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Conheça como funciona o 1º Centro de Medicina Indígena do Amazonas

O Centro de Medicina Indígena do Amazonas, o Bahserikowi'i, tem como objetivo aplicar o conhecimento dos povos originários da Amazônia a partir da sabedoria dos kumuã

| Foto: Divulgação

Manaus - A floresta Amazônica é rica em plantas e ervas medicinais. Muito antes da medicina ocidental os povos tradicionais já extraiam da natureza a cura para tratar doenças.  Há três anos foi inaugurado o primeiro centro de medicina indígena do Amazonas, o Bahserikowi'i, localizado no centro histórico de Manaus.

O espaço tem como objetivo aplicar o conhecimento dos povos originários da Amazônia a partir da sabedoria dos kumuã das etnias Tukano, Tuyuka e Dessana.

O atendimento é feito por um pajé, conhecido como Kumu, que é especialista no conhecimento de plantas medicinais e na técnica "Bahsese", uma forma de benzimento, procedimento usado para proteger, prevenir e curar diversas doenças. 

| Foto: Divulgação

Desde sua inauguração, em junho de 2017, o Bahserikowi'i - Centro de Medicina Indígena, recebeu mais de 3500 pessoas, a maioria mulheres entre 30 a 55 anos de idade, para tratamento.

A procura não é somente de moradores locais. Turistas e curiosos do Brasil e do mundo visitam o hospital para conhecer técnicas de terapias alternativas. Como é o caso de Fabrício Martins, médico, nascido em Minas Gerais, que buscou o conhecimento do Kumu para a escolha do nome do filho. 

História 

A ideia de projetar o hospital partiu de um caso de preconceito contra a cultura indígena. Em 2009, a sobrinha do antropólogo e idealizador do projeto João Barreto, ambos da etnia Tukano, quase teve o pé amputado por causa de uma picada de cobra Jararaca. Ela tinha 12 anos na época em que o ataque aconteceu, na comunidade de São Domingos, no município de São Gabriel da Cachoeira. 

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No primeiro momento ela foi atendida no hospital da Guarnição, na sede do munícipio. Os médicos notaram que o caso era mais grave e a menina foi transferida para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, em Manaus. A orientação dos médicos do local foi para que a menina amputasse o pé. 

Entretanto, a família de Barreto não aceitou a proposta. Para eles, não era compreensível um procedimento médico que retira parte do corpo. 

Mobilizaram então a equipe médica para não tomar essa medida e propuseram aliar o tratamento da medicina ocidental com medicina tradicional indígena, o que não foi aceito pela equipe médica.

De acordo com os médicos, o tratamento levaria cerca de seis meses, mas ela teve alta em um mês, o que deixou a equipe surpresa.

"A medicina indígena é tão eficiente quanto a asiática, indiana, japonesa. Foi criado um preconceito ao longo dos anos, uma associação da prática cabocla com a bruxaria", relatou João Barreto.

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Conhecimento de gerações 

Os Kumus vivem em São Gabriel da Cachoeira, nas comunidades de Taraque, Iauaritê e Paricachoeirinha. Por conta da dificuldade de acesso às aldeias e à falta de maiores investimentos na saúde, os indígenas relatam que quase não têm acesso aos tratamentos da medicina “branca tradicional”. Por isso, as técnicas de cura herdada dos ancestrais ainda hoje são importantes e passadas de pai para filho dentro das aldeias.

O pai de Barreto, Ovídio Lemos Barreto, é Kumu. O antropólogo lembra que, na época, um médico do hospital João Lúcio disse para seu pai que “ele [médico] havia estudado oito anos para decidir o que era melhor para a neta dele, enquanto que ele não tinha estudado nem um dia sequer”.

O episódio fez Barreto transformar o preconceito que a família sofreu em aprendizado para os não indígenas.

Apoio 

O prédio foi cedido pela coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). A manutenção do local é feita pelos próprios indígenas e por amigos. A venda de artesanato e de medicamentos caseiro são feitas no local para auxiliar na manutenção do centro. Para manter a estrutura é cobrado uma taxa, de acordo com o grau do tratamento. O centro funciona de segunda-feira e sexta-feira, das, e no sábado, das 8h às 12h. 

Para conhecer mais sobre o centro de medicina Indígena, assista o vídeo do Amazonpedia:

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