Premiação


Nobel de Literatura 2020 tem três mulheres como favoritas

A franco-caribenha Maryse Condé e a canadense Margaret Atwood lideram; Haruki Murakami também aparece (mais uma vez) na lista

A franco-caribenha Maryse Condé lidera as apostas para levar Prêmio Novel de Literatura
A franco-caribenha Maryse Condé lidera as apostas para levar Prêmio Novel de Literatura | Foto: Divulgação

Quem vai ganhar o Nobel de Literatura este ano? Se levarmos em conta as previsões do site britânico Nicer Odds, que reúne informações de diversas casas de aposta, o Nobel de Literatura de 2020 vai para uma mulher. Nas três primeiras posições, estão três escritoras: a franco-caribenha Maryse Condé, a russa Liudmila Ulítskaia e a canadense Margaret Atwood.

Completam a lista o queniano Ngũgĩ wa Thiong’o e, é claro... o japonês Haruki Murakami. A canadense Anne Carson está em sexto lugar no Nicer Odds, mas em primeiro no site da Ladbrokes, a principal rede de casas de aposta do Reino Unido.

O vencedor será anunciado nesta quinta-feira (8), por volta das 8h (horário de Brasília). No ano passado, a Academia Sueca premiou dois escritores porque o Nobel de 2018 foi adiado depois que um escândalo envolvendo abusos sexuais e vazamentos abalou a instituição.

Este ano, a expectativa é que o Nobel de Literatura retorne à normalidade, ou seja, que mais uma vez esnobe Murakami premie um escritor que não está bem colocado nas listas de aposta. Mas, só para garantir, vamos conferir quem são aqueles estão esperando ansiosos uma ligação da Suécia nesta quinta.

Maryse Condé

A escritora franco-caribenha Maryse Condé, de 83 anos, é uma das mais fortes candidatas ao Nobel de Literatura este ano. Nascida em Guadalupe, Condé ganhou o New Academy Prize, espécie de Nobel alternativo entregue em 2018, quando o prêmio sueco foi suspenso.

Autora de mais de 20 livros, Condé é uma conceituada escritora feminista e divulgadora da historia e da história e da cultura afro-caribenha. Entre eles, “Eu, Tituba: bruxa negra de Salem”, publicado no ano passado pelo Rosa dos Ventos, selo feminista do Grupo Editorial Record. No livro, Condé narra o destino de uma escravizada negra acusada de praticar feitiçaria em Salém, cidade do Nordeste dos Estados Unidos onde ocorreu uma caça às bruxas no final do século XVII.

Premiar uma feminista negra em 2020, um ano marcado pela ascensão das lutas antirracistas, mostraria que os suecos estão em sintonia com os novos tempos e com as últimas tendências do mercado editorial, que tem investido na publicação de autoras negras. A única escritora negra a ganhar o Nobel de Literatura foi a americana Toni Morrison, em 1993.

Liudmila Ulítskaia

A russa Liudmila Ulítskaia tem 77 anos já aparecia entre as favoritas ano passado. Seus livros ainda não estão disponíveis aos leitores brasileiros, mas a Editora 34 já anunciou a publicação da coletânea de contos “Meninas”.

Ulítskaia já foi finalista de prêmios importantes como o Man Booker e seus livros são bastante populares na Alemanha. De origem judaica, mas convertida ao cristianismo, ela escreve sobre tolerância religiosa, papéis de gênero, a cultura soviética e a vida cotidiana.

Crítica do presidente russo Vladimir Putin, Ulítskaia já disse em entrevistas que não tem medo dele. Historicamente, escritores que se opõem e denunciam autocratas russos, como Ivan Búnin, Bóris Pasternak e Svetlana Aléksiévitch, têm boas chances de conquistar os votos dos acadêmicos suecos.

Margaret Atwood

Autora do best-seller “O conto da aia”, a canadense Margaret Atwood tem 80 anos e a torcida para que ela ganhe o Nobel tem aumentado nos últimos anos. Comprometida com as pautas feministas, Atwood tem uma reputação consolidada há décadas e é autora de romances como “Vulgo Grace” e “Olho de gato” (publicados no Brasil pela Rocco), mas viu sua popularidade disparar quando “O conto da aia” virou série da plataforma de streaming Hulu.

O romance retrata uma sociedade distópica e fundamentalista onde algumas mulheres, as aias, são meras reprodutoras. No ano passado, Atowood lançou a sequência de “O conto da aia”, “Os testamentos”, que ganhou Booker Prize, prestigioso prêmio literário.

A ascensão das pautas feministas e o fato de “O conto da aia” ter voltado às listas de mais vendidos numa época em que o autoritarismo avança pelo mundo fazem de Atwood uma das preferidas ao Nobel, mas a Academia Sueca costuma ser meio surda aos apelos populares.

Haruki Murakami

Aos 71 anos, o japonês Haruki Murakami é um dos maiores best-sellers contemporâneos, autor de bem-sucedida trilogia “1Q84” e de romances como “Kafka à beira-mar”, “Minha querida Sputnik” e “Norwegian Wood” e também de relatos autobiográficos como “Do que eu falo quando eu falo de corrida” e “Romancista como vocação”.

No Brasil, ele é publicado pela Alfaguara, selo do Grupo Companhia das Letras. Traduzido para mais de 50 idiomas, o sucesso de Murakami é atribuído a sua prosa ágil e a sua capacidade de construir enredos fantasiosos e mesclar referências culturais japonesas e ocidentais. Apesar disso, é improvável que ele leve o Nobel.

Murakami frequenta a lista dos favoritos ao Nobel desde 2011, mas é constantemente esnobado pelos suecos que, quando quiseram premiar um autor japonês, em 2017, optaram por Kazuo Ishiguro.

Ngũgĩ wa Thiong’o

O queniano Ngũgĩ wa Thiong’o também não é nenhum novato nas listas de favoritos ao Nobel. Desde 2010, foi cotado para o prêmio repetidas vezes. Thiong’o tem 82 anos e sua prosa é marcada por uma divisão entre a identidade local, profundamente enraizada nas tradições africanas, e a identidade imposta pelos colonizadores britânicos. Escreve tanto em inglês como em gikuyu, seu idioma nativo.

No Brasil, a Alfaguara publicou seu romance “Um grão de tribo”, que retrata a independência do Quênia. A Biblioteca Azul, selo da Globo Livros, editou “Sonhos em tempos de guerra”, as memórias do escritor. O fato de sempre aparecer nas listas de favoritos não ajuda a botar fé na vitória do queniano, que seria o primeiro africano a levar o Nobel desde 1986, quando o laureado foi o nigeriano Wole Soyinka. No entanto, os apelos recentes por mais diversidade nas premiações artísticas e pela democratização do cânone literário podem aumentar as chances de Thiong’o.

Anne Carson

A poeta canadense Anne Carson, de 70 anos, começou a aparecer nas primeiras posições nos sites de aposta no ano passado. Considerada uma das maiores poetas da atualidade e conhecida por sua obra extremamente erudita, Carson ainda é pouco lida no Brasil. Em 2017, a pequena editora Jabuticana publicou “O método Albertine”, inspirado na personagem de “Em busca do tempo perdido”, obra-prima do francês Marcel Proust.

A Editora 34 promete editar “Autobiografia do vermelho”, romance em versos publicado originalmente em 1998. Carson também é uma elogiada tradutora e ensaísta. Se desconsiderarmos Bob Dylan, premiado em 2016, faz tempo que a Academia Sueca não privilegia um poeta, o que pode aumentar as chances da canadense.

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