Produção nacional


Lusos Amazônicos: documentário conta a história dos portugueses no AM

Filme mostrará a colonização portuguesa na Amazônia e contará com recriação visual de cenas históricas. Estreia será em 2021, na cidade de Sertã, em Portugal

| Foto: Acervo/Amazon Film

Manaus - "Sinto que falta, hoje, mostrar uma Amazônia histórica, épica, com personagens marcantes. Eu quero buscar isso", diz sonhar Francisco Ferreira Pinto Filho, conhecido como Chicão Fill, produtor de cinema e dono da Amazon Film. Por meio da produtora, ele trabalha atualmente no projeto Lusos Amazônicos, um documentário que vai mostrar a relação de portugueses com a Amazônia por meio de cenas históricas, como a chegada dos lusitanos pelas caravelas e até a morte do indígena Ajuricaba. A previsão é que o filme estreie em julho de 2021.

"O projeto Lusos Amazônicos é uma ideia minha que surgiu há dez anos. Eu tentei fazer à altura, mas não tive recursos. E comecei, aos poucos, a pesquisar e aumentar essa semente. E ao longo dos anos fomos desenvolvendo. Fiz algumas entrevistas, inclusive parte dos personagens já faleceu. Retomei há três anos o projeto e agora, desde junho, estou trabalhando nele mais uma vez. Coloquei uma meta de estrear até o ano que vem no concelho de Sertã, no Distrito de Castelo Branco, em Portugal", conta o cineasta.

Chicão Fill, produtor executivo
Chicão Fill, produtor executivo | Foto: Divulgação/Amazon Film

O documentário que contará com 60 minutos, pode ainda estrear na televisão ou em serviços de streaming. Chicão diz que a ideia ainda está sendo estudada, mas que primeiro a produção deve focar em festivais de cinema. 

Amazônia: passado e presente

De acordo com o produtor, o documentário contará a história da colonização portuguesa, com destaque para personalidades lusitanas que marcaram a região, do passado ao tempo contemporâneo. Para desenhar esse caminho, Chicão convidará um historiador que guiará parte do filme. O nome, ele diz já estar procurando, mas que ainda não pode divulgar.

"Como estou nas negociações, ainda não posso informar qual historiador, mas garanto que será um nome grande. Vamos falar sobre a colonização portuguesa na Amazônia, passando Grão-Pará na era pombalina, um pouco da miscigenação, as vilas portuguesas e uma mistura do passado e presente", afirma o produtor.

Personalidades luso-amazônicas 

Na outra parte do documentário, Chicão menciona que irá tratar de personalidades históricas que marcaram a Amazônia e a cidade de Manaus. O filme irá de Ajuricaba, considerado um herói amazônida, até, por exemplo, Armando Soares, o português fundador do bar que leva seu nome e da Banda da Bica, já  tradicional no Carnaval de Manaus.

Bar do Armando, na rua 10 de Julho, Centro de Manaus
Bar do Armando, na rua 10 de Julho, Centro de Manaus | Foto: Divulgação

"A ideia é abordar a contribuição desses personagens, já que todos eles tinham essa ligação luso-amazônica. Outros nomes que irão aparecer são José Gaspar, crítico de cinema, Silvino Santos, o cineasta, e JG Araújo, produtor. Todos abordados em uma esfera maior de ligação entre Portugal e região amazônica", garante o cineasta.

Entrevista com o historiador português Rui Lopes
Entrevista com o historiador português Rui Lopes | Foto: Diulgação/Amazon Film

Sobre José Gaspar, Chicão comenta que será tratado como homenageado no documentário, já que foi vítima da Covid-19 durante a pandemia deste ano.

Outro nome que entrará no filme é o do romancista Ferreira de Castro, autor de A Selva. Para falar sobre ele, irei convidar também um historiador. Já tenho um acervo exclusivo sobre o escritor português à disposição", afirma o produtor.

O início do documentário

Nos primeiros minutos do filme, Chicão conta que mostrará a história de Ajuricaba, o indígena conhecido por não ter se entregado aos portugueses, quando do período da colonização. 

"Nós vamos fazer uma cena de cinema, uma perseguição dos portugueses ao índio Ajuricaba. O início vai ser deles chegando na mata, na beira do rio,atacando os índios Manaós e o Ajuricaba. Ele vai ser preso, os portugueses vão levar para Belém, e segundo  a lenda, ele vai pular no rio para fugir. Com uma licença poética, vamos fazer com que ele se jogue próximo ao Encontro das Águas do jeito que está, algemado e machucado", comenta o cineasta.

