Arte


Arte na ponta dos dedos: Cleubis Silva faz pinturas a mão em Manaus

O artista de rua Cleubis Silva percorre diversos lugares de Manaus divulgando a arte, que realiza somente com os dedos

Artista finalizando uma das artes em azulejo
Artista finalizando uma das artes em azulejo | Foto: Lucas Silva

Manaus – Com mais de 12 anos de experiência, o artista de rua Cleubis Silva domina técnicas que nenhum curso ou aula poderiam ensinar. Imagens da natureza surgem da ponta dos dedos dele, ilustrando cenários típicos da Amazônia, o artista circula pelas ruas de Manaus para compartilhar o talento com a população.

Assumindo com orgulho o título de artista, o trabalho de Cleubis impressiona quem observa a arte nascer em uma peça de azulejo, levando pouco menos de cinco minutos para finalizar a imagem cheia de cor e vida.

O empenho para produzir cada quadro é perceptível. Apesar de se dividir entre outros ofícios, o artista insiste em continuar a pintar a mão os quadros, algo que ele afirma fazer por amor.

| Foto: Lucas Silva

"Um dos meus sonhos, no futuro, é ensinar aos jovens esse meu trabalho. Tirar eles da rua e mostrar que existe algo que eles podem fazer honestamente, sem causar mal a ninguém’’, mencionou.

A forma que ele imagina de passar para frente esse conhecimento é através de uma escolinha, ambição que o acompanha em pensamento.

"Já tentei orientar algumas pessoas, mas não deu muito certo. Elas gostam de ver como é feito, de ver como é o resultado final, mas o processo para isso acontecer é complicado’’, explicou o artista.

Pintura a mão

| Foto: Lucas Silva

Cleubis conheceu as técnicas para a pintura com os dedos através de um amigo, que apesar de não ter orientado diretamente sobre esse trabalho, serviu de inspiração e espelho para a arte.

"Pedi para esse meu amigo me ensinar e ele não se negou, mas também não me ensinou. O que aprendi foi somente vendo ele fazer as pinturas. Eu olhava ele fazendo, pegava as tintas dele, e tentava reproduzir’’, relembrou.

As primeiras tentativas não foram muito satisfatórias, mas a prática levou à perfeição. De ano em ano, uma arte superava a outra e, atualmente, a facilidade que Cleubis expõe para completar os quadros com maestria representa muita "tentativa e erro’’ do passado.

Arte viva

| Foto: Lucas Silva

Um dos pontos que o artista manifestou sobre o destino final dos quadros é o desejo de tornar as artes "vivas’’. Por mais sutil que seja, cada peça que ele cria, carrega uma história.

"Eu preparo os quadros na hora, na frente do cliente, então lidando com pessoas, cada situação é única’’, afirmou Cleubis.

"

Por exemplo, teve uma vez que uma criança me viu fazendo um quadro e se encantou. Ela pediu do pai, mas ele não tinha como comprar e, vendo essa situação, resolvi fazer uma pintura de graça para a criança. Agora eu espero que quando essa família olhar o quadro se lembre de mim e do meu trabalho "

Cleubis Silva, artista de rua

Situações semelhantes são frequentes na rotina do artista e para que a memória da pintura permaneça, ele pede que os quadros não sejam somente objetos.

"Costumo chamar de ‘arte morta’ aquela arte que fica ali exposta, somente de enfeite. ‘Arte viva’ é aquela que as pessoas querem pegar, que perguntam sobre, querem saber mais, e é assim que eu gosto de imaginar que o meu trabalho é’’, relatou.

| Foto: Arquivo pessoal

Para manter a "arte viva’’ intacta, Cleubis finaliza as pinturas com uma camada de verniz, o que proporciona mais tempo útil para os quadros, sem que os donos das telas precisem se preocupar de as passar de mão em mão. "Não estraga se isso acontecer, na verdade, dá alma para a pintura'', refletiu o artista.

Origem humildes

Cleubis Silva, original de Boa Vista, Roraima, chegou no Amazonas há quase duas décadas e criou raízes em Manaus, em busca de uma qualidade de vida melhor. Atualmente, ele realiza pinturas a mão também em paredes e muros.

"Além dos quadros, que também me ajudam a ganhar meu pão de cada dia, eu faço outros trabalhos pensando em uma condição melhor para o futuro'', informou.

Uma arte de Cleubis custa R$15, incluindo a observação do azulejo em branco ganhar personalidade através das tintas e das mãos do pintor. Para solicitar essa experiência, o artista disponibilizou o número (95)98400-5223. Ele circula diariamente por Manaus, consciente das limitações ao redor. 

''Não é todo lugar que eu sou bem recebido, mas eu me esforço para fazer o possível. Também me mantenho longe de alguns lugares turísticos, como o Teatro Amazonas, eu sei que tenho que solicitar permissão da Prefeitura para fazer meu trabalho em certos locais, então respeito à lei'', finalizou. 

Leia mais:

Mostra de cinema mantêm viva a memória de personagens amazonenses

Maioria dos brasileiros quer retomar atividades culturais

Curta amazonense O Barco e O Rio será exibido em mostra do Cine Ceará