Folclore amazonense


Lendas amazônicas vivenciam cotidiano de Manaus em ilustrações

Iara é uma blogueira, Mapinguari pega rota cedo e segue ao Distrito Industrial e o Curupira trabalha em um supermercado. No fim do dia, eles pegam um ônibus lotado no T1. Confira o dia a dia das lendas amazônicas

Iara, Boto, Matinta Perera, Mapinguari e Curupira
Iara, Boto, Matinta Perera, Mapinguari e Curupira | Foto: Nilberto Jorge

Manaus – Como boas amazonenses, Iara e Matinta Perera também precisam enfrentar o ônibus lotado depois de um dia de trabalho. Mas, claro, antes elas aproveitam um lanche de três reais no Terminal 1 enquanto esperam o coletivo.

Ao lado da sereia que vive no Rio Amazonas e da bruxa de baixa estatura, o Boto, o Curupira e o Mapinguari também vivenciam o cotidiano no Amazonas e não perdem a oportunidade frequentar restaurantes regionais para comer um tambaqui com farinha.

O cenário típico de Manaus vivenciado pelos personagens do folclore brasileiro, mais específico do Norte do país, foi idealizado pelo ilustrador Nilberto Jorge, que inclusive deu um palpite sobre o que a Iara e a Matinta Perera achariam da reforma que o terminal passa.

‘‘Elas são boas cidadãs, apesar de mudar um pouco a rotina, elas apoiam as melhorias. Claro, desde que não envolva desvio de verba pública, aí elas ficariam revoltadas’’, imaginou o ilustrador, conhecido também como “Nil’’.

Iara e Matinta Perera no Terminal 1
Iara e Matinta Perera no Terminal 1 | Foto: Nilberto Jorge

Segundo Nilberto Jorge, o projeto surgiu para colocar luz nas lendas amazonenses e as tornar mais “acessíveis’’ ao olhar da população. O cotidiano na capital amazonense desponta exatamente para que haja a identificação com os moradores de Manaus.

“O meu objetivo é fazer com que esse folclore faça parte do nosso dia a dia. A gente conhece pouco sobre as nossas lendas, somente o básico, mas é algo muito rico e interessante, que merece ser desenvolvido e reconhecido’’, afirmou Nilberto.

A ideia nasceu para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Design pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O projeto só foi desenvolvido tempos depois, quando o ilustrador já havia adquirido mais “bagagem” no ramo.

“A princípio, eu trabalhei com tirinhas, mas achei que elas não contavam com fidelidade o que eu gostaria de passar, então eu pensei em fazer somente imagens, que acabaram tomando forma e agradaram bastante o público’’, relatou Nilberto.

Identificação

Fim de tarde com um tambaqui e baré
Fim de tarde com um tambaqui e baré | Foto: Nilberto Jorge

Para o ilustrador, os desenhos criaram uma identificação instantânea com o público e rendeu muita repercussão nas redes sociais.

“Realmente cria muita empatia com as pessoas, elas comentam bastante coisas como ‘eu sou muito Curupira, sou muito Iara’, e outros. Eu gosto muito disso, pois foi esse o objetivo’’, assegurou Nilberto.

Apesar do foco ser o Amazonas, públicos de outras regiões também notaram o projeto. ‘‘Quando desenhei, busquei não anular essas regiões, e várias pessoas de outros estados também se identificaram’’, disse o ilustrador.

Para criar uma profundidade maior nos personagens, todos possuem histórias pessoais e preferências. Por exemplo, Curupira trabalha em uma rede de supermercados conhecida em Manaus e o Mapinguari acorda cedo para seguir ao Distrito Industrial.

Curupira e Mapinguari antes do trabalho
Curupira e Mapinguari antes do trabalho | Foto: Nilberto Jorge

“Eu gosto muito da personalidade da Matinta Perera. É uma pessoa esquentada, rabugenta, mais ranzinza quando está sozinha, sabe? Mas, com os amigos, é uma pessoa divertida, digamos assim”, comentou o ilustrador, que evidenciou a predileção pela personagem e o resultado dela.

“E cada um tem sua vida, digamos assim. Eles saíram da mata em direção à cidade para ganhar seu dinheiro, essa é a ideia. A Matinta Pereira é dona de um aluguel de quitinetes e a Iara só poderia ser blogueira. O Boto seria um garçom no primeiro esboço, mas ainda não está definido’’, revelou Nilberto.

Por enquanto, o projeto permanece somente na internet, através da página no Instagram e nas redes sociais do ilustrador, mas Nilberto acompanha a recepção dos desenhos e tem planos maiores para os personagens do folclore amazônico.

“Agora, estou deixando levar, mas, dependendo da resposta do público, quero levar isso para frente. Falei com algumas editoras de São Paulo que afirmaram que daria uma boa coletânea. Mas isso é para o futuro, por hora, a turma permanece na internet’’, finalizou.

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