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    Música Amazonense


    'Precisamos cantar sobre o Norte', é o que diz o rapper Victor Xamã

    O rapper e produtor musical amazonense busca exaltar o Norte nas composições

    O amazonense, considerado como 'xamã moderno' da cultura do hip-hop nortista, conta que escolheu este nome após ler o livro 'Xamã Urbano' | Foto: Divulgação

    Composições artísticas com leve abordagem esotérica, “xamanismo urbano”, poesia de rua e beats intensos. É o que entrega o rapper e produtor amazonense Victor Garcia, de 25 anos, mais conhecido pelo nome artístico “Victor Xamã”.

    O amazonense, considerado como “xamã moderno” da cultura do hip-hop nortista, conta que escolheu este nome durante a elaboração do primeiro álbum solo, chamado “Janela”, após ler o livro “Xamã Urbano”, de Serge Kahili King, no ano de 2015. O amazonense já possuía forte admiração pelo xamanismo e esoterismo e, após a leitura, se identificou ainda mais com o nome e seus significados.

    “Além de que o nome Xamã representa parcialmente de onde eu vim e representa a minha forma de fazer música, buscando tranquilizar ou questionar com sentimentos sinceros”, explica Victor.

    Victor compõem músicas desde os 14 anos
    Victor compõem músicas desde os 14 anos | Foto: Divulgação

    O gosto pelo rap começou cedo. Aos 12 anos, já escutava vários artistas, e, já aos 14 anos, começava a elaborar as primeiras composições. Victor conta que, desde novo, sempre foi muito sensível por diversas expressões artísticas, a “arte na sua totalidade”, sempre se interessou nas diversas expressões artísticas.

    “Quando novo, me identifiquei muito com a arte e senti que eu poderia fazer alguma diferença na parte musical, tanto na produção, quanto na composição. A música despertou em mim quando ouvi a música ‘Mr. Niterói’ do Black Alien [rapper brasileiro]. Foi o ponto chave para em mim crescer a vontade de escrever música e ser influência no gênero rap. Já tinha contato com o rap, mas sempre me portei como ouvinte. Nunca tinha me portado como uma pessoa que queria participar escrevendo música”, confessou o amazonense.

    A sensibilidade pelo lado artístico foi o que motivou a escrever músicas
    A sensibilidade pelo lado artístico foi o que motivou a escrever músicas | Foto: Divulgação

    A luta contra a marginalização

    A arte do rap pode ser considerada uma das vertentes artísticas mais marginalizadas no Brasil. O artista conta que sempre enxergou o rap como uma profissão próspera, desde que o artista que realiza se organize e se planeje com profissionalismo.

    Victor levanta a causa contra a marginalização do rap
    Victor levanta a causa contra a marginalização do rap | Foto: Divulgação

    “Desde sempre, meu pai falava: ‘tudo o que você faz bem feito, gera dinheiro’. No início, tive um certo medo, porque a profissão, não só de rapper, mas de música é uma profissão marginalizada. Se você quer ser um músico, você não vai ter prosperidade na sua vida. Eu sempre enxerguei de outra forma. Por isso, eu tento levar a minha música, a minha arte da maneira mais profissional possível. Eu acho que é isso que traz o diferencial. Decidi viver de rap. Organizei minhas ideias para estar sempre em constante planejamento. Tem quer uma inteligência emocional e planejamento. Se a gente deixa se levar pelo o que a noite do pós-show traz, não teremos prosperidade. A chave está na organização”, orientou o rapper.

    Trajetória

    Como rapper, Victor Xamã lançou o primeiro disco intitulado “Janela”, no ano de 2015, produzido pelo próprio artista. Já o segundo álbum chamado “Verde Esmeraldo e Cinza Granito”, e lançado em 2017, contou com apoio de outros produtores também.

    Além do trabalho solo, Victor atua no grupo chamado “Qua$imorto”, em que além dos vocais o artista também produz e realiza as mixagens das oito faixas – que dá título ao nome do álbum

    Além da carreira solo, Victor participa do projeto musical 'Qua$imorto'
    Além da carreira solo, Victor participa do projeto musical 'Qua$imorto' | Foto: Divulgação

    “Lancei ano passado o disco do meu grupo que é Qua$imorto, chamado ‘Oito Oito”, produzi a maioria das bases, processo de mixagem, masterização. Esse ano eu estou por dentro da produção do álbum do Ian Lecter, fiz todo o processo de mixer e máster também”, contou Victor.

    Artista inspirador

    Além do rapper Ian Lecter, Xamã também atuou como um artista que motivou vários artistas amazonenses a ingressar na música, como o cantor Guilherme Bonates.

    O artista também trabalha como produtor musical
    O artista também trabalha como produtor musical | Foto: Divulgação

    “Eu enxergo isso como uma grande responsabilidade. Eu não me isento dela. Percebo que a minha música e a minha arte têm uma influência para o pessoal novo que está chegando e para o pessoal que já faz música. Eu vejo como se fosse uma via de mão dupla. Precisamos exaltar o Norte na nossa música. Precisamos cantar sobre o Norte. Tentar passar uma boa mensagem para o público. É isso que eu acredito. Assim como eu posso inspirar pessoas hoje já teve muitas pessoas que eu me inspirei. Como a banda Casa de Caba, a banda Alderia. Eu sempre me inspirei neles e fico muito feliz em estar nessa posição de quem inspira e de quem influencia”, confessa Xamã.

    Valorização ao artista

    Victor finaliza que para os artistas amazonenses terem visibilidade é preciso que os próprios amazonenses escutem e incentivem os artistas locais.

    Victor ressalta que os artistas locais precisam cantar mais sobre o Norte
    Victor ressalta que os artistas locais precisam cantar mais sobre o Norte | Foto: Divulgação

    “Precisamos dar mais valor para o que é feito aqui no Norte. Para a música que é feita aqui. Precisamos escutar mais artistas da região. Mais artistas da região na rádio. Uma representatividade maior. Expandir não só o que é Manaus para o Mundo. Mas sim, todo os Estados do Norte”, ressaltou Victor.