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    Artistas amazonenses usam quarentena para fazer criações

    Apesar das dificuldades do isolamento social, artistas aproveitam a quarentena para focarem em novas produções e composições

    Lucas Passos utiliza quarentena para produzir
    Lucas Passos utiliza quarentena para produzir | Foto: Divulgação

    Manaus - Impossibilitados de realizarem apresentações por conta da pandemia do novo coronavírus, artistas estão se reinventando nos processos de trabalho, lançando projetos e proporcionando entretenimento para o público de forma criativa. No cenário manauara não tem sido diferente, os músicos aproveitam a quarentena para focar nas produções e composições e, principalmente, buscam incentivar a esperança e o ânimo do público e da própria classe artística.

    E, apesar da falta de contato direto com o público, a criatividade se mantém na ativa, como aconteceu com o músico e produtor cultural Lucas Passos.

    Utilizando o tempo livre para explorar as possibilidades artísticas, o músico ocupou-se com a produção de um videoclipe com um violinista, uma série de stories no Instagram sobre um projeto solo, criação de conteúdo para canal no Youtube, composições para o novo álbum da banda de rock Santrio, que Lucas integra, e, finalizando a lista produtiva, Lucas também produz a dissertação de mestrado voltada para música e literatura.

    Prós e Contras

    Sobre os prós e contras da quarentena, o músico afirmou que precisou adiar o lançamento de um videoclipe, mas conseguiu também concentrar-se em outras possibilidades. “O momento oportunizou uma outra abordagem temática para a criação. Converter esse momento em uma expressão criativa é um desafio, e pode dar alguns argumentos interessantes para uma produção artística’’, defendeu Lucas.

    Eduardo Branco ''sonha'' com as composições
    Eduardo Branco ''sonha'' com as composições | Foto: Divulgação

    O músico Eduardo Branco também mergulhou na arte durante a quarentena. Com ritmos amazônicos como boi-bumbá, carimbó, marabaixo e lundu, ele revelou que a grande inspiração para as composições vem de sonhos. “Tenho sonhado com muitas melodias, histórias, visões. Eu pego esses fragmentos e coloco tudo na música”.

    Apesar de estar distante fisicamente, Eduardo conta que o momento possibilitou uma interação maior com outros artistas. “Hoje, tenho tido mais interações sociais com artistas nortistas como Neuber Uchôa, Felipe Cordeiro, Torrinho, e eles me inspiram muito’’, afirmou o músico.

    Em relação ao processo de criação artística, Eduardo conta que não houve muita mudança neste período. “Antes eu também tinha essa disponibilidade, mas hoje, em meio à pandemia, surgiu mais tempo livre para focar nos meus trabalhos artísticos’’.

    Facilidade

    A facilidade de divulgação através do ambiente da internet também é mencionada pelo músico Lucas Passos, com contexto que amplifica as produções. “É um momento importante para perceber que os meios de profusão da arte devem ser realmente ampliados para todas as possibilidades de diálogo”.

    No entanto, não se deve esquecer que a situação mundial é de preocupação devido à pandemia e todos os impactos que causaram instabilidade em diversos países, incluindo o Brasil. “Ao ver as notícias sobre a pandemia e os seus efeitos, fica o sentimento de lamento e de comoção. A arte é uma ferramenta de grande importância para o diálogo, a crítica e principalmente para sensibilização nesse período”, reflete Lucas.

    Jeferson Mariano vê futuro musical nas redes sociais
    Jeferson Mariano vê futuro musical nas redes sociais | Foto: Divulgação

    “O ofício do artista envolve esses momentos, onde a sua particularidade também deve ser direcionada ao pensamento mútuo da sociedade, fazer da arte um mecanismo de estabilidade emocional para as pessoas, mantendo a esperança de que vamos nos recuperar dessa situação”, finaliza o artista.

    Produzindo como educador musical e artista, Jeferson Mariano se ocupa com videoaulas, conteúdo para o Youtube e arranjos. De acordo com Jeferson, tudo será diferente após a pandemia.

    “Esse período de isolamento consolidará em definitivo as redes sociais como ferramentas vitais para nós artistas. Inclusive, acho que as lives, com o chamado “cover digital”, chegam para ficar, para mudar a cena imprimindo um novo paradigma a respeito das apresentações artísticas e o relacionamento entre o artista e o público’’.

    Karen Francis relembra que é necessário utilizar tempo com sabedoria
    Karen Francis relembra que é necessário utilizar tempo com sabedoria | Foto: Divulgação

    Pressão

    Em meio à pandemia, surgiu também a pressão para a produtividade, o que pode afetar e desestimular não somente os artistas, mas todos os trabalhadores. A artista Karen Francis defende que o processo de criação deve ser natural. “Logo no início, eu acreditava que tinha que usar todo esse meu tempo ocioso, que acabamos ganhando nesse período. Trabalhando em casa, achava que tinha que correr com as composições para dar o melhor resultado possível”.

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    O segredo para aproveitar ao máximo esse momento, de acordo com Karen, é o equilíbrio. Apesar de surgir mais tempo disponível, não se pode esquecer que a pandemia também acarretou muitos sentimentos negativos.

    “Com o passar dos dias, eu fui me acalmando e tudo está acontecendo de forma mais natural que antes. Vou respeitando esse momento delicado que a gente tá vivendo, para trabalhar com melhor qualidade. Não tô mais nessa corrida, vou escrevendo quando posso, e de uma forma mais saudável”.

    O músico Jeferson Mariano definiu a arte como válvula de escape para a situação, e vê a produção de forma benéfica estimula a criação. “Nessa loucura toda, a música surge para manter a mente sã”, finaliza.