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    Folclore amazonense


    Maria Gadú interpreta toada do Boi Caprichoso em festival na Suíça

    Durante Festival de Música Internacional, Maria Gadú cantou a toada ''Kananciuê'', uma das mais famosas do Festival de Parintins, além de ''Tic Tic Tac''

    Cantora interpretou toadas do Festival Folclórico de Parintins
    Cantora interpretou toadas do Festival Folclórico de Parintins | Foto: Dominik Plüss/Baloise Session

    Manaus – Durante apresentação em um festival da Suíça, a cantora, compositora e violinista brasileira Maria Gadú foi uma das atrações principais do evento. Cantando sucessos como ‘’Shimbalaiê’’, a artista surpreendeu performando também as toadas amazônicas ‘’Kananciuê’’ e ‘’Tic Tic Tac’’.

    A cantora participou do Festival de Música Internacional Baloise Session, na cidade de Basiléia, na Suíça, ao lado de outros artistas brasileiros como Os Tribalistas, Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. A presença dos cantores promoveu um especial ao MPB, em uma edição da Copa do Mundo do evento, realizado em 2018, ano em que o Brasil sediou o campeonato de futebol.

    A performance foi realizada no dia 2 de novembro de 2018, mas apenas recentemente ganhou destaque e admiração nas redes sociais. Com um dos clássicos do Festival Folclórico de Parintins, o sucesso do Carrapicho, ‘’Tic Tic Tac’’, ganhou interpretação na voz de Maria Gadú, e ganhou aplausos do público na Suíça

    Usando um cocar indígena, a cantora também cantou ‘’Kananciuê’', uma das toadas de temática indígena mais clássica do Festival, autoria de Ronaldo Barbosa, que atua há mais de 30 anos como compositor do Boi-Bumbá Caprichoso.

    Toada Indígena

    A obra musical foi criada em 1994 e gravada oficialmente pelo Boi-Bumbá Caprichoso, na voz do cantor Arlindo Jr, no álbum de 1995. Em entrevista ao EM TEMPO, o compositor Ronaldo afirmou que a cantora Maria Gadú pediu autorização para interpretar ‘’Kananciuê’’, mas a performance o surpreendeu.

    ‘’Não foi surpresa saber que ela cantaria minha composição. A surpresa foi assistir a forma que ela interpretou a toada. Foi tribal, foi fantástica a maneira dela interpretar’’ compartilhou Ronaldo.

    O orgulho do amazonense também foi exibido na apresentação, utilizando cocar indígena e pintura facial, Maria Gadú arriscou passos da dança utilizados em rituais de tribos. ‘’Ela vestiu o personagem da mulher Karajá: se pintou como uma, dançou como uma e cantou da forma que os Karajás cantam. A batida amazônica impressiona, e todo mundo sente a energia, mas levar isso para a Europa é incrível. Eles já ouviram falar sobre nós, mas não sabem o nosso legado. A Maria Gadú foi lá e mostrou o nosso legado’’ falou o compositor, exaltando a performance da artista.

    Criador de mais de 100 toadas para o Caprichoso, Ronaldo explicou a letra da música e o significado de ‘’Kananciuê’’, homenageando também a tribo Karajá, um grupo indígena que habita a região dos rios Araguaia e Javaés.

    ‘’A toada fala sobre a criação do povo Karajá por Kananciuê, que é visto como o Deus desses indígenas’’, conta o compositor ‘’Kananciuê transformou o mundo que era escuro, num mundo de luz, e fez nascer todo o povo Karajá’’.

    O personagem, de acordo com Ronaldo, nada mais é do que a luta entre a luz e a escuridão, e para o povo Karajá, ele é o início, o meio, e o fim.

    Festival

    Apresentação de Maria Gadú foi um sucesso
    Apresentação de Maria Gadú foi um sucesso | Foto: Dominik Plüss/Baloise Session

    Ganhando grande repercussão após o festival Baloise Session, a apresentação de Maria Gadú recebeu atenção positiva dos organizadores do evento e do público, que responderam com entusiasmo à performance da artista brasileira.

    Durante a divulgação do festival, Maria Gadú também foi exaltada pela mídia na Suíça, que a descreveu como ‘’uma artista de apresentação imperdível’’ e ‘’voz brasileira que marca’’.