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    Arte visual


    'Ser selecionado para premiação nacional é reafirmação', diz indígena

    Através da arte visual da drag queen Uýra Sodoma, a artista é a única do Norte selecionada de um total de 456 inscritos de todo Brasil

    Série Mil Quase Mortos, de Emerson Munduruku, em 2019
    Série Mil Quase Mortos, de Emerson Munduruku, em 2019 | Foto: Matheus Belém

    Manaus – O biólogo e arte-educador Emerson Munduruku, 29, em performance artística, incorpora a drag queen Uýra Sodoma , personagem definida pela artista, como ‘’a árvore que anda’’,  para demonstrar o ativismo ambiental em fotos. Com esse trabalho, Munduruku foi convidada para a sétima edição do Prêmio EDP nas Artes, sendo a única nortista entre os 10 selecionados, de um total de 456 inscritos de todo Brasil.

    Com o apoio do Instituto EDP, o instituto Tomie Ohtake irá selecionar ainda três obras finais dos artistas, que receberão acompanhamento de uma equipe de jurados para o processo de realização das respectivas obras.

    Este acompanhamento, oportunidade rara para jovens artistas, implementa os critérios para a escolha dos três premiados, e busca estimular a produção artística contemporânea no Brasil.

    Para a produção, Emerson Munduruku prepara ‘’Espelho D’água’’, composta por foto-performances em parceria com os fotógrafos Matheus Belém e Katja Hoelldampf.

    Série Elementar Rio Negro
    Série Elementar Rio Negro | Foto: Ricardo Oliveira

    ‘’A obra apresenta a água como a entidade que é, que tudo atravessa, conecta e reflete’’, explica.

    Devido à pandemia, não há data definida para a exposição do trabalho, que será exibido no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, mas a previsão é para 1° de outubro, dependendo do controle do quadro de covid-19 no Brasil.

    O Instituto Tomie Ohtake tornou-se referência no cenário cultural das artes visuais através do amplo trabalho de educação por meio da arte – trabalho que Emerson Munduruku também realiza em comunidades ribeirinhas -  e um programa de acessibilidade voltado a públicos que não têm garantidos seus direitos sociais.

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    Além de realizar mostras nacionais e internacionais de artes plásticas, arquitetura e design, promove prêmios nestas três áreas.

    Ativismo ambiental e indígena

    Série Elementar Rio Negro
    Série Elementar Rio Negro | Foto: Ricardo Oliveira

    A luta pela proteção do meio ambiente ocorre entrelaçada à luta pelos direitos indígenas. Formado em Biologia, mestre em Ecologia e educador em artes de jovens ribeirinhos e indígenas no Amazonas, a seleção tem um significado maior para o artista visual.

    ‘‘Ser selecionada para uma premiação nacional em arte significa muito, não apenas para mim. Como indígena, é uma reafirmação de que nossas narrativas, visões e vidas importam’’, afirma Emerson Munduruku.

    De acordo com a artista, é muito importante que as artes amazônicas sejam valorizadas não só pelos olhares externos, mas principalmente por quem é da terra. Original de Santarém, no Pará, honra as raízes indígenas através da arte, mas o ativismo também é forte quando se trata de questões indígenas.

    ‘‘Neste momento, a pandemia e a necropolítica do governo Bolsonaro estão matando nossas anciãs e nossos anciões - os grandes sabedores de nossas culturas -, e isto parece não importar tanto ao país que se veste de nós no carnaval’’, ressaltou.

    Artista indígena, Emerson Munduruku levanta questões indígenas nas performances
    Artista indígena, Emerson Munduruku levanta questões indígenas nas performances | Foto: Matheus Belém

    A premiação, além de reafirmar a vocação de Emerson Munduruku como artista amazônica e periférica, significa a ocupação dos espaços de voz de visibilidade.

    ‘’Algo que é tão cotidianamente negado a nós pelo colonialismo que fundou e está somatizado nesta nação Brasil’’, finalizou.

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