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    Dança e arte


    Projeto 'Sexta Que Dança' traz performances internacionais em lives

    Iniciativa manauara, o evento traz, além de artistas locais, dançarinos de diversas partes do mundo

    Artistas manauaras residentes em outros países participam do evento
    Artistas manauaras residentes em outros países participam do evento | Foto: Divulgação

    Manaus – Com a proposta de mover a arte e a cultura em diversos lugares do mundo, o evento "Sexta Que Dança" realiza lives toda sexta-feira, às 17h17 (horário local) através do Youtube. Nesta sexta (31), Aline Hamburgo, manauara residente na Alemanha, é uma das dançarinas que irá performar, e defende que o evento é uma ferramenta importante para a resistência dos artistas.

    "A Sexta que Dança ocorre em prol da existência e resistência dos artistas autônomos, locais e internacionais. O projeto vem trazer uma contribuição positiva à sociedade'', ressaltou.

    No atual momento de pandemia, as apresentações trazem um novo aspecto cultural tanto aos dançarinos, quanto ao público. ''Nós estamos vivendo um nível imenso de estresse, e a arte tem esse poder de influenciar nossas vidas para o melhor’’, afirmou Aline.

    | Foto: divulgação

    Na última sexta (24), o dançarino Adam Souza, manauara residente no Egito, performou o espetáculo ‘’Transmuta-dor’’.

    Adam atua em uma agência de entretenimento no Egito com performances que exaltam a cultura brasileira através das danças urbanas, capoeira e samba. Nesta Sexta Que Dança, a proposta do artista é discutir os efeitos da pandemia na arte. 

    ''O setor artístico foi muito afetado, principalmente em questão financeira, foi um choque muito grande. Dentro dessa proposta, há uma projeção de mudança de estado, de transformações'', afirmou Adam.

    "Na linguagem coreográfica eu venho discutir, a partir da minha vivência, o que o meu corpo e minha mente sofreu nesse momento, o que o corpo sente'", acrescentou.

    | Foto: divulgação

    Sem contato com o público, transmitir o objetivo da performance se torna um ponto a mais para ser trabalhado.

    ''Passar essa conversa através das plataformas digitais, longe de uma plateia, é mais desafiador. Como base em um estudo de corpo, quero expressar essa transformação, esse estado de espírito, e estar muito aberto às minhas inquietações, à transmutar na linguagem da dança''.

    Iniciativa independente da artista amazonense Francis Baiardi, em parceria com Rosana Brito Baré e Magno Fre'sil, a Sexta Que Dança ocorre desde 2016 em Manaus com apresentações de grupos e dançarinos locais e diálogos em que o público pode conversar com os próprios artistas sobre as concepções das obras.

    Com a pandemia de covid-19, o evento adotou o formato virtual em parceria com artistas colaboradores e iniciou no dia 17 de julho, com apresentação da Companhia Faixa Um, de São Paulo.

    "O objetivo sempre foi fomentar a dança local. Com a pandemia, nós abrimos espaço também para artistas de outros lugares, convidando dançarinos do mundo todo a estarem participando do Sexta que Dança, de modo virtual e ao vivo’’, ressaltou Francis Baiardi.

    "Nesse momento há uma nova forma de existir, e os artistas independentes precisam desse espaço para realizar e pesquisar a dança". 

    Espetáculo da Companhia Faixa Um, de São Paulo
    Espetáculo da Companhia Faixa Um, de São Paulo | Foto: Reprodução/Instagram

    "Agora é tempo de se reinventar e estamos tirando algo positivo ao realizar esse evento internacional, pois não haveria a possibilidade de trazer esses artistas renomados, de vários lugares do mundo, Grécia, Alemanha, Argentina, para Manaus’’, informou Francis. ‘’Acho grandiosa essa possibilidade de criar pontes’’.

    O artista mineiro Clenio Magalhães também compartilha as experiências pessoais na dança com o evento Sexta Que Dança.

    ‘‘Ser convidado para integrar a programação é um desafio impulsionador da criação, me movendo da teoria para a prática’’, garantiu o artista.

    "Diante da responsabilidade emocional em me apresentar para uma plateia sensibilizada, apreensiva e assustada, o projeto me convoca a agregar ainda mais valores resilientes do fazer coreográfico’’.

    | Foto: divulgação

    Agradecendo pelo convite na iniciativa, Clenio declarou que a prática da dança é mais importante que nunca.

    "Espero que essa curadoria tão especial estimule a todos os espectadores a apoiarem os artistas e a desbloquearem seus potenciais artísticos. Que inspirada, a plateia possa se encorajar e a partir de suas casas se interessem pela magnitude da dança, fazendo aulas, contemplando performances e expressando com seus corpos".

    Entre os artistas participantes, estão Geovane Carvalho (AM), Vagner Cruz (SP), Clenio Magalhães (BA), Odacy de Oliveira e Alan Panteon (AR), Dudude Herrmann (MG), Adam Souza (GRE), Aline Hamburgo (GER), Tiago Gambogi (ENG) e Francis Baiardi (AM).

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