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    Arte do grafite


    Arte urbana: Grafite em vias públicas iluminam cotidiano em Manaus

    Com elementos amazônicos, os grafiteiros revitalizam vias públicas de Manaus e humanizam o cotidiano da população

    Avenida Djalma Batista com arte de Rogério Arab
    Avenida Djalma Batista com arte de Rogério Arab | Foto: Marcio James/Secom

    Manaus – Com elementos amazônicos, cores vivas e estilos próprios, artistas de Manaus deixam sua marca em vários pontos movimentados da capital amazonense. Muros de viadutos e locais públicos recebem um novo aspecto com o olhar profissional de grafiteiros.

    As obras que servem de cenário no dia-a-dia amazonense vão muito além de desenhos bonitos: elas escondem um mundo de trabalho, perseverança e motivação. Rogério Arab, um dos pioneiros do grafite no Amazonas, trabalha há 25 anos no ramo e o tempo de experiência reflete na atividade.

    Trazendo o projeto chamado ‘’Amazônia Urbana’’ que busca humanizar viadutos com a arte do graffiti, Arab explora artes tridimensionais – 3D – com figuras regionais, em maioria, animais.

    ‘‘Eu gosto de tratar a nossa fauna dentro da arte urbana, e isso acaba nos passando novos conceitos de expor nossa Amazônia, totalmente diferente do tradicional’’, afirma o artista, ‘’de forma surreal, trago a ideia que há o renascimento de uma Amazônia futurista, ao mesmo tempo a gente vai trazendo de volta Amazônia que aqui antes habitava, antes de existir uma metrópole’’. 

    Buscando o regionalismo, Robson Duarte, conhecido como Megart, também utiliza a fauna para apresentar o graffiti. Com experiência desde 2005, o artista vive dessa ocupação desde 2012, e pássaros são as principais figuras retratadas.

    ‘‘Vejo que pássaros tem toda liberdade de se expressar. Onde eu vou, eles estão sempre presentes, têm comunicação com qualquer ambiente. No quintal da minha casa existem várias árvores frutíferas, e todos os dias eles estão lá, numa alegria enorme’’, compartilha Megart, ‘’eu me vejo como um deles, e me apresento como Pássaro Urbanos’’.

    Sereias urbanas

    ‘‘Lute como uma Amazona’’, localizado em uma passagem de nível na avenida das Flores, na Cidade Nova, é uma obra da grafiteira Deborah Erê. A arte foi inspirada nas indígenas We’e’ena e Djuena Tikuna, guerreiras e militantes da causa indígena, e engloba elementos próprios da artista.

    Obra ''Lute como uma Amazona''
    Obra ''Lute como uma Amazona'' | Foto: Arquivo pessoal

    Folhas de vegetações locais e animais regionais são figuras utilizadas para enaltecer a cultura local, mas o recurso que mais identifica o estilo de Erê são as sereias.

    ‘’O símbolo da sereia é a minha marca, por algum tempo minhas personagens de graffiti eram todas sereias. Isso porque, depois de pintar a primeira, me encantei. Quis pintar muitas’’, afirma a artista, ‘’refletindo sobre o sucesso que minhas sereias fizeram e toda a semiótica que está por trás disso, cheguei à conclusão de que as sereias simbolizam uma mulher que é metade animal, que é selvagem, que vive em harmonia com os seres das águas, que protege a natureza, que canta, é senhora de si, poderosa. Mas que também não segue as regras da sociedade’’.

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    A característica é reforçada ao assemelhar a figura da sereia às mulheres reais com características naturais, sem idealizar, sem padrões, e em formas diversas.

    ‘‘Isso criou uma grande identificação do público com a minha arte, principalmente mulheres’’, declarou, ‘’então eu abracei essa sacada, esse encanto, esse amor que eu estava dando e recebendo de volta. Me empoderei dessa poética das sereias reais, e levei ela comigo, estudei e me aprofundei mais sobre esses temas. Hoje eu não faço só sereias, mas elas ainda são muito presentes na minha arte’’.

    Conquistas

    Obra do Megart pelo Projeto ''Amazônia Urbana''
    Obra do Megart pelo Projeto ''Amazônia Urbana'' | Foto: Reprodução/Instagram

     ''O grafite corre no meu sangue'', confessou, orgulhosamente, o artista Robson Duarte. No ofício, o grafiteiro conta que passou por vários episódios de conquistas e oportunidades até ingressar profissionalmente no ramo. 

    ''Em um certo período, eu trabalhava de carteira assinado e trabalhava com o grafite em paralelo, e acabei vendo muitas portas se abrindo com a arte urbana. Tomei a decisão de viver disso e hoje muitas pessoas curtem meus trabalhos, fico feliz com o sentimento de cada um'', conta.

    Uma arte muito apreciada por uns, o grafite não agrada tanto outros. Rogério Arab expressa que apesar de ser reconhecido, nem sempre é respeitado. ''O meu estilo tem seus admiradores, porém não é um estilo de aceitação fácil pois não é tão compreendido. O movimento tá ganhando expansão agora, não é uma coisa massificada, mas fora ele tem muita aceitação''.

    Arte de Rogério Arab
    Arte de Rogério Arab | Foto: Divulgação

    O artista já participou em Festivais Internacionais de Arte Urbana ao lado de grafiteiros de todo o mundo. Mas antes de ganhar esse reconhecimento, Arab teve origens na pichação. 

    ''O grafite engloba várias vertentes, dentre elas, a pichação. São vertentes esteticamente diferentes, porém tem o mesmo sentido de expressão. A arte expressa ponto de vista e você tira suas próprias conclusões'', finaliza.

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