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    Perda


    Morre Florian Schneider, do Kraftwerk, um dos pais do pop eletrônico

    Fundador do grupo alemão que influenciou um amplo espectro do pop, músico havia se retirado de cena em 2008

    Florian Schneider fundou o grupo alemão Kraftwerk Marc Piaseck
    Florian Schneider fundou o grupo alemão Kraftwerk Marc Piaseck | Foto: Getty Images

    Florian Schneider, ex-integrante e um dos fundadores do grupo alemão Kraftwerk, morreu alguns dias atrás em decorrência de um câncer, antes de completar 73 anos. A notícia foi divulgada na tarde desta quarta-feira (6), e confirmada pela revista Billboard.

    Nos anos 1970, ao lado de Ralf Hutter, Schneider revolucionou a cultura pop ao usar sons eletrônicos para fazer música, influenciando diversos artistas e estilos musicais, desde David Bowie e Giorgio Moroder até a disco music, a batida eletrônica das raves, o rap e hip-hop atuais.

    Célebre pelo uso revolucionário de instrumentos eletrônicos, o Kraftwerk foi amplamente reconhecido como pioneiro na música eletrônica e influenciou vários gêneros em todo o espectro musical, incluindo hip hop, synthpop e rock com suas paisagens sonoras, experimentação e inovações técnicas.

     O músico — que tocava o sintetizador, vocoder, flauta e sax, além de cantar com voz robótica — deixou a banda em 2008, depois de quatro décadas, tendo chegado a se apresentar com ela no Brasil em 1998, no Free Jazz Festival.

    Schneider e Ralf Hutter se conheceram quando estudantes de música clássica no conservatório da cidade de Dusseldorf, na Alemanha. Logo após criarem o Kraftwerk, eles montaram seu próprio estúdio, o Kling Klang, e iniciaram experimentos minimalistas com música eletrônica que resultariam nos álbuns "Kraftwerk 1" (1971), "Kraftwerk 2" (1972) e "Ralf und Florian" (1973). Com esses discos, eles se destacaram em meio a um movimento de bandas de pop e rock altamente psicodélico da Alemanha, o krautrock.

    Em 1974, o Kraftwerk lançou seu primeiro álbum de grande sucesso, "Autobahn", uma ópera eletrônica sobre as rodovias alemãs, que alcançou o 5 ° lugar na parada americana.

    Em 1975, como o lançamento de "Radioactivity", o Kraftwerk iniciou uma sequência de álbuns cada vez mais ambiciosos, que apresentava em shows de grande impacto cênico, com os músicos vestidos como robôs. "Trans-Europe Express" (1977), "The Man Machine" (1978), "Computer World" (1981) e "Electric Cafe" (1986) são hoje reconhecidas obras-primas do pop eletrônico, que influenciaram de New Order e U2 ao DJ americano Afrika Bambaataa, um dos pioneiros do hip hop, o grupo francês Daft Punk e o funk das favelas cariocas.

    Embora indicada para o Rock Hall of Fame seis vezes, a banda ainda não conquistou a distinção. Ela ganhou o Grammy de melhor álbum de música dance/eletrônico em 2017 por "3-D The Catalog", e foi homenageada com o prêmio pelo conjunto da obra em 2014.

    Em 2015, Florian Schneider reapareceu uma música solo, "Stop plastic pollution", em colaboração com o produtor Dan Lacksman. Ele disse que a faixa, lançada para aumentar a conscientização sobre a poluição, foi inspirada na experiência de "dar um mergulho no oceano nas costas de Gana, observando os pescadores pegarem nada além de lixo plástico em suas redes"

    Antes da morte de Florian Schneider, o Kraftwerk havia anunciado que a banda embarcaria em uma turnê de verão na América do Norte para comemorar o 50º aniversário do grupo. Os shows foram programados para apresentar os visuais em 3D pelos quais a banda é conhecida, fundindo música e robótica. Os shows comemorativos foram cancelados devido à pandemia global de coronavírus.

    Com informações do O Globo*