Premiação


Nobel de Literatura 2020 vai para a poeta americana Louise Glück

Segundo a Academia Sueca, a autora 'busca o universal, e para isso se inspira em mitos e motivos clássicos, presentes na maioria das suas obras'

| Foto: Divulgação

O Prêmio Nobel de Literatura 2020 foi para a poeta americana Louise Glück por sua "inconfundível voz poética que, com austera beleza, faz da existência individual universal". O anúncio foi feito às 8h (horário de Brasília) em Estocolmo, na Suécia. Glück estreou na literatura em 1968 e é autora 12 coletâneas de poemas e de alguns volumes de ensaios sobre o fazer poético. 

O presidente do Comitê do Nobel, Anders Olsson, disse que falou ao telefone com Glück pouco antes do anúncio, recebido pela poeta com "surpresa". ELe afirmou ainda que, este ano, por conta da pandemia de Covid-19, a cerimônia de entrega do Nobel, marcada todos os anos para dezembro, não ocorrerá presencialmente em Estocolmo.

Aos 77 anos, Glück é professora da Universidade Yale, nos Estados Unidos. Ao longo da carreira, já recebeu prêmios importantes, como o Pulitzer e o National Book Award. Conhecida por seus versos límpidos e autobiográficos, ela com frequência recorre à mitologia greco-romana, à natureza e à história para refletir sobre o cotidiano e a vida moderna. A poeta é a décima-sexta mulher a levar o Nobel de Literatura. A obra de Glück ainda não está traduzida no Brasil.

Segundo Olsson, "a infância e vida familiar, a relação próxima com os pais e os irmãos" são "temáticas centrais" da obra de Glück, cujos versos confrontam duramente as "ilusões do eu". Embora jamais tenha negado a influência da própria biografia na composição de sua obra, a americana não é uma "poeta confessional". "Glück aspira ao universal", afirmou Olsson, que ressaltou ainda que a ela com frequência recorre às vozes de personagens da litertura clássica, como Dido, Perséfone, Eurídice e até a Beatriz da "Divina Comédia".

Entre seus principais livros estão "The Triumph of Achilles" (O triunfo de Aquiles), de 1985, e "Ararat" (referência ao Monte Ararat, onde segundo a Bíblia, a arca de Noé atracou depois do dilúvio). Em "Ararat", Glück se esforçou para encontrar uma dicção mais prosaica, sem adornos e que fluisse naturalmente. Em seus ensaios, ela se debruçou sobre poetas T.S. Eliot, John Keats e George Oppen.

Nascida em Long Island, no estado de Nova York, Glück estudou na Universidade Columbia e já lecionou em diversas instituições de ensino superior nos EUA. Numa entrevista à revista literária "Poets & Writers Magazine", ela afirmou que poetas precisam viver a vida para poder produzir algo de original e que "reprimir impulsos passionais em favor da arte" é um "erro terrível".

Depois da tempestade

Louise Glück sucede à polonesa Olga Tokarczuk e ao austríaco Peter Handke, premiados no ano passado. Tokarczuk venceu o prêmio por sua "imaginação narrativa" e "paixão enciclopédica" que "representa o cruzamento de fronteiras como formas de vida", afirmou a Academia Sueca. Já Handke levou o Nobel pela "engenhosidade linguística" com que "explorou as peripécias e especificidades da experiência humana". No ano passado foram anunciados dois vencedores porque o Nobel de 2018 foi adiado depois que escândalos sexuais e vazamentos abalaram a reputação da Academia Sueca.

Em 2019, as polêmicas continuaram. O Nobel a Handke foi duramente criticado porque o escritor apoiou fervorosamente e chegou a ser condecorado por Slobodan Milošević, ditador sérvio que massacrou croatas e bósnios muçulmanos durante a guerra que se seguiu à desintegração da Iugoslávia nos anos 1990 e morreu em 2006, numa prisão da ONU, acusado de genocídio. Handke também discursou no velório de Milošević, que era conhecido como "o carniceiro dos Bálcãs”. A associação Mães de Srebrenica, criada por mais de vítimas de Milošević, chegou a pedir que a Academia Sueca se retratasse.

Depois de alguns anos de polêmica, o Nobel para Glück representa uma escolha segura dos suecos e uma tentativa de pacificação. Até quarta-feira (7), três mulheres lideravam as apostas para o Nobel de Literatura de 2020. Glück não estava entre elas. O site britânico Nicer Odds, que reúne informações de diversas casas de aposta, apontava como favoritas a franco-caribenha Maryse Condé, a russa Liudmila Ulítskaia e a canadense Margaret Atwood.

Completavam a lista o queniano Ngũgĩ wa Thiong’o e, é claro... o japonês Haruki Murakami. A canadense Anne Carson estava em sexto lugar no Nicer Odds, mas em primeiro no site da Ladbrokes, a principal rede de casas de aposta do Reino Unido.

*Com informações do O Globo

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