Cena do filme 'Ajuricaba - o rebelde da Amazônia'. 2016. Direção: Oswaldo Caldeira
Cena do filme 'Ajuricaba - o rebelde da Amazônia'. 2016. Direção: Oswaldo Caldeira | Foto: Divulgação

Logo em seguida, Chicão diz que entrará o historiador, em uma canoa, no meio do rio. A partir daquele lugar, ele começará a contar sobre como foi a colonização portuguesa. Enquanto fala, serão mostradas imagens históricas. 

Locais de filmagem

O documentário terá imagens gravadas em Manaus, Santarém e Belém. A Amazônia entrará na rota das câmeras, assim como fortes de defesa construídos por portugueses, como os localizados em Rondônia, Macapá e Belém. 

Em Portugal, Chicão já gravou a maior parte das imagens. Por lá, a ideia é mostrar onde nasceram e viveram parte da vida algumas personalidades históricas que aparecerão no filme, como Silvino Santos. O português viveu parte de sua vida em Cernache do Bonjardim, uma freguesia [equivalente a bairro], no concelho de Sertã [equivalente à cidade]. 

Freguesia de Cernache do Bomjardim, Conselho de Sertã, Portugal. Terra natal do cineasta português Silvino Santos
Freguesia de Cernache do Bomjardim, Conselho de Sertã, Portugal. Terra natal do cineasta português Silvino Santos | Foto: Acervo/Amazon Film

"Eu já tenho uma equipe minha em Portugal e que vai fazer imagem de alguns locais como do Rio Douro, da cidade do Porto, do monumento a Marques de Pombal, em Lisboa, e outros", afirma o cineasta.

Dificuldades na produção

Sobre dificuldades para dar cabo do projeto, Chicão cita duas, em especial. A primeira delas foi econômica, responsável por ter ajudado o documentário a ter demorado dez anos para chegar perto de ser concluído. Para isso, o produtor destaca os pontos positivos da demora.

"A gente foi amadurecendo e a própria tecnologia de dez anos atrás melhorou. Naquele tempo não se falava em full HD, e até alguém de Manaus tinha mais dificuldade para produzir. Mas as câmeras agora são muito boas e eu mesmo como produtor executivo, amadureci muito. O recurso ainda é pouco e vou tentar buscar porque eu queria que tivesse mais tecnologia, mais iluminação, atores, mas a gente dá de cara com a realidade da área. Como eu quero ser mais atrevido, vou tentar rechear mais, trabalhar com imagens de arquivo, tirar proveito disso com uma boa edição", afirma o cineasta.

Chicão com a entrevistada do documentário Evazine Kaneco, neta do cineasta Silvino Santos
Chicão com a entrevistada do documentário Evazine Kaneco, neta do cineasta Silvino Santos | Foto: Divulgação/Amazon Film

Outro ponto que atrapalhou a produção, embora menos do que o esperado, foi a pandemia. Chicão precisou dobrar a atenção ao gravar em Portugal e com os personagens entrevistados, para evitar qualquer  contaminação.

"Eu cheguei em Portugal na segunda semana de junho, e a pandemia estava mais ou menos, não estava como o Brasil. Mas não foi chegar e filmar. Portugal é um país muito controlado na pandemia, então me senti mais seguro para fazer. No Brasil eu provavelmente não faria ainda porque está mais ruim. Eu tenho residência permanente e assim consigo entrar lá", conta o profissional.

Projetos futuros

Por fim, Chicão diz que ainda em muitas ideias para projetos futuros. O Lusos Amazônicos acaba por ser apenas um de uma lista de filmes que envolvem o país das navegações.

"Tenho muitos laços com Portugal e já participei de muitos eventos por lá, além de ter vivido na cidade do Porto. Meu filho nasceu no País. Tenho outros projetos a caminho, como um filme que envolve Portugal, desenhos animados e um projeto sobre a Carmen Miranda", comenta o cineasta.

Leia Mais

Conheça os lugares tombados em Manaus no Dia do Patrimônio Histórico

Compositor Emerson Maia é homenageado no Teatro Amazonas

Praça Dom Pedro II é entregue pela prefeitura de Manaus após reforma