Leitura


Protagonismo feminino na literatura amazonense

Astrid Cabral, Elizabeth Azize, Regina Melo, Vera do Val e Violeta Branca são alguns dos nomes de destaque na literatura amazonense

Grandes mulheres fazem parte da história da literatura amazonense
Grandes mulheres fazem parte da história da literatura amazonense | Foto: Divulgação

Manaus - O mistério da floresta e o encanto dos rios servem de inspiração para grandes obras literárias no Amazonas, e, nesse celeiro de grandes escritores, o protagonismo feminino é brilhante. O Portal EM TEMPO relembra a atuação de grandes escritoras amazonenses e suas principais obras.

| Foto: Leonardo Lemos

Astrid Cabral

A poetisa, contista, professora e funcionária pública nasceu em 1936 no Amazonas e iniciou os estudos em Manaus, onde integrou o movimento renovador Clube da Madrugada. Na adolescência, transferiu os estudos para o Rio de Janeira, onde formou-se em Letras Neolatinas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Língua Inglesa pelo Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU).

Lecionou língua e literatura na Universidade de Brasília (UnB), onde integrou a primeira turma de docentes, saindo em 1965 em consequência do Golpe Militar. Em 1968, ingressou por concurso no Itamaraty, tendo servido como Oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute, Rio e Chicago. Com a Anistia, em 1988 foi reintegrada à UnB.

Na área cultural, escreveu poesias e os mais variados trabalhos, ganhando importantes prêmios, além de colaborar com jornais e revistas. Nas poesias, Astrid constantemente utilizava cenários e características regionais, como na poesia “Minha infância é hoje aquele peixe de prata que me escorregou da mão como se fosse sabão. Mergulho no antigo rio atrás do peixe vadio’’

| Foto: divulgação

Regina Melo

Jornalista, escritora, poeta, compositora e produtora de audiovisual, a amazonense escreveu poemas e romances com temáticas manauaras, e produziu e desenvolveu pesquisas, dentre as quais se destacam as publicações em livros sobre “A História do Abastecimento de Água de Manaus” e “História do Saneamento de Manaus”.

A obra de destaque da Regina é o romance “Ykamiabas - filhas da lua, mulheres da terra”, que embasou o enredo da escola de samba carioca Acadêmicos da Rocinha, em 2010, e “Oceano Primeiro - mar de leite, rio da criação”. Ambos integram a trilogia mitológica inspirada na composição dos elementos básicos da natureza.

| Foto: Divulgação

Vera do Val

A escritora manauara retrata a Amazônia em diversas obras, sendo o tema principal de livros premiados no Jabuti de 2008, na categoria de conto e crônica, e o Prêmio Literário Cidade de Manaus de 2007.

O livro de maior destaque é ‘’Histórias do Rio Negro’’, que traz um clima regional e o cotidiano dos povos ribeirinhos. A obra ‘’O imaginário da floresta’’ também merece menção por reunir histórias contadas ao anoitecer das ribeirinhas, com temas como o Rio Negro, o Rio Solimões, o índio Ajuricaba e lendas indígenas.

| Foto: Divulgação

Elizabeth Azize

Natural de Manacapuru, Elizabeth é escritora, professora, advogada, jornalista e política brasileira que foi deputada federal pelo Amazonas, sendo bacharel em direito pela Universidade Federal do Amazonas em 1964, com especialização pela Universidade de Lisboa em 1971.

Sua principal obra ‘’E Deus Chorou Sobre o Rio’’ narra a história dos sírios e libaneses na Amazônia. A autora conduz o leitor a uma viagem pelos rios, cidades e terras amazônicas.

| Foto: Divulgação

Violeta Branca

Pioneira na poesia amazonense, Violeta foi a primeira mulher a ingressar numa Academia de Letras no Brasil. Ocupou a Cadeira número 28 da Academia Amazonense.

Homenageada constantemente entre outros escritores como Genesino Braga, Tenório Telles e Marcos Frederico Krüger e Almir Diniz, que no livro “Mulheres”, a relembrou no soneto intitulado Canto de Liberdade. Violeta Branca, segundo Tenório Telles, pertence à primeira fase do modernismo.

Em 1935, aos 19 anos, publicou seu primeiro livro de poesia “Ritmos de Inquieta Alegria”. Dois anos depois, Violeta casou se mudou para o Rio de Janeiro, mas continuou publicando poemas na revista amazonense “A Selva”. Somente após 47 anos, em 1982, publicou “Reencontros - Poemas de Ontem e de Hoje”, segundo e último livro. A escritora morreu no dia 07 de outubro de 2000.