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    Soberano das toadas


    A história marcante de David Assayag no Festival de Parintins

    Em entrevista ao EM TEMPO, o imperador relembrou momentos marcantes e falou sobre não entrar no bumbódromo, pela primeira vez, em junho este ano

    David Assayag é um dos principais nomes do Festival
    David Assayag é um dos principais nomes do Festival | Foto: Michael Dantas

    Manaus - 1ª noite de apresentação do Festival de Parintins, em 2012, de uma altura de 67 metros, trazido por guidaste, David Assayag entra na arena cantando a toada “Sensibilidade”, que diz, no primeiro trecho, “Vou cantar de azul para o meu Caprichoso, vou emocionar o mundo. Essa emoção vai me guiar”, deixando a galera verdadeiramente emocionada, mas esse é só um dos milhares de momentos marcantes do imperador no bumbódromo de Parintins.

    Porém, em 30 anos de carreira no Festival, esse ano será a primeira vez que David Assayag não irá entrar e emocionar a galera no Bumbódromo no mês de junho. Isso porque, devido à pandemia da Covid-19, o evento não vai acontecer no período tradicional, além de correr o risco de ser cancelado em 2020.

    Desde 1990, quando participou do Festival pela primeira vez, a Voz da Amazônia, como também é conhecido, não decepcionou em nenhuma edição, mostrando-se sempre o item mais impecável, tanto no Boi Caprichoso, quanto no Boi Garantido.

    Em 2020, David Assayag mantém a esperança de ainda performar no Bumbódromo, mesmo que não no mês nem na situação típica. “Há possibilidades para o Festival ainda ocorrer neste ano, possivelmente em novembro. Acredito que não será a mesma coisa, mas é um evento importante para o estado’’, defendeu o levantador de toadas do Caprichoso.

    Festival Folclórico de Parintins 2016
    Festival Folclórico de Parintins 2016 | Foto: Ione Moreno
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    É inviável acontecer se continuarmos com essa situação da pandemia que nos preocupa, mas nosso pensamento é que o quadro já esteja controlado até lá "

    David Assayag,

    Toadas

    A trajetória como levantador de toadas é longa. David Assayag coleciona bons momentos dos anos que se dedica ao Festival Folclórico de Parintins. Um dos principais nomes, não só da maior festa folclórica da Região Norte, mas também da cultura amazonense, o Imperador eternizou toadas e garantiu sucesso nacional com as interpretações.

    A faixa ‘’Vermelho’’, na voz de Assayag, chamou a atenção não só do público brasileiro, mas fez sucesso também em Portugal. A cantora Fafá de Belém contribuiu com a canção, que permanece até hoje como uma das toadas clássicas do Garantido.

    “Tem duas toadas do Caprichoso que não podem faltar no repertório: ‘Sensibilidade’ e ‘Meu Amor é Caprichoso’. Já no Garantido, ‘Vermelho’ e ‘Lamento de Raça’ são as preferidas dos torcedores, mas, para mim, todas têm uma emoção diferente e importante’’, comentou Assayag.

    Entrada de David Assayag na 47º edição do Festival
    Entrada de David Assayag na 47º edição do Festival | Foto: Divulgação

    Momentos marcantes

    Além da entrada na 47ª edição do Festival Folclórico de Parintins, que marcou a memória dos torcedores e é considerada um dos momentos mais inesquecíveis das performances no Bumbódromo, Assayag relembrou também a edição de 1999, quando as grandes alegorias entraram como um dos componentes das apresentações.

    “Foi a primeira vez que eu participei de uma alegoria, mas houve vários momentos marcantes, experiências que só o Festival proporciona”, diz emocionado.

    | Foto: Divulgação

    Caprichoso e Garantido

    Levantador de toadas oficial no Caprichoso e no Garantido, Assayag defendeu ambos os bumbás em anos diferentes. Natural de Parintins, o cantor passou boa parte da infância em Belém, no Pará, e, quando retornou à cidade natal, mergulhou de cabeça no Festival.

    Como item oficial, o Imperador iniciou somente em 1990 como apoiador, mas desde 1980 Assayag canta no Boi Caprichoso.

    Entre 1994 e 2009, a Voz da Amazônia foi levantador de toadas no Garantido, e, em 2010, retornou às origens, no Caprichoso, onde permanece até hoje. “Não penso em parar agora, ainda tenho muitos anos para dedicar ao Festival. Mas o futuro só pertence a Deus”, afirma.

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