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    Ídolo


    'Só os Loucos Sabem': há sete anos o rock brasileiro perdia Chorão

    Mas o som que “Só os Loucos Sabem” continua fazendo parte da trajetória de vários fãs do Charlie Brown Jr. Em vida, Chorão completaria 50 anos em 2020

    Chorão era aclamado pelo público nas apresentações ao vivo
    Chorão era aclamado pelo público nas apresentações ao vivo | Foto: Divulgação

    Manaus - Há sete anos, o rock brasileiro perdia um dos seus grandes protagonistas. Alexandre Magno Abrão, o “Chorão”, cantava “que não queria guerra com ninguém”, mas deixou os fãs em pedaços com a partida repentina, no dia 6 de março de 2013. Mas o som que “Só os Loucos Sabem” continua fazendo parte da trajetória de vários admiradores do Charlie Brown Jr. Em vida, Chorão completaria 50 anos em 2020.

    Com uma agenda de shows constantemente lotada e uma legião de fãs em todo país, O Charlie Brown Jr foi uma das principais bandas de rock brasileiro, e deixou uma marca forte no gênero. Imagem do jovem ‘’rebelde’’, o skatista e cantor Chorão tinha uma longa lista de polêmicas, o que contribuiu para a visão e identificação do público.


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    Em um dos últimos shows que a banda realizou em Manaus, no Píer do Tropical Hotel, na Ponta Negra, Zona Oeste, para Summer Fest 2012, o fã Matheus Silva, de 26 anos, esteve presente e sentiu toda a energia que Chorão passava no palco. ‘’Nesse dia, eu tinha marcado com uns amigos para irmos em grupo, mas acabamos nos separando na entrada, então eu aproveitei para ficar na frente do palco’’, relembra o fã. “Durante todo o show, teve uma energia muito boa, parecia que ele sentia que estava perto do fim, e tinha que provar alguma coisa’’, completou.


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    No fim do show, amigos de Matheus afirmaram que o cantor se ajoelhou para o público e fez um agradecimento memorável na ocasião. “Infelizmente eu não fiquei até o final da apresentação e me arrependo muito. Essa foi uma oportunidade única, e o pessoal que estava comigo me contou sobre o fato dele ter se ajoelhado, gostaria muito de ter visto isso’’.

    Carreira

    Apesar dos altos e baixos, Chorão deixou um legado forte no cenário nacional. Além de cantor e skatista, ele também foi compositor, cineasta, roteirista e empresário. A banda Charlie Brown Jr, que garantiu o sucesso do artista, ainda é um grupo de renome na música brasileira, e lançou dez discos que venderam mais de cinco milhões de cópias.

    Chorão conquistou milhares de fãs
    Chorão conquistou milhares de fãs | Foto: divulgação

    Ícone de uma geração, as canções do grupo Charlie Brown Jr serviram como ensinamentos para os fãs, que se espelharam nas letras de ‘’Só os Loucos Sabem’’, ‘’Pontes Indestrutíveis’’, “Zóio de Lula”, “Céu Azul” e ‘’Dias de Luta, Dias de Glória’’.

    Polêmicas

    Com uma infância e adolescência difícil, Chorão parou de estudar na sétima série, e frequentemente tinha problemas com a polícia. Ao ganhar sucesso na carreira, o gênio forte do cantor era tema de várias polêmicas.

    Uma das notícias mais repercutidas ocorreu em 2005. Os colegas de banda no Charlie Brown Jr relatavam que o convívio com Chorão era difícil, e, durante uma discussão, todos os integrantes na época - o guitarrista Marcão, o baterista Pelado e o baixista Champignon – deixaram o grupo.

    Chorão se envolveu em diversas polêmicas durante a vida
    Chorão se envolveu em diversas polêmicas durante a vida | Foto: Divulgação

    Em vários momentos, Chorão teve episódios violentos, e chegou a dar um soco e quebrar o nariz de Marcelo Camelo, cantor da banda Los Hermanos, além de discutir frequentemente com fãs.

    Após a morte do cantor por overdose, familiares afirmaram que Chorão era dependente de drogas, e se negava a procurar tratamento contra a dependência. Viciado em cocaína, o cantor teve várias recaídas ao longo dos anos, o que fez os familiares chegarem a procurar um advogado para providenciar a internação involuntária dele, o que não foi possível devido intervenção do trabalho. Em 2013, ele foi encontrado morto, vítima de uma overdose de cocaína.

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    Raízes no skate

    Uma das características mais marcantes na personalidade de Chorão, era a paixão pelo skate. Considerado um ativista do esporte, era comum ver referências nos clipes, letras e shows.

    O fã manauara Caio Nogueira, de 22 anos, foi influenciado por essa paixão. “Na realidade, alguns amigos meus já andavam de skate, mas eu tive mais vontade de aprender vendo o Chorão e o estilo de vida skatista dele’’, compartilhou.

    Em uma das últimas apresentações em Manaus, Chorão se ajoelhou ao público
    Em uma das últimas apresentações em Manaus, Chorão se ajoelhou ao público | Foto: Divulgação

    Chorão participou em campeonatos de skate quando jovem, antes de integrar o grupo Charlie Brown Jr, e foi uma das inspirações de Caio. “Eu não era tão bom assim, mas gostava da ideia de ter algo em comum com um dos cantores de quem eu mais gostava. Praticava bastante, e cheguei a participar de um campeonato amador de skate’’, lembra o fã. “Eu tinha muita vontade de ir ao Chorão Skate Park, em São Paulo, e fiquei chateado quando soube que foi demolido’’.

    O Chorão Skate Park foi uma pista de skate aberta pelo próprio cantor Chorão em 2005, e sediou não só campeonatos de skate, mas também shows da banda Charlie Brown Jr. Após a morte do cantor, o local não conseguiu se manter, e foi demolido em 2014.