Fonte: OpenWeather

    Curiosidades


    Conheça cinco personagens do folclore amazônico

    Maioria das lendas que criaram os personagens mitológicos são indígenas

    EM TEMPO selecionou cinco lendas para você conhecer ou relembrar
    EM TEMPO selecionou cinco lendas para você conhecer ou relembrar | Foto: Eduardo Duval/Frata Soares/André Leão

    Manaus - O folclore brasileiro é rico em lendas, que são estórias ou contos do imaginário popular, passados de geração em geração. Na região amazônica, existem diversos personagens mitológicos que caracterizam a região. O EM TEMPO selecionou cinco para você conhecer ou relembrar.

    Boto cor-de-rosa

    O boto é um mamífero que vive nos rios amazônicos e possui coloração preta, vermelha ou cor-de-rosa. Muitos ribeirinhos acreditam que o boto cor-de-rosa é capaz de se transformar em um homem bonito e charmoso, que usa roupas e chapéu branco, e frequenta festas onde bebe e dança, encantando as mulheres mais bonitas e levando-as para tomar banho de rio. Ele as leva para o fundo e quando retornam à superfície, estão grávidas.

    Há quem diga que quando as mulheres estão menstruadas, o cuidado deve ser redobrado, pois o boto se sente mais atraído ainda. Os filhos das mulheres tornam-se órfãos de pai. Existem diversas superstições para afastar o boto quando as mulheres precisam atravessar o rio, uma delas diz que jogar alho amassado na água desagrada e afasta o animal, outra diz que é eficaz fincar uma faca na madeira da canoa para afugentá-lo.

    O boto cor-de-rosa é um personagem encantador e sedutor
    O boto cor-de-rosa é um personagem encantador e sedutor | Foto: Eduardo Duval/Frata Soares/André Leão

    Curupira

    O curupira é um personagem mitológico característico da região amazônica. Ele tem os pés virados ao contrário, com os dedos no lado da costa e o calcanhar para o lado da frente do corpo. Em algumas versões possui o cabelo vermelho como fogo e os dentes verdes, ou é totalmente calvo com orelhas enormes.

    Há relatos de que ele é um protetor das florestas, fazendo mal apenas a quem tentar maltratar a fauna ou a flora, preservando o habitat onde vive. Nesses casos, ele arranca os dentes de suas vítimas para usar em seu colar. Os seringueiros são os que mais contam relatos das aparições do ser, acreditando na existência dele e dizendo que existe até uma “Lei da Selva” criada pelo Curupira. Na lei a caça aos domingos é proibida, quem não seguir a regra é amaldiçoado e passa a ter azar em todas as suas próximas caças. Também é proibida a caça quando já há alimento em casa, as punições para quem não cumprir a regra são lapadas de galho pelo corpo.

    Há quem acredite que o Curupira, morador e protetor da floresta, use os animais para indicar a saída da floresta a quem estiver perdido ou indicar o caminho de alimentos para aqueles que precisam.

    Curupira é conhecido por seus cabelos vermelhos como fogo e por ser protetor da floresta
    Curupira é conhecido por seus cabelos vermelhos como fogo e por ser protetor da floresta | Foto: Eduardo Duval/Frata Soares/André Leão

    Iara

    Iara é dita como uma mulher extremamente bela, que mora em um reino encantado no fundo do rio e vem à superfície nas horas mais calmas do dia, geralmente ao anoitecer. Na lenda amazônica, ela era uma guerreira forte e valente, protegia sua aldeia e era orgulho de seu pai. Com inveja, os irmãos de Iara resolveram que iriam matá-la enquanto ela dormia. Quando tentaram, ela os escutou e os matou.

    Iara ficou com muito medo da reação do pai, por mais que ajudasse a aldeia ela deveria receber a pena de morte pelo que fez, e então fugiu. Seu pai iniciou uma busca e só parou quando a encontrou. Depois de morta, o corpo de Iara foi jogado no meio do encontro dos rios Negro e Solimões. Alguns peixes a levaram à superfície e a transformaram em uma bela sereia. Os ribeirinhos acreditam que a bela sereia, de cabelos negros e olhos castanhos, possui o poder de encantar os homens. Quando está admirando sua beleza pelo reflexo da água, ela canta uma melodia, os homens não conseguem resistir e acabam entrando no rio. Quando voltam, eles costumam enlouquecer e a única pessoa capaz de quebrar o feitiço é o pajé.

    Iara é uma bela sereia que encanta os pescadores com sua melodia
    Iara é uma bela sereia que encanta os pescadores com sua melodia | Foto: Eduardo Duval/Frata Soares/André Leão

    Boitatá

    Segundo a lenda, o Boitatá foi um tipo de cobra que sobreviveu a um grande dilúvio, cobriu todo a imensidão da floresta. Ele possui olhos de fogo e de dia não enxerga nada, mas durante a noite consegue ver tudo. Ele anda pela floresta em busca de animais mortos. Há quem diga que ele persegue quem anda na mata durante a noite, sendo visto como um facho de fogo. Cientificamente, há uma explicação para isso. O chamado “fogo-fátuo”, que é uma luz flamejante que se movimenta pelos pântanos, é resultado dos gases emitidos pelo solo do local e de sepulturas e carcaças de grandes animais mortos.

    A lenda que ficou no imaginário popular foi a de uma grande cobra de olhos flamejantes, e quem encontra o animal pode enlouquecer ou até mesmo morrer. Alguns acreditam que se ficarem imóveis e sem respirar vão conseguir se livrar do animal, já que ele só atacaria quem fosse culpado de atear fogo na floresta. A lenda é famosa e faz com que muitos acreditem que o Boitatá é um dos protetores da floresta.

    O boitatá foi uma criatura mística que surgiu há muito tempo e é um perigo para os andantes noturnos da floresta
    O boitatá foi uma criatura mística que surgiu há muito tempo e é um perigo para os andantes noturnos da floresta | Foto: Eduardo Duval/Frata Soares/André Leão

    Vitória-Régia

    A planta aquática símbolo da região amazônica não poderia faltar nessa lista. A lenda conta a história da índia guerreira Naiá, que era muito bela e se apaixonou pela Lua. Os índios acreditavam que a Lua era um ser divino, que fazia as moças da aldeia se apaixonarem por ele e as transformava em estrelas. Naiá tinha tanta vontade de ser notada que todas as noites, quando toda a aldeia estava dormindo, ela subia uma colina na tentativa de chamar atenção.

    Depois de perceber que suas tentativas estavam sendo falhas, ela passou a perseguir a Lua. Durante muito tempo ela clamava pelo amor do deus, e certo dia avistou o reflexo da Lua nas águas do rio e mergulhou na tentativa de beijá-lo, mas Naiá acabou se afogando e morrendo. O deus teve piedade pela moça e a transformou em uma bela planta conhecida como vitória-régia.

    A vitória-régia é Naiá, que se apaixonou pela lua
    A vitória-régia é Naiá, que se apaixonou pela lua | Foto: Eduardo Duval/Frata Soares/André Leão

    Leia mais

    Estimular a leitura é uma excelente atividade com as crianças

    Protagonismo feminino na literatura amazonense