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    Oscar 2020


    Oscar 2020: ‘Era Uma Vez em... Hollywood’, do brilhante Tarantino

    O longa ‘Era Uma Vez em... Hollywood’ conseguiu o feito de ser indicado em 10 categorias do Oscar 2020

    O filme conta uma história que tem a própria Hollywood como tema | Foto: Divulgação

    Manaus - O fato do cineasta Quentin Tarantino ser obcecado pelo cinema é algo indiscutível. E esta admiração é altamente perceptível no longa-metragem “Era Uma Vez em... Hollywood” que tem a própria indústria cinematográfica como ambientação da trama.

    Esta característica de Tarantino pode ser percebida em diversos trabalhos como, por exemplo, o “famoso” macacão amarelo do ator Bruce Lee em “Jogo da Morte”, dirigido por Matt Helm. Vestimenta similar usada por Uma Thurman em “Kill Bill vol.1” – considerado uma das obras-primas de cineasta.

    O longa, que recebeu 10 indicações ao Oscar 2020 incluindo “Melhor Filme” e “Melhor Direção”, conta a história de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um ator de TV que juntamente com seu dublê (Brad Pitt), está decidido a fazer o nome em Hollywood. 

    O ator acaba conhecendo muitas pessoas influentes na indústria cinematográfica, o que acaba levando ele e o dublê aos assassinatos realizados por Charles Manson na época, entre eles o da atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que estava grávida do diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha).

    A dupla de atores é ponto forte do longa
    A dupla de atores é ponto forte do longa | Foto: Divulgação

    Dupla em peso na atuação

    Mais um fator corresponde ao grande número de indicações: a atuação da dupla Leonardo DiCaprio e Brad Pitt – dois nomes “queridinhos” de Academia.

    Segundo o crítico Bruno Carmelo, do site Adoro Cinema, Tarantino atingiu a fase da carreira em que pode contratar qualquer ator que desejar, mesmo para papéis pequenos, porque qualquer nome da indústria gostaria de ser associado a um novo projeto do cineasta.

    “DiCaprio aparenta se divertir muito no personagem do sujeito infantil, enquanto Pitt encarna o monstro gentil, o tipo cujos sorrisos dóceis escondem uma ferocidade implacável quando necessário. Ambos possuem cenas deliciosas com personagens secundários – o encontro entre Rick e a atriz mirim, a luta improvisada de Cliff e Bruce Lee -, mas confinam-se na maior parte do tempo às suas casas e seus carros, quando conversam, apiedam-se sobre si mesmos, assistem à televisão juntos, comem qualquer prato improvisado que encontram na geladeira”, ressaltou o crítico.

    Tarantino fez referência a Bruce Lee no filme Kill Bill vol.1
    Tarantino fez referência a Bruce Lee no filme Kill Bill vol.1 | Foto: Divulgação

    Técnicas brilhantes

    Ao longo da narrativa, o diretor encontra momentos para demonstrar sua habitual inteligência de enquadramentos e conhecimento dos diferentes gêneros do cinema. Quando Rick grava uma cena de faroeste, a apresentação de sucessivas tomadas em plano-sequência se revela uma excelente solução digna de Oscar. 

    A chegada de Cliff ao drive-in também impressiona pelos movimentos de câmera e pelo trabalho com espaços. Apesar destas cenas isoladas, resta constatar que o filme se arrasta, não apresenta conflitos durante aproximadamente 140 minutos, e gira em círculos ao pular de personagem em personagem, os três separados em subtramas paralelas durante a quase integralidade da história.

    Margot Robbie teve poucos minutos de tela durante o filme
    Margot Robbie teve poucos minutos de tela durante o filme | Foto: Divulgação

    A atriz ofuscada

    Durante a estreia do filme no Festival de Cannes, no ano passado, muitos críticos não gostaram do pouco tempo de tela que Margot Robbie teve em comparação aos colegas masculinos, gerando uma grande polêmica.

    Tarantino tentou se esquivar de toda a confusão, afirmando que Sharon Tate não aparece tanto no filme justamente porque ele queria mostrar mais a vida dela como atriz, e menos o trágico assassinato.

    “Achei que seria tocante, triste e melancólico passar pouco tempo com ela, apenas existindo. Eu queria que vocês vissem muito de Sharon vivendo a vida e não apenas seguindo uma história, queria ver ela vivendo, sendo quem é”, declarou em coletiva de imprensa.

    No fim das contas, Tarantino não conseguiu escapar da polêmica. Mais uma vez, o diretor foi acusado de ser misógino e de dar destaque apenas para personagens masculinos em seus filmes.

    O diretor até aumentou o tempo de tela de Margot Robbie em Era Uma Vez em Hollywood, lançando a versão cinematográfica do filme com 2 minutos a mais de Sharon Tate, mas nada foi suficiente para apagar a controvérsia.