Oscar 2020


'Democracia em Vertigem': conheça o filme brasileiro indicado ao Oscar

O documentário da aclamada diretora Petra Costa concorre a categoria de melhor documentário. Saiba qual a história narrada no filme e quais as chances do Brasil levar a estatueta

O documentário foi lançado em junho na Netflix
O documentário foi lançado em junho na Netflix | Foto: Reprodução

Manaus - Na última segunda-feira (13), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou os indicados ao Oscar 2020. A premiação que é uma das mais importantes da indústria conta com a participação de uma produção brasileira nesse ano, com o documentário “Democracia em Vertigem”, dirigido por Petra Costa.

Desde o anúncio da indicação os números de pesquisa pelo filme na internet aumentaram 4.400%, atingindo aproximadamente 2,75 milhões de resultados. As reações provocadas no público variam de orgulho à insatisfação, devido ao teor político do longa, que narra os processos políticos conturbados que o País passou ao longo dos últimos anos, como a ascensão de Lula ao poder, impeachment da presidente Dilma Rousseff e o crescimento da extrema direita.

A agitação foi tamanha que até grandes personalidades políticas comentaram a indicação.

“Para quem gosta do que o urubu come, é um bom filme”, disse o presidente Jair Bolsonaro

“Parabéns, Petra Costa, pela seriedade com que narrou esse importante período de nossa história. Viva o cinema nacional! A verdade vencerá”, comentou o ex-presidente Lula.

Petra Costa, diretora do documentário
Petra Costa, diretora do documentário | Foto: Reprodução

Como o filme foi escolhido

O crítico de cinema Caio Pimenta explica que o Brasil teve três filmes na disputa Melhor Documentário nesse ano: "Meu Nome é Daniel", "Humberto Mauro" e "Democracia em Vertigem". No entanto, devido ao tema urgente e de interesse internacional aliado ao apoio da Netflix, o filme de Petra foi mais longe.

O documentário foi lançado em junho na Netflix
O documentário foi lançado em junho na Netflix | Foto: Reprodução

O interesse em explicar a política nacional se faz evidente ao longo do filme, onde a diretora narra de maneira intimista e didática o processo político brasileiro para um público diverso, levando em consideração um público internacional, cujas pessoas não conhecem ou não entendem as dinâmicas de poder do Brasil.  Em entrevista, Petra conta que muitas pessoas, especialmente americanas, se emocionaram e choraram ao ver o filme.

E por falar em emoção, é importante destacar a maneira qual o filme é narrado. A diretora descreve os acontecimentos a partir de uma perspectiva pessoal, sempre imersa na trama. Isso fica evidente desde a primeira cena: 

"

Eu e a democracia brasileira temos quase a mesma idade. Eu achava que nos nossos 30 e poucos anos, estaríamos pisando em terra firme. Eu tinha 19 anos quando o Lula foi eleito. Me lembro da euforia. Parecia um grande passo para a nossa democracia "

Petra Costa, Primeira cena do filme

A produção narra toda a história até o primeiro mandato de Lula em 2003, passando por sua reeleição em 2006, a posse de Dilma Rousseff em 2011, a chegada de Temer em 2016 e a eleição de Bolsonaro. O documentário termina com duas frases na tela: “O juiz Sergio Moro é nomeado ministro da Justiça de Bolsonaro” e “Lula permanece preso”.

Há chances de ganhar?

As expectativas em torno da possibilidade de o filme levar o prêmio são mínimas, mas não impossíveis. Isso se dá devido aos concorrentes, como o favorito “Indústria Americana”, produzido pelo casal Obama, políticos adorados por Hollywood e "Honeyland", produção da Macedônia que conseguiu o feito inédito de ser indicada em Melhor Documentário e Filme Internacional.

Os documentaristas são historicamente a classe mais politizada da Academia de Hollywood e acompanham atentamente o que acontece ao redor do planeta. “Como o Brasil está neste momento de tensão política e com um presidente avesso ao cinema nacional, acho que há chances de eles olharem com carinho para ‘Democracia em Vertigem’ e premiá-lo pelo simbolismo que teria”, explica Caio. 

O documentário aparece com 96% de aprovação dos críticos, segundo o site Rotten Tomatoes, especialista em críticas de cinema e televisão. 

Protagonismo feminino

Além dos aspectos técnicos, é importante enfatizar o simbolismo de ter uma mulher brasileira concorrendo em um espaço ocupado majoritariamente por homens brancos norte-americanos. Este ano a categoria documentário conta com um diferencial: 4 das 5 indicações são dirigidas ou co-dirigidas por mulheres, uma conquista resultado de manifestações nos anos anteriores, que reivindicavam a abertura de espaços de protagonização feminina. 

Onde assistir

O documentário "Democracia em Vertigem”, lançado em junho de 2019, está disponível na plataforma de Streaming "Netflix". 

| Autor: Divulgação