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    Literatura


    Professores da Ufam lançam livro sobre futuro da Amazônia

    Em entrevista ao Em Tempo, os professores fizeram um balanço da importância e do significado da obra para a Amazônia e o Brasil

    Manaus - Em 15 abril de 2020, a Editora Peter Lang lançou, em Nova York, o livro “The Future of Amazonia in Brazil: A Worldwide Tragedy (O Futuro da Amazônia no Brasil; Uma Tragédia Mundial)” de autoria dos Professores da Universidade Federal do Amazonas, Marcílio de Freitas e Marilene Corrêa da Silva Freitas.

    Nesta entrevista, o EM TEMPO, fará um balanço da importância e do significado desta obra para a Amazônia e o Brasil. Mais informações sobre o livro podem ser acessadas pelo link da Editora.

    Em Tempo: Quando, onde e porque o Senhor e a Profa. Marilene Corrêa da Silva Freitas lançaram o livro sobre a Amazônia?

    Prof. Marcílio: Este livro “The Future of Amazonia in Brazil: A Worldwide Tragedy (O Futuro da Amazônia no Brasil; Uma Tragédia Mundial)” foi lançado em 15 de Abril de 2020, em Nova York, pela Editora Suíça Peter Lang. Esta Editora tem dois grandes diferenciais. Ela tem longa tradição editorial na publicação de livros acadêmicos na área de cultura e humanidades com foco em questões mundiais e possui uma moderna estrutura e logística de divulgação e distribuição de seus produtos editoriais. Como sua sede principal em Berna, capital da Suíça, ela tem, também, forte presença no mercado editorial europeu. O livro foi lançado em sua representação sediada em Nova York, devido à importância e a necessidade de dar mais visibilidade ao livro devido ao momento crítico da Amazônia. Por causa do COVID-19, este lançamento foi online, numa plataforma de alcance mundial.

    Em Tempo: Qual é o principal foco deste livro?

    Prof. Marcílio: O principal foco deste livro é analisar e difundir a importância da Amazônia para o Brasil e a humanidade, e os processos políticos e econômicos que movimentam a sua destruição irreversível que se encontra em curso. Os autores alertam os jovens, os professores, os empresários, a sociedade nacional, os governos, as instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais, e as sociedades mundiais que, em forma planejada, a Amazônia encontra-se em processo de destruição cultural e física. Registram também as ações políticas do governo brasileiro que têm potencializado sua plena abertura às forças produtivas predatórias e ao extermínio de suas populações tradicionais. Por meio de abordagens transdisciplinares, os autores, também, constroem e analisam alternativas ao combate de suas desigualdades sociais e ao seu desenvolvimento econômico em bases sustentáveis.

    Diversos cenários amazônicos são analisados abrindo um leque de novos problemas e temas para os gestores públicos e os programas de pesquisa sobre sustentabilidade e processos mundiais. Eles destacam os 250 povos indígenas da região, e sua condição de maior área contígua com a mais complexa diversidade social e biodiversidade do mundo. Registram que ela também abriga um terço das florestas tropicais do mundo e um quinto da água doce superficial da Terra. É fantástico! Ela tem mais de 250 culturas com diferentes cosmogonias, mais de 1.000 rios, e desempenha um papel importante nas estabilidades mecânica, termodinâmica e química dos processos atmosféricos planetários. Informam que Instituições religiosas, ONU, UNESCO, Associações empresarias e ONGs nacionais e internacionais já se encontram em processo de pleno alinhamento em sua defesa e da sustentabilidade do planeta. Perguntam: Quem garantirá a proteção da Amazônia? O futuro da humanidade está em jogo. Informam também que ações políticas para fazer da Amazônia patrimônio da humanidade já começam a ganhar contornos mundiais previsíveis. Novos caminhos para a Amazônia e a humanidade são apresentados neste livro pelos autores. O livro não aborda a atual crise sanitária da Amazônia devido ao Covid-19, porque sua construção e produção editoração antecede esta crise.

    Em Tempo: Quem são os autores?

    Prof. Marcílio: Marilene Corrêa da Silva Freitas, Conselheira do IGHA e da Academia Amazonense de Letras, é Professora Doutora do Departamento de Ciências Sociais e pesquisadora vinculada aos Programas de Pós-graduação em “Sociologia” e em “Sociedade e Cultura na Amazônia”, ambos da UFAM. Marilene Corrêa já orientou mais de 70 dissertações de mestrado e em torno de 20 teses de doutorado sobre a Amazônia, em instituições nacionais e internacionais. Marilene Corrêa foi Reitora da Universidade do Estado do Amazonas e coordenou a implantação da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas, na condição de sua primeira Secretária. Profa. Marilene Corrêa já publicou mais de 100 artigos nacionais e internacionais e 10 livros sobre a Amazônia, no Brasil e no exterior. Marcílio de Freitas foi professor do Departamento de Física da UFAM desde 1978 a 2017. Publicou mais de 100 artigos e cerca de 20 livros sobre a Amazônia, no Brasil e no exterior. Marcílio é membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, IGHA, e já foi Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas.

    Em Tempo: O que o senhor gostaria de destacar neste livro?

    Prof. Marcílio: a perversidade do desmonte das políticas de proteção cultural e ambiental da Amazônia pelo atual governo brasileiro. Os autores, como em livros anteriores, reafirmam a importância em se construir novas formas de convivências e de relações dos povos com os ambientes, valorizando as culturas e a condição humana. Outro diferencial deste livro refere-se à sua abordagem metodológica que integra, tematicamente, elementos das ciências sociais e das humanidades com os processos históricos das técnicas e das ciências da natureza.

    A importância de a Amazônia ao Brasil e ao Mundo é outro destaque, assim como o desprezo dos governantes e dos políticos brasileiros pelo desenvolvimento sustentável desta região. Este livro, também, destaca o uso sustentável da Amazônia como a forma mais rápida e soberana do Brasil vencer seu atraso científico e tecnológico, exterminar a miséria e melhorar a qualidade de vida de suas populações e demais brasileiros. Os autores questões importantes e complexas, tais como os desafios que a Amazônia põe ao mundo; a sua importância para o mercado sustentável; os impasses históricos imbricados nas relações do homem com a natureza, numa perspectiva sustentável; as relações das utopias do século 21 com a Amazônia; a relação do desenvolvimento sustentável conosco, com a Amazônia, e também com o mundo.

    Esclarecem questões estruturantes da região, tais como: Porque a Amazônia é a última utopia ecocultural da Humanidade? Que problemas a Amazônia põe ao Mundo e porque ela é importante para a Humanidade? Quais são as relações entre Ciência, Religião, Amazônia e Sustentabilidade? Porque o capitalismo do tipo predatório ainda não tem alcance teórico e empírico para transformar a Amazônia em commodity sustentável? Como protegê-la da estupidez humana e da ganância do mercado? Porque o governo brasileiro tem se transformado numa arma contra a Amazônia? Como desenvolvê-la em forma sustentável em benefício do povo brasileiro e da Humanidade? O livro também esclarece questões do tipo: Por que a Amazônia possui indicadores sociais comparáveis aos das regiões mais pobres do planeta? Por que o Brasil não nacionaliza a Amazônia? A Amazônia é sustentável?

    Estas questões, entre outras, são analisadas neste livro. Em diferentes formas, os autores insistem na tese que o desenvolvimento sustentável da Amazônia precisa ser incorporado a um novo Projeto nacional que não poderá continuar refém do modelo de desenvolvimento fumacento e ultrapassado das regiões sul e sudeste brasileiras. Um Projeto nacional centrado no combate radical às desigualdades sociais e que não seja prisioneiro dos interesses dos grupos transnacionais e da elite latifundiária brasileira. Afirmam e mostram que o desenvolvimento sustentável da Amazônia é a única forma do Brasil entrar para o ranking dos países desenvolvidos. Identificam as forças políticas brasileiras que impedem o seu desenvolvimento sustentável mantendo-a refém de um atraso social e econômico crônico. Estas são outras contribuições do livro.

    Em Tempo: Foram planejados outros lançamentos deste livro?

    Prof. Marcílio: Como é um livro publicado no exterior, Nova York, e com diversas conexões materiais e simbólicas da Amazônia com os processos mundiais, os autores planejam outros lançamentos nacionais e internacionais. Atual isolamento social e político do Brasil devido ao Covid-19 dificulta um planejamento mais otimista. Entretanto já se encontram agendados lançamentos no IGHA-Manaus, na UFAM, em São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa, e Paris em datas a serem confirmadas. Encontra-se em discussão com a Editora Peter Lang lançamentos futuros nos Estados Unidos e também em outros países europeus. Ainda dependemos de um acerto final com a Editora Peter Lang, para definição de um calendário factível, considerando que maioria dos lançamentos será online, por causa do Covid-19 e da dramática situação sanitária do Brasil que nos colocou na condição de Pária no mundo.

    Estamos analisando locais e logísticas para estes lançamentos, considerando dificuldades associadas à sua distribuição desde Nova York. O preço do livro em dólares e sua publicação no idioma inglês dificultam seu acesso ao público brasileiro mais popular. Este é um problema que nós autores não temos como resolver. O baixo poder aquisitivo e de educação formal do povo brasileiro, jovens e trabalhadores, ainda constituem impedimentos estruturais aos seus acessos ao mercado editorial nacional e internacional. A difusão e a popularização da importância da Amazônia para o Brasil, junto aos jovens brasileiros, ainda constituem desafios postos à nossa geração de professores e pesquisadores amazônidas que continuaremos a enfrentar.

    O baixo investimento do poder público na educação da história e do pensamento brasileiro colaboram para esta tragédia nacional. As instituições públicas e privadas, nacionais e regionais, precisam intensificar seus protagonismos neste processo. Precisam ter políticas editoriais mais consistentes, empreendedoras e inovadoras, e centradas na Amazônia. 

    Em Tempo: Qual é o público-alvo deste livro?

    Prof. Marcílio: Este livro tem como público alvo a sociedade em geral; professores e estudantes; leitores e estudiosos sobre desenvolvimento sustentável, cultura, economia, ciências humanas, ciências naturais, sociologia, história, geografia, desenvolvimento regional, ambientalistas, Amazônia e globalização. Seu caráter transdisciplinar e analítico põe elementos novos à compreensão de a Amazônia para os campos disciplinares e à sociedade em geral. Ele alerta à sociedade, sobre a passividade das instituições, dos políticos e dos empresários sobre a destruição cultural e ecológica irreversível da Amazônia que se encontra em curso. 

    Em Tempo: Finalmente, perguntamos ao Senhor: Há outras regiões tropicais que se encontram em situação semelhante à Amazônica?

    Prof. Marcílio: Sim. Em ordem as principais florestas tropicais úmidas do planeta são: Amazônia pan-americana (7 milhões km2, 33%), Congo (1.780.000 km2,13%), Indonésia (sudeste da Ásia, 10%), Austrália-Queensland (2.600 km2, 6%) e a Floresta Nacional Caribena em Porto Rico (3%). As florestas da Indonésia se encontram em rápido processo de desmatamento e as Australianas em acelerada destruição devido aos grandes incêndios florestais desde setembro de 2019. Como é de nosso conhecimento, as florestas tropicais são muito importantes às identidades culturais de seus povos, e também têm papel relevante para a mitigação das mudanças climáticas. Neste contexto, cresce a pressão internacional e a importância da manutenção dos biomas amazônicos e de seu uso sustentável.

    Em Tempo: Em sua opinião, e em uma linha, qual é a principal mensagem transmitida por esta obra editorial?

    Prof. Marcílio: Alertar que na conjuntura atual, o futuro da Amazônia é uma tragédia anunciada, protagonizada pelo atual Governo do Brasil. É importante que todos nós e a humanidade nos mobilizemos em defesa de sua proteção cultural e ecológica, e em prol de seu desenvolvimento sustentável. 

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