo de obras literárias publicadas | Foto: Divulgação

    O autor homenageado

    Elson Farias nasceu em Roseiral, sítio de propriedade do seu pai, no município de Itacoatiara, no dia 11 de junho de 1936, onde passou a infância. Foi recebido na Academia Amazonense de Letras em 3 de fevereiro de 1969, pelo acadêmico José Bernardino Lindoso.

    O escritor tem um extenso trabalho literário que mescla poesias como “Barro Verde”, “Roteiro Lírico de Manaus em 1900” “Balada de Mira-Anhanga e outras aparições” entre outros; como também ensaios como “Cem anos de fé na floresta” além de uma gama de obras dedicadas ao público infantil, entre elas “A Feiticeira Maravilhosa” e “As Aventutas do Zezé”.

    Mais obre o espetáculo

    A vivência do autor com os elementos da Amazônia traz, através do espetáculo, a vida intensa e vibrante existente na floresta, através do olhar das crianças e da eterna luta entre os impulsos estimulados pela curiosidade e as regras e conselhos dos adultos que já foram crianças, mas esquecem quão rica e importante é essa fase de descobertas.

    A entrada é gratuita e a classificação livre
    A entrada é gratuita e a classificação livre | Foto: Roumen Koynov/Interarte

    Alguns trechos foram musicados com arranjo do músico Willians Fonseca Solano e são executados ao vivo com elementos da música orgânica e por um elenco formado por atores cantores.

    Os figurinos são inspirados nas ilustrações de Marcio Matias no livro publicado pela Editora Valer, seguimos as cores e estilos que levam a um conjunto interiorano para o núcleo das lavadeiras e das crianças. Para os personagens animais foram confeccionados bonecos a partir de cestos e abanadores.