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    Protagonismo feminino em série 'Killing Eve' incomoda homens

    Segundo o escritor britânico Luke Jennings, thrillers foram 'colonizados' nos últimos anos por ideais machistas e xenofóbicos

    Personagem que dá nome à série, a Eve Polastri de “Codinome Villanelle” também é bem diferente daquela que já registramos na mente como Sandra Oh
    Personagem que dá nome à série, a Eve Polastri de “Codinome Villanelle” também é bem diferente daquela que já registramos na mente como Sandra Oh | Foto: Divulgação

    Uma assassina sob encomenda russa, Villanelle, a charmosa sociopata popularizada pela série de TV “Killing Eve”, poderia muito bem ser uma vilã de filme de James Bond. Tanto é que o agente secreto britânico foi uma das principais referências do escritor Luke Jennings, de 67 anos, para criar a personagem, vivida por Jodie Comer na televisão.

    ''Quando li os livros de James Bond nos anos 1960, havia essa ideia de que viajar para cidades capitais era algo glamoroso. Hoje, viajar é horrível'', recorda o autor britânico, ''queria dar aos leitores um sentimento de retorno a essas locações glamorosas, essa excitação de conhecer lugares interessantes''.

    'Killing Eve': Nova temporada investiga o passado das protagonistas

    É o que se percebe em “Codinome Villanelle”, primeiro da série de três livros que inspiraram a série. Nele, há mais detalhes do que na série da BBC America sobre a vida luxuosa de Villanelle em Paris, que inclui acompanhar desfiles de alta-costura da primeira fila ou ménages à trois com uma amiga rica e entendiada e um bonitão qualquer, além de missões pelos lugares mais quentes de Xangai. Há também grandes diferenças na trama, que em sua versão televisiva teve uma primeira temporada com texto comandado por Phoebe Waller-Bridge, atriz e roteirista que virou sensação mundial com a série “Fleabag”. Algo que Jennings, que colaborou com a produção, diz não se importar. 

    ''Somando as três temporadas, temos 24 horas de roteiro, então mais eventos precisavam acontecer. Fico muito feliz em saber que as escritoras sentiram que podiam seguir seus próprios caminhos e fazer o que funcionava melhor para a TV''.

    Lançado recentemente no Brasil em ebook pela Suma, selo da Companhia das Letras para gêneros como terror, fantasia e ficção científica, “Codinome Villanelle” será lançado posteriormente no Brasil em edição física, ainda sem data exata diante da pandemia do coronavírus, bem como suas continuações. Já a terceira temporada de “Killing Eve” chega no Globoplay no segundo semestre. Lá fora, a quarta temporada já está confirmada.

    Uma outra Eve

    Personagem que dá nome à série, a Eve Polastri de “Codinome Villanelle” também é bem diferente daquela que já registramos na mente como Sandra Oh. Se no livro não há indicação clara sobre a etnia da investigadora, a escolha de Oh fez com a atriz fosse a primeira mulher de origem asiática a vencer dois Globos de Ouro. Com 48 anos, a atriz também entrega uma Eve mais madura e enigmática, embora com as mesmas inseguranças, do que a personagem de 29 anos do livro.

    ''A idade não era uma questão. Sandra tem é perspicaz e engraçada. Ela sabe ser autodepreciativa e modesta. Eu não imaginava uma Eve que fosse coreana canadense, mas a sua performance é muito fiel à personagem, e é isso o que realmente nos preocupava''.

    A Villanelle de Jodie Comer, por outro lado, diz Jennings, é exatamente como ele vislumbrava a bela e perigosa assassina. Um leitor voraz de thrillers, Jennings, que antes dividia a carreira de autor com o posto de crítico de dança do jornal britânico “The observer”, diz que há muito sonhava em escrever sobre uma mulher psicopata diante de sua impaciência com alguns livros mais recentes do gênero.

    ''Nos últimos anos, o gênero havia sido colonizado por um tipo particular de escritores machões, especialmente na ficção americana. Eram personagens machistas, de inclinação política de direita, então queria subverter tudo isso. Não são livros divertidos, há muito pouco humor neles'', conta Jennings, que diz ter recebido críticas de alguns homens inconformados por ter centrado a ação nas mulheres.

    ''Alguns leitores homens disseram que meus livros não eram “thrillers de verdade”. É porque os livros não tinham os ingredientes que eles queriam, como xenofobia e ideais muito chatos. Então, tudo bem por mim!''

    *Com informações do O Globo