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    Novo álbum


    Confira a entrevista com Adriana Calcanhotto sobre o álbum 'Só'

    Em entrevista ao EM TEMPO, a cantora Adriana Calcanhotto falou sobre o processo de criação para o álbum “Só”, produzido durante a quarentena, em 43 dias

    Adriana Calcanhotto compôs o álbum ''Só'' em 11 dias
    Adriana Calcanhotto compôs o álbum ''Só'' em 11 dias | Foto: Divulgação

    Manaus - “Em tempos de quarentena, nas sacadas, nos sobrados, nós estamos amontoados e sós. O que temos são janelas”. O trecho integra a música “O Que Temos”, da cantora e compositora Adriana Calcanhotto, e faz parte do álbum “Só”, escrito, produzido e gravado totalmente em 43 dias, durante o período de pandemia.

    A produção ocorreu ao lado do compositor Arthur Nogueira e surgiu com o desafio de Adriana Calcanhotto escrever uma música por dia. Impedida de voltar para Coimbra, em Portugal, onde leciona e é embaixadora da universidade que carrega o nome da cidade, Adriana Calcanhotto permaneceu em Rio de Janeiro, onde atingiu a meta, finalizando as composições em 11 dias.

    "

    Em 11 dias eu tinha trinta minutos de música. É um álbum em estado bruto "

    Adriana Calcanhotto,

    Na ficha do álbum, é possível conferir o dia e até a hora exata em que cada canção foi escrita. “O Que Temos’’, por exemplo, foi escrita 30 de março, às 21h20. 

    Em entrevista ao Portal EM TEMPO, a cantora explicou sobre o novo processo criativo e outros aspectos das composições.

    EM TEMPO - O método de criar hábitos e o desafio de compor uma música por dia foi o impulsionador para a criação do novo álbum, mas, em algum momento, essa forma de composição lhe desagradou ou instigou ainda mais a produção?

    Produção do novo álbum durou 43 dias no total
    Produção do novo álbum durou 43 dias no total | Foto: Divulgação

    Adriana Calcanhotto - Esse método que adotei é bastante instigante e desafiador ao mesmo tempo. Eu decidi compor uma canção por dia, pelas manhãs, mas ter essa disposição não significa a certeza de conseguir, de que essas canções iriam sair. “Só” não nasceu como álbum, acabou se tornando um. Foi um jeito diferente de lançar um disco, sem dúvida. Eu nunca tinha lançado um trabalho nesse tempo, nem nunca tinha composto uma música atrás da outra.

    ET - O álbum ‘’Só’’ parece ter vindo em um ‘’surto’’ de criatividade. O processo de criação fluiu de forma natural, com a rotina da quarentena, e o resultado foi como a senhora esperava?

    AC - O que me inspirou a compor na quarentena foi a própria quarentena. Uma oportunidade que esse retiro social nos dá de foco, de estar em casa com menos interrupções, isso propicia um ambiente, para mim, de concentração e ócio criativo. As notícias do dia a dia também acabaram me influenciando muito. Acho que ficou além do que eu esperava, porque não esperava conceber um disco.

    Capa do álbum ''Só''
    Capa do álbum ''Só'' | Foto: Divulgação

    ET - A senhora teve influência musical de outros artistas brasileiros nas composições e ritmos?

    AC - Sim, tive colaborações de diferentes músicos, principalmente depois das composições. O Arthur Nogueira chamou alguns, outros eu convidei. O disco foi arranjado, gravado e produzido entre São Paulo, Rio, Belém, Salvador, Orlando e Tóquio. É bacana isso, um lá, outro cá. Cada coisa feita em um lugar me dá uma sensação quente nas faixas.

    ET - Em vários momentos de crise no Brasil, as músicas foram meios que davam voz à população. As composições do álbum ‘’Só’’ refletem e historiam, de alguma forma, o momento de crise sanitária e política que vivemos?

    AC - A gente nunca sabe como o trabalho vai bater, de que maneira vai chegar até as pessoas, mas eu queria fazer algo que estivesse ao meu alcance. A cada dia, era um estado de espírito predominante em função dos acontecimentos. Angústias, pequenas alegrias, revolta, indignação, enfim, uma série de emoções. Refletem, sim, porque todas as canções têm o mesmo plano de fundo, a pandemia, o pandemônio, incertezas quanto ao futuro.

    ET - O atual governo tem mostrado uma visão equivocada da importância da cultura. Como a senhora,, pessoalmente, vê esse posicionamento e defende a atuação dos artistas, principalmente nesta situação atípica de pandemia?

    AC - Eu não sei avaliar a importância da cultura no governo Bolsonaro porque eu não acho que exista de fato uma importância, não existem políticas voltadas à cultura.

    Adriana Calcanhotto lançou o primeiro disco em 1990
    Adriana Calcanhotto lançou o primeiro disco em 1990 | Foto: Divulgação

    ET - A experiência de lecionar e ser embaixadora na Faculdade de Coimbra trouxe nova visão do cenário musical?

    AC - Estudar para poder ensinar como fazer canções é um sonho. Uma coisa interessante que a vida acadêmica me ensina constantemente é a organização do tempo, cronogramas mais bem planejados. Isso, na música, costuma ser um pouco mais caótico. A vida acadêmica é planejada com muito mais antecedência.

    ET - Além da música, a senhora planeja novamente atuar em outros setores da arte, como o teatro e literatura, no futuro?

    AC - Infelizmente, o momento que vivemos não é propício para se fazer planos. Mas quero sempre transmitir os poemas, as letras, não importa se é um poema ou uma música.

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