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Olívia de Amores canta as dualidades dos recomeços na estreia solo

Cantora amazonense Olívia de Amores canta as dualidades dos recomeços e amadurecimento na estreia solo “Não é Doce”

Olívia ganhou reconhecimento na cena independente amazonense com o trio Anônimos Alhures, com quem tocou e cantou por 10 anos
Olívia ganhou reconhecimento na cena independente amazonense com o trio Anônimos Alhures, com quem tocou e cantou por 10 anos | Foto: David Martins

Manaus - Empunhando sua guitarra e suas memórias, Olívia de Amores faz um som ao mesmo tempo delicado e sujo, com reflexões pessoais, sociais e urbanas que refletem as perdas e mudanças que guiam a vida adulta. Essa é a base para “Não É Doce”.

O disco foi feito com produção de Bruno Prestes e masterização do vencedor do Grammy Steve Fallone (Strokes, Tame Impala, Kacey Musgraves), que está disponível em todas as plataformas de música digital. Ouça “Não é doce”.

Vendo as canções que guardava na gaveta desde a adolescência, ela notou que tinha um caminho criativo diferente
Vendo as canções que guardava na gaveta desde a adolescência, ela notou que tinha um caminho criativo diferente | Foto: David Martins

O projeto é um trabalho multimídia e além da parte musical, conta com um game, um visual album e será complementado por um curta-metragem. Como o nome e a capa do disco antecipam, o trabalho enfrenta o amargor da vida, como se fosse parte do que move as pessoas para o crescimento.

Olívia ganhou reconhecimento na cena independente amazonense com o trio Anônimos Alhures, com quem tocou e cantou por 10 anos no começo dos anos 2000. Mas não era suficiente. Vendo as canções que guardava na gaveta desde a adolescência, ela notou que tinha um caminho criativo diferente por vir. 

Durante a produção do disco, ela ocupou todas as frentes do processo criativo, tocando todos os instrumentos presentes
Durante a produção do disco, ela ocupou todas as frentes do processo criativo, tocando todos os instrumentos presentes | Foto: David Martins

Tudo mudou no fim de 2016 e começo de 2017, quando a vida de Olívia virou de cabeça pra baixo. Ela passou por uma sequência de perdas: a morte da bisavó e uma das principais bases familiares, de uma amiga e o término de um longo namoro foram os impulsos para questionar seus rumos, se trancar em estúdio com Prestes, aprender novos instrumentos e começar a trabalhar em suas canções.

Paralelamente, a compositora passou a traduzir as interpretações das músicas em imagem, exercitando atividades de direção e roteiro, com o produtor audiovisual Thiago Looney e a produtora Zenistesia. O resultado é uma obra que caminha por diversos pontos do espectro emocional, apresentando facetas não românticas do amor em uma narrativa carregada de dor e esperança.

O disco está disponível em todas as plataformas de streaming
O disco está disponível em todas as plataformas de streaming | Foto: David Martins

“Amores não são – sempre – doces: envolvem luto, raiva e movem as pessoas a renascer, ressignificarem-se”, reflete Olívia. Durante a produção do disco, ela ocupou todas as frentes do processo criativo, tocando todos os instrumentos presentes e tratando da parte visual do disco, que já conta com 7 clipes lançados - e dirigidos pela artista -, um game para celulares para a música/clipe “Só Vamo” e um curta-metragem, que será lançado após o álbum musical.

“Não é Doce” coroa uma trajetória rica e mostra todas as facetas de Olívia - de compositora, instrumentista, intérprete, roteirista e diretora. O disco está disponível em todas as plataformas de streaming. Confira o "Faixa-a-faixa", por Olívia de Amores:

01) La Cancionera: é a expressão mais óbvia da influência latina no álbum, o ápice da diversidade enquanto artista. Um discurso menos rebuscado sobre amor, uma linguagem simples, coloquial e sincera, como é natural nos bregas nortistas. Ao mesmo tempo, uma agressividade feminina, traduzida no rock largado no refrão e solo. 

02) Post-it: tem uma alma saudosista, uma característica que se relaciona com o synth e guitarra oitentista. “Não vai esquecer de mim” é um pedido desesperado, ao mesmo tempo que é uma afirmativa segura direcionada a alguém e, enfim, um apelo por amor próprio.

03) Segunda-feira: é a canção do disco. Simples e rotineira como dirigir pela cidade, lembrando de alguém enquanto toca uma música no rádio. Uma balada que nasce acústica, caminha pra uma pista de dança em um ambiente eletrorrock e termina em arranjos de guitarra shoegaze.

04) Plano Baixo: trata de um relacionamento na meia-idade, em que a paixão esfria e, para que resista ao tempo, há que se refletir sobre temas como fidelidade e liberdade. Voar em plano baixo é ser livre sem partir. Mas remodelar um relacionamento também é despedida, é deixar ir, como demonstra o vídeo dessa música.

05) SANKYU: é um consolo para quem perde um ente querido, especialmente os avós, que têm passagens rápidas e transformadoras em nossas vidas. Esse consolo se dirige em especial a pessoas que não têm crença religiosa e precisam de conforto, para além da espiritualidade. Por isso, argumentos científicos, pragmáticos e lógicos preenchem de esperança os refrões de SANKYU.

06) Só Vamo: a única música inteiramente feliz de Olívia de Amores, rápida como a adrenalina que acontece quando se apaixona. 

07) Abisso: é um estado de espírito. É, primeiramente, notar sentimentos bizarros dentro de si e se perceber uma criatura que habita o abisso oceânico: feia, em meio a um ambiente inóspito e frio, sob extrema pressão. E, ao fim dessa experiência de autoconhecimento, emergir pra luz.

08) Mana: é sobre empatia, amizade, depressão e sororidade. Perder uma pessoa amada para a depressão inevitavelmente incute reflexões sobre como ser mais útil e presente para alguém que sofre ou, quando nada disso funciona, apenas entender a dificuldade de “sentir e ser”.

09) Janela Remota: é um roteiro musicado. Fala de alguém que, pela forma poética que trata o amor, é interpretado como um romântico. Aos poucos, revela-se a obsessão de um observador que enquanto fantasia amores inatingíveis por uma estranha, negligencia a companheira omitida na narrativa.

10) Brado Apocalíptico: Por que temer o fim do mundo, se cada um de nós viverá um apocalipse pessoal, uma morte em hora e local específicos? Um brado é um grito repetitivo mantido durante marcha, uma forma corajosa de caminhamos pro fim. Nesse percurso, nós atuamos nossas vidas, o que não necessariamente é ruim: “a atriz não mente, a atriz vive a ficção”.

O que é ficção na tela e no palco, pode ser realidade para outras pessoas e, assim, a atriz chora e sente hipotéticas emoções. É difícil diferir as partes da nossa vida que a gente viveu e que a gente atuou. Ser valente, por exemplo, pode ser algo inato e espontâneo, mas, diante de uma situação em que alguém se sente incapaz de lida, também pode ser uma atitude atuada, um mecanismo de resistência – o que é igualmente válido e lindo. 

*Com informações da assessoria.