Homenagem


‘Os bons morrem jovens’: quase 24 anos sem Renato Russo

Em vida, Renato Russo estaria completando 60 anos. O cantor deixou um legado de peso para as gerações futuras

As composições de Renato Russo são fortes e permanecem atuais
As composições de Renato Russo são fortes e permanecem atuais | Foto: Divulgação

Manaus - A voz do Legião Urbana responsável por eternizar as canções “Que País É Esse?’’, “Eduardo e Mônica’’ e “Faroeste Caboclo’’, Renato Russo, quase 24 anos após sua morte, ainda representa a geração “que acredita no futuro da nação’’.

Como ele mesmo cantava em ‘Love In The Afternoon’: “os bons morrem jovens”. Renato Russo foi cedo demais. O cantor morreu aos 36 anos de idade, devido a complicações decorrentes da Aids, em 1966.

Entretanto, o legado do icônico músico nascido no Rio de Janeiro, que cantava músicas com letras carregadas de mensagens sobre corrupção, fascismo e críticas sociais, segue forte, e as composições fazem parte da trilha sonora de vários protestos em todo o Brasil.

Além de cantor, Renato Russo também foi compositor, produtor e até professor. Antes de integrar o Legião Urbana, participou do grupo Aborto Elétrico, onde compôs as primeiras músicas.

Renato Russo deixou uma grande legado na música
Renato Russo deixou uma grande legado na música | Foto: Divulgação

Legião Urbana

Formado no mesmo ano em que o Regime Militar finalizava, Renato Russo integrou o Legião Urbana ao lado de Dado Villa-Lobos, Renato Rocha e Marcelo Bonfá.

O amazonense Jefferson Barata, de 49 anos, acompanhou o nascimento e o sucesso da banda, e afirma que o cantor era o protagonista do grupo, considerado um dos de maior influência norock nacional.

“A banda, como um todo, fazia muito sucesso, mas o Renato Russo tinha um destaque a mais. Os jovens se identificam muito com ele’’, conta.

Compartilhando o gosto musical com a filha Gabriela de Lima, de 20 anos, Jefferson fala que as letras de Renato Russo significaram muito para a cultura e para a sociedade. “Ele falava da exploração do trabalhador, de racismo, instigava quem ouvia a pensar’’, diz Jefferson.

Por olhar a importância das composições e ser fã das músicas, Gabriela cresceu ouvindo Legião Urbana e admira o cantor. “Sempre gostei muito do Renato Russo, e o olho como uma figura marcante para o rock brasileiro, que desafiou e moldou o pensamento de muita gente, principalmente na questão de discriminação contra os homossexuais’’. Canções como “Meninas e Meninos’’ e “Soldados’’ abordaram o tema, além do artista serassumidamente bissexual.

Cena do filme Faroeste Caboclo
Cena do filme Faroeste Caboclo | Foto: Divulgação

Poeta

“Ele não era somente um cantor, acima de tudo, ele era um poeta’’. Essa é a fala de Nilson Monteiro, de 43 anos. O fã de Renato Russo refletiu sobre a morte precoce do artista e compartilhou que foi um momento de tristeza nacional.

“Ficamos arrasados, e surgiu ainda um boato afirmando que ele tinha cometido suicídio. Por algum tempo, só se falava nisso’’. Renato Russo descobriu o HIV em 1989, mas nunca havia assumido publicamente a doença, o que levantou diversos boatos na época.

Com músicas marcantes, Nilson ouve Renato Russo até hoje e reflete sobre o sucesso que seria atualmente. “A musicalidade dele transcende épocas. Ele não foi eternizado somente pela morte, acredito que Legião Urbana ainda teria o mesmo impacto, talvez até maior, se ele ainda estivesse na banda hoje’’, afirma.

As composições de Renato Russo são fortes e permanecem atuais
As composições de Renato Russo são fortes e permanecem atuais | Foto: Divulgação

Homenagens

É impossível medir todo o impacto que Renato Russo causou na música brasileira ou o dissociar do grupo Legião Urbana, onde pôde realizar grande parte da atuação, mas é perceptível que o cantor abriu portas e inspirou muitas bandas da atualidade.

Artistas como Vanessa da Mata, Chorão e Capital Inicial já homenagearam o cantor, com um álbum regravando músicas do Legião Urbana e a oitava edição do “LABRFF - Los Angeles Brazilian Film Festival”, importante festival do cinema brasileiro fora do Brasil também relembrou a trajetória e a influência deRenato Russo.

Faroeste Caboclo, composição do cantor, já foi adaptada para o cinema, e Eduardo e Mônica também se preparam para ganhar versão nas telonas.