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    Música Brasileira


    Quase duas décadas sem Cássia Eller e sua ‘malandragem’

    Com voz forte e grande presença no palco, Cássia Eller flertou com a música desde cedo e se tornou uma das cantoras mais marcantes da música brasileira

    Cássia Eller é uma das artistas mais importantes do Brasil
    Cássia Eller é uma das artistas mais importantes do Brasil | Foto: Divulgação

    Manaus - No dia 29 de dezembro de 2001, o Brasil perdia uma das vozes mais marcantes de sua história musical. Cássia Rejane Eller, que só pedia a Deus “um pouco de malandragem”, percorreu uma trajetória de sucesso na música dos anos 90 e, até hoje, é lembrada como uma das grandes artistas do rock brasileiro.

    As performances da cantora empregavam vários elementos que faziam o público vibrar. A educadora social Carla Soares, de 29 anos, relembra que o maior sonho de infância era presenciar um show da Cássia Eller. ‘’Com 7 anos, eu ouvia junto com meu pai o terceiro álbum, de 1994, e fui gostando cada vez mais. Pedia o tempo todo para me levar em um show dela’’.

    O ídolo de adolescência permaneceu sendo a cantora, e Carla compartilha que a diversão dela era entrar em sites para pesquisar sobre a Cássia Eller e imprimir fotos e fazer recortes de revistas com a artista. ‘’Eu tinha uma espécie de ‘acervo Cássia Eller’, coisa de fã mesmo’’.

    Cássia Eller conquistou milhares de fãs com os grandes sucessos
    Cássia Eller conquistou milhares de fãs com os grandes sucessos | Foto: Divulgação

    Com tanta paixão pela cantora, o pai acabou cedendo e prometeu que levaria Carla para um show da cantora quando fizesse 12 anos. A maior frustração da fã é nunca poder ter ido à uma apresentação. “Quando eu tinha 11 anos, a Cássia Eller morreu. Chorei muito e fiquei em choque, mas continuo fã até hoje’’.

    Inspiração

    Trabalhando como cantor e compositor, Danilo Strada, de 32 anos, se inspira muito nas obras de Cássia Eller. “Ela e outros artistas da época serviram para me ‘nortear’ como músico. Para mim, a musicalidade dela passeava por todos os estilos musicais de forma espetacular, com uma voz rasgada que, antes, eu só tinha ouvido em Cazuza’’.

    O cantor conheceu o trabalho de Cássia Eller em meados dos anos 90, através de uma interpretação de Beatles do disco Ao Vivo de 1996. “Fiquei louco para adquirir o CD e ouvir as demais músicas’’ afirma Danilo.

    Cássia Eller discursava com gêneros de rock alternativo e MPB, e, para o cantor Danilo, se a artista ainda estivesse viva, buscaria caminhos diferentes. “Em alguns momentos, ela traz tons mais suaves, creio que, hoje, não teríamos uma Cássia tão roqueira como foi nos anos 90’’, comenta o músico. “Uma pena termos pedido tão jovem uma cantora que ainda tinha muito a representar para nossa música brasileira”.

    Fãs lamentam a perda da cantora
    Fãs lamentam a perda da cantora | Foto: Divulgação

    Paixão

    O analista de sistemas Raphael Parett, de 28 anos, tem uma paixão imensurável pela cantora, que começou desde a infância. ‘’Com 5 anos, ouvi a música “Por Enquanto” ,na voz da Cássia pelo rádio. Aquele momento eu tive um interesse pela música maior do que já havia’’, lembra Raphael.

    Raphael conta que praticamente cresceu ouvindo Cássia Eller, e cada vez mais aumentava o interesse pela cantora. “Era diferente das outras tantas músicas. Eu ia para o colégio ouvindo sempre o mesmo CD da Cássia. O único que eu tinha, na época, era da coletânea “Millenium”, e tinha os 20 maiores sucessos dela”.

    Em 2001, Raphael também teve o sonho de presenciar um show da artista. Com 10 anos, ele planejava, junto com a família, assistir ao show que a Cássia faria na Barra da Tijuca na virada do ano. “Eu estava muito animado e só pensava nisso”, recorda o analista.

    Mas o improvável aconteceu, Cássia Eller faleceu, na véspera do show. “Eu fiquei sabendo pelo jornal, e essa noite não sai da minha cabeça. Lembro que me tranquei no quarto e desabei de tanto chorar. Eu morava próximo do cemitério, mas meus pais não me deixaram ir ao enterro’’, lamenta Raphael.

    Cássia Eller é uma das artistas mais importantes do Brasil
    Cássia Eller é uma das artistas mais importantes do Brasil | Foto: Divulgação

    A paixão não acabou nesse momento, Raphael conta que fez uma promessa que cumpre até hoje. “Prometi que iria três vezes ao ano deixar flores para a Cássia no cemitério Jardim da Saudade. Em 2002, foi a primeira visita, e eu chorei como nunca”.

    Atualmente, o analista ainda honra a memória da artista, e se espelha na personalidade dela. “Nesses anos todos, eu descobri o quanto a Cássia era extraordinária. Algumas atitudes chegam a ser parecidas com as minhas e, com isso, eu me identifico mais e mais. A timidez, principalmente, que era notável na vida dela e também na minha”.

    Carreira

    Grande sucesso dos anos 90, Cássia Eller teve interesse pela música muito cedo, quando ganhou um violão de presente, aos 14 anos, e tocava principalmente músicas dos Beatles. Em sua trajetória, cantou em coral, fez testes para musicais, trabalhou em óperas, e foi até cantora de um grupo de forró.

    Cássia Eller foi uma voz marcante do Brasil
    Cássia Eller foi uma voz marcante do Brasil | Foto: Divulgação

    Cássia Eller começou a ficar conhecida apenas em 1989, quando foi contratada pela gravadora PolyGram. Ela lançou 10 discos em toda a carreira. As composições ‘’Malandragem’’, ‘’O Segundo Sol’’ e ‘’Relicário’’, são algumas das músicas de sucesso da artista.

    Homossexual assumida, Cássia Eller morava com a parceira Maria Eugênia Vieira Martins, que criava o filho da cantora, Francisco. O menino, apelidado de Chicão, nasceu de um relacionamento com o baixista Tavinho Fialho. O pai morreu meses antes do nascimento do menino, vítima de um acidente automobilístico.

    Cássia Eller faleceu em 29 de dezembro de 2001, com 39 anos, no auge de sua carreira, em razão de um infarto do miocárdio repentino. Foi levantada a hipótese de overdose de drogas, já que era usuária de cocaína desde adolescente. A suspeita foi considerada inicialmente como causa da morte, porém foi descartada pelos laudos periciais do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro.