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    Arte-educação


    Projeto 'Incenturita' estimula cultura e leitura em comunidades no AM

    O projeto envolve adolescentes e jovens ribeirinhos de 10 a 28 anos de comunidades do interior do Amazonas

    Emerson junto com os jovens ribeirinhos - Reserva do Juma em Novo Aripuanã
    Emerson junto com os jovens ribeirinhos - Reserva do Juma em Novo Aripuanã | Foto: Marina Amazonas

    Manaus – Com o objetivo de estimular a expressão e autoestima da juventude e a valorização da cultura amazônica, o Projeto de Incentivo à Leitura, Escrita e Oratória (Incenturita) realiza anualmente oficinas de arte-educação para jovens e adolescentes ribeirinhos do Amazonas.

    Segundo Emerson Munduruku, que assina a coordenação do projeto, o “Incenturita”, além de desenvolver arte-educação, o projeto busca provocar reflexões nos adolescentes e jovens ribeirinhos de 10 a 28 anos.

    “Há mais de três anos o projeto circula em comunidade de atuação da FAS [Fundação Amazonas Sustentável), onde desenvolve oficinas de múltiplas linguagens artísticas, cujo foco é a reflexão e produção de peças de arte feitas pelos jovens, a partir de elementos orgânicos da floresta, cuja inspiradas nas histórias humanas e encantadas da região. Ao final de cada ano, o projeto realiza o ‘Festival Juventudes Ribeirinhas no Rio Negro’. O principal patrocinador do projeto é o Instituto Alar Martins (IAMAR)”, contou Munduruku.

    No final de cada ação há um festival artístico produzido pelos próprios estudantes
    No final de cada ação há um festival artístico produzido pelos próprios estudantes | Foto: Keila Serruya

    Segundo Emerson, são realizadas oficinas mensais de diversas linguagens artísticas, tais como teatro, música, dança e artes visuais, são realizadas nas comunidades, onde são reunidos adolescentes e jovens moradores de Unidades de Conservação.

    O projeto contempla mais de 200 jovens e adolescentes estudantes de 40 comunidades ribeirinhas situadas em quatro Unidades de Conservação (UC) onde a FAS atua: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Anamã, que abrange os municípios de Codajás, Coari, Marãa e Barcelos, a RDS do Juma, que abrange o município de Novo Aripuanã; a RDS Rio Negro, que abarca Iranduba, Manacapuru e Novo Airão; e a Área de Preservação Ambiental (APA) Rio Negro, situada entre os territórios de Manaus, Presidente Figueiredo e Novo Airão.

    Participantes produzem colagens utilizando material da floresta
    Participantes produzem colagens utilizando material da floresta | Foto: Keila Serruya

    Trajetória, conquistas e mudanças

    Ao longo de 2018, o projeto realizou linhas de base junto aos jovens para compreensão de suas relações com a leitura, escrita e a oratória, que indicaram a oportunidade de aprimoramento adaptado a cada contexto local. Para isso, foram realizadas oficinas com práticas interativas, de aproximação e socialização, aliadas à leituras e interpretação de obras de escritores e artistas amazônicos.

    Os jovens participam de oficinas que unem arte e educação
    Os jovens participam de oficinas que unem arte e educação | Foto: Keila Serruya

    “E, como encerramento das atividades, realizamos o Festival Juventudes Ribeirinhas na RDS Rio Negro, onde os alunos puderam expressar as habilidades aprimoradas. Além de parceiros dos projetos envolvidos em várias atividades, tais como oficinas educativas, torneios de esportes, rodas de conversa e exposições fotográficas, além de prestigiarem apresentações artísticas por jovens do Incenturita”, detalhou Emerson.

    No ano de 2019, o Projeto “Incenturita” trouxe grandes resultados. Com base no contato com os jovens e adolescentes, Emerson conta que a equipe produziu um livro chamado “Fala Beiradão”.

    “O ‘Fala Beiradão’ é uma obra protagonizada e assinada por todos os 150 jovens do projeto, que reúne termos e expressões faladas em comunidades ribeirinhas do Amazonas. Há uma grande riqueza sociolinguística entre e dentro dessas comunidades, oriunda de toda a matriz linguística da Amazônia, de origem indígena, portuguesa, quilombola e até nordestina”, comentou Emerson.

    Estilo de aula do projeto, sempre em roda
    Estilo de aula do projeto, sempre em roda | Foto: Keila Serruya

    O livro produzido pelos jovens foi lançado e indicado ao Prêmio de Patrimônio Cultural Rodrigo Franco de Melo (IPHAN), representando o Estado do Amazonas”, anunciou Emerson. Neste mesmo ano também foram realizadas pesquisas para o livro "Antologia de Contos do Beiradão", no qual amplia o acervo de 235 para 623 histórias que narram o cotidiano e o imaginário dos jovens que as escreveram.

    Para o ano de 2020, Emerson conta que realizará oficinas de cartografia por meio de três novas linguagens do projeto.

    "Iremos construir com os jovens a 'Cartografia da Cultura'. Um mapeamento prático da geografia das histórias e dos recursos naturais utilizados para representá-las. Os mapas irão inspirar as criações na performance, dança e escultura - as três novas linguagens para o Incenturita", anunciou Munduruku